Composição Sanguínea e Leucograma Detalhado

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Composição Sanguínea

  • Glóbulos Sanguíneos: Eritrócitos, Plaquetas e Leucócitos (Mais granulosos: Neutrófilos, eosinófilos e basófilos; e Menos granulosos: Linfócitos-T e B e monócitos).
  • Plasma: Solução aquosa + Proteínas (Albumina, alfa, beta e gamaglobulinas e fibrinogênio), sais, aminoácidos, vitaminas, hormônios, lipoproteínas, açúcares.
  • As principais células sanguíneas maduras são: hemácias, plaquetas, neutrófilo, eosinófilo, basófilo, monócito e linfócito.

Leucograma

Neutrófilos

  • São os granulócitos mais comuns no sangue (55-70% de todos os leucócitos).
  • Possuem núcleo segmentado, tipicamente com 2 a 5 lobos conectados por finas fitas de cromatina, podendo aparentar ser multinucleada.
  • Apresentam intensa atividade antibacteriana, são a primeira célula a participar das respostas inflamatórias e possuem o menor tempo de vida (entre 24 a 72h).

Eosinófilos

  • Correspondem a 2-5% do total de leucócitos.
  • São distinguíveis pelos seus grânulos acidofílicos (vermelho/laranja) proeminentes, contendo Proteína Básica Principal, tóxica para muitas larvas de parasitas.
  • O núcleo usualmente tem apenas 2 a 3 lobos.
  • Suas funções estão associadas com respostas alérgicas e defesa contra parasitas.

Basófilos

  • Compreendem menos de 1% do total de leucócitos.
  • Distinguem-se pelos grânulos azul escuro específicos proeminentes que contêm histamina, heparina e outros componentes. O núcleo está usualmente obscurecido pela densidade dos grânulos.
  • Estão associados com a resposta imune inata a antígenos externos, assim como na ocorrência de asma e anafilaxias.

Monócitos

  • São as maiores células vistas no esfregaço sanguíneo e constituem 5 a 8% dos leucócitos.
  • Seu núcleo não é multilobular como os granulócitos, mas pode ser em forma de U com cromatina aparentemente reticular. O citoplasma contém numerosos grânulos lisossomais, conferindo-lhe uma aparência acinzentada de vidro fosco.
  • Eventualmente, saem da corrente sanguínea e se tornam macrófagos tissulares, responsáveis pela remoção de *debris* e defesa contra certos invasores.

Linfócitos

  • Célula arredondada ou ovalada com um núcleo oval que ocupa a maior parte da célula. O nucléolo pode estar presente, mas a cromatina densa impede a distinção.
  • Possui um diâmetro de 6 a 16 micrômetros, sendo normalmente menores que os monócitos.
  • Desempenham inúmeros papéis na resposta imune adquirida e correspondem a 20-30% dos leucócitos.

Alterações Quantitativas (Contagem Leucocitária)

Neutrofilia

  • Produção e liberação aumentada da medula óssea em consequência de desordens como infecções bacterianas, lesões agudas, leucemias ou necrose celular.
  • O número aumentado é normalmente acompanhado por um deslocamento para a esquerda, indicando liberação de granulócitos imaturos.
  • Pode ocorrer má distribuição entre os *pools* marginais e circulantes devido a desordens físicas ou estresse emocional. Fumantes tendem a ter uma contagem de granulócitos maior.

Neutropenia

  • Diminuição da produção pela medula óssea (ex: anemia de Fanconi, anemia aplástica, lesão tóxica, anemia perniciosa).
  • Bloqueio da liberação da medula óssea (ex: neutropenia cíclica ou agranulocitose).
  • Aumento da destruição na circulação periférica (ex: esplenomegalia, neutropenia neonatal isoimune ou certas infecções como febre tifoide, brucelose e malária).
  • Má distribuição entre os *pools* circulantes e marginais (ex: viremias, diálise ou descanso prolongado em leitos).

Eosinofilia

  • Aumento na produção pela medula óssea em consequência de desordens alérgicas, infestações parasitárias, certos tumores malignos.
  • Outras causas incluem febre escarlate, artrite reumatoide, febre reumática aguda, sarcoidose, tuberculose e fumo.

Eosinopenia

  • Diminuição na produção da medula óssea em consequência de condições similares às que causam neutropenia.
  • A administração de hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) resulta em contagens diminuídas em indivíduos normais. Certas drogas também a produzem, como corticosteroides, adrenalina, niacina, niacinamida e procainamida.

Basofilia

  • Aumento da produção da medula óssea em consequência de desordens como hipersensibilidades ou doenças mieloproliferativas. Estrógenos, drogas antitireoide e desipramina podem também aumentar os basófilos.

Basopenia

  • Diminuição da produção que pode ocorrer durante o estresse e infecções. Não é geralmente um problema clínico.

Monocitose

  • Aumento da produção e liberação da medula óssea em consequência de distúrbios como tuberculose, infecções bacterianas e parasitárias crônicas, estados mieloproliferativos, após quimioterapia e em anemias hemolíticas.
  • É característica de inflamações granulomatosas crônicas. Envenenamento por fósforo e tetracloreto de carbono, assim como administração de haloperidol, pode causar monocitose.

Monocitopenia

  • Infecções extremamente graves e administração de glicocorticoides podem produzir uma diminuição de monócitos.

Linfocitose

  • Encontrada em mononucleose infecciosa, hepatites virais, infecções por citomegalovírus, outras infecções virais, coqueluche, toxoplasmose, brucelose, tuberculose, sífilis, leucemias linfocíticas e envenenamento por arsênico e tetracloreto de carbono.
  • Certas drogas aumentam a contagem de linfócitos, incluindo ácido aminosalicílico, griseofulvina, haloperidol, levodopa, niacinamida e fenitoína.

Linfopenia

  • É característica da AIDS. É também encontrada em infecções agudas, doença de Hodgkin, lúpus eritematoso sistêmico, insuficiência renal, carcinomatose e na administração de corticosteroides, lítio, niacina e radiações ionizantes.
  • De todas as células hematopoiéticas, os linfócitos são os mais sensíveis à irradiação.

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