Composição Corporal: Gordura e Massa Magra

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Precisão das Medidas

A precisão das medidas depende, em primeiro lugar, da exatidão dos instrumentos. Um relógio, tipo despertador, seria válido para medir as horas, mas não seria indicado para medir uma corrida de 100 metros, porque não seria um instrumento preciso para se obter esta medida. Quanto mais refinado ele for, melhor será o resultado da medida.

Existem dois tipos de erros mais comuns: Erro de Medida e Erro Sistemático.

  • Erro de Medida: nos erros de medidas encontram-se inseridos:
    • Erro de equipamento: quando o equipamento não é aferido previamente. Por exemplo, balança não tarada, cronômetro não aferido, trena defeituosa e outros.
    • Erro do medidor: quando o medidor erra ao fazer uma leitura do cronômetro, na contagem do número de vezes de execução, na leitura da trena, na leitura do instrumento pela sua colocação incorreta perante o aparelho e outros.
    • Erro administrativo: quando existe algo errado na administração do teste. Por exemplo, bola fora dos padrões normais de medida, aquecimento prévio para execução do teste, quando não esteja contido nas normas do teste, uma bateria que deveria ser aplicada em dois dias e o foi em apenas um dia e outros.
  • Erro Sistemático: como erro sistemático podem-se citar as diferenças biológicas. Por exemplo, se a medida da estatura de um indivíduo for realizada nas primeiras horas da manhã, ter-se-á uma medida, se for realizada à tarde haverá uma diferença na medição do mesmo indivíduo, devida à influência da força da gravidade sobre o seu corpo, principalmente nos espaços intervertebrais, onde existe uma diminuição, ocasionando a diferença de estatura obtida nas duas medidas.

Fracionamento do Peso Corporal

A primeira tentativa de fracionamento do peso corporal foi desenvolvida por Matiegka no início do século XX. Como o interesse na época era tão somente analisar a eficiência física desses componentes, o autor propôs a determinação de forma estanque e isolada do peso de gordura, peso muscular, peso ósseo e peso residual. Apesar da enorme importância estratégica, nos dias atuais essa proposição não encontra grande repercussão entre os estudiosos da composição corporal por desconsiderar alguns princípios metabólicos de fundamental importância.

Com o propósito de oferecer maior clareza e objetividade à análise e à interpretação dos diferentes componentes e suas implicações, tornou-se habitual considerar a composição corporal sob um sistema de dois componentes: componente de gordura e componente isento de gordura. O componente isento de gordura refere-se à parte do peso corporal que permanece após a gordura ser removida, sendo formado, portanto, pelos tecidos muscular e esquelético, pela pele, pelos órgãos e por todos os outros tecidos não gordurosos.

A maior vantagem desse sistema é o fato de que, quando o conteúdo de gordura for conhecido, o componente isento de gordura pode também ser determinado pela simples subtração aritmética do peso corporal. Ou, inversamente, quando se tem acesso à proporção do peso corporal isento de gordura, o componente de gordura pode ser derivado pelas simples subtrações aritméticas. Pelas características deste modelo, ao se estimar um dos componentes, porção de gordura ou porção isenta de gordura, concomitantemente se tem uma visão bastante clara de ambos os componentes, o que facilita sobremaneira a análise da composição corporal.

Considerando esse raciocínio, percebe-se que, se não existem maiores dificuldades para se chegar ao peso corporal, o fundamental na análise da composição corporal mediante sistema de dois componentes é a determinação da quantidade de gordura, admitindo-se que, em relação às implicações práticas, ao se comparar com a porção isenta de gordura esse componente é bem mais acessível.

Componente de Gordura

Um dos problemas cruciais relacionados à análise da composição corporal é a ausência de homogeneidade terminológica associada aos seus conceitos, o que muitas vezes compromete a interpretação dos resultados e dificulta o estabelecimento de comparações entre diferentes técnicas de medidas. Um exemplo disso é a utilização indiscriminada dos termos gordura e tecido adiposo como sinônimos, quando na verdade se constituem duas entidades biológicas diferentes.

O tecido adiposo é formado por células adiposas (adipócitos), fluidos extracelulares, endotélio vascular, colágeno e fibras elastinas. Em contrapartida, a gordura é definida como o total de lipídios existente no organismo. Os lipídios são substâncias químicas indissolúveis na água e dissolúveis em soluções orgânicas como o éter.

Existem várias formas de lipídios no organismo humano, porém a de maior quantidade é o triglicerídeo. Outras formas de lipídios abrangem menos de 10% de toda a gordura corporal existente, entre elas os fosfolipídios, os esteroides e o colesterol.

No que se refere à função, os lipídios são classificados em essenciais e não-essenciais. Lipídios essenciais são aqueles indispensáveis ao funcionamento adequado das estruturas fisiológicas, como o cérebro, a medula óssea, o tecido cardíaco e as membranas celulares. Portanto, estão armazenados no interior dos principais órgãos, músculos e em estruturas do sistema nervoso. Ainda não está totalmente esclarecido se essa categoria de gordura é consumível ou se é apenas uma reserva armazenada. Por esse motivo, os lipídios essenciais são ignorados nas estimativas do componente de gordura ou agregados aos tecidos residuais. (Não fazem parte do tecido adiposo).

Os lipídios não-essenciais consistem na gordura que é estocada no tecido adiposo, por intermédio dos adipócitos, sob a forma de triglicerídeos.

Embora os triglicerídeos apresentem uma função fisiológica, deverão ser considerados lipídios não-essenciais. O tecido adiposo se localiza abaixo da superfície da pele (gordura subcutânea) e entre os principais órgãos (gordura visceral), tendo como principal função a produção de energia para o trabalho biológico. Logo, desempenha papel proeminente no desenvolvimento dos processos de obesidade e emagrecimento.

Comparando a disposição de ambas as categorias de lipídios entre os sexos, observa-se que, nas mulheres adultas, em razão da necessidade de uma quantidade adicional de gordura caracterizada pelo próprio sexo feminino, a quantidade de lipídios essenciais torna-se maior em proporção de aproximadamente quatro vezes em relação aos homens. Embora a exata quantidade não seja conhecida, esses lipídios essenciais os mais observados nas mulheres vem a ser de grande importância biológica no processo de gestação e de outras funções hormonais típicas do sexo feminino.

Com referência aos lipídios não-essenciais, a proporção em relação ao peso corporal é bastante, mais, similar nos dois sexos; entretanto, ainda com superioridade a favor das mulheres, possibilitando que, em igualdade de condições, as mulheres apresentem sempre quantidade relativa de gordura superior, quando comparadas com os homens.

Componente Isento de Gordura

A definição operacional do componente isento de gordura pode variar consideravelmente de acordo com a estratégia empregada em sua estimativa. De maneira geral, tem-se utilizado dois termos ao se referir ao componente isento de gordura: massa magra ou lean body mass (LBM) e massa livre de gordura ou fat-free mass (FFM). Da mesma forma que, no caso do tecido adiposo e da gordura, algumas vezes esses dois termos têm sido tratados como se fossem sinônimos. No entanto, deve-se considerar a existência de importantes diferenças em seus conceitos.

Ao ser introduzido o conceito relacionado à massa magra, partiu-se da suposição de que seus valores são estabelecidos com base em proporção “constantes” de água, mineral e matéria orgânica, incluindo-se também quantidade não determinada de lipídios essencial. Em contraposição, a massa livre de gordura é constituída pelo peso corporal com ausência de toda gordura existente no organismo, excluídos até mesmo os lipídios essenciais, o que poderá ser aplicado apenas em análise de cadáveres.

Por conseguinte, as diferenças entre a massa magra e a massa livre de gordura estão em considerar-se ou não a inclusão dos lipídios essenciais em sua determinação. Portanto, a massa magra caracteriza por conceito"in viv", enquanto a massa livre de gordura, por conceito"in vitr". A propósito dessas definições, ao se referir ao componente isento de gordura, tudo indica que a massa magra seja o componente mais apropriado.

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