Comunicação Integrada e Marketing: Relação e Estrutura
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Relação entre Comunicação e Marketing
Relação entre Comunicação e Marketing – O marketing não possui uma origem e uma definição clara e compartilhada universalmente. Trata-se de uma palavra de origem inglesa, cuja gênese apresenta duas versões. A primeira afirma que o marketing nasceu como um campo de conhecimento próprio ao se separar da ciência econômica, da qual era subdisciplina. Há divergências quanto ao período em que isso ocorreu: se no início do século XX, quando surge como disciplina acadêmica nos Estados Unidos, ou se em meados do século XX, momento em que, pela primeira vez na história, a oferta supera a demanda e, por isso, requer uma atuação ativa do marketing.
Motivos da separação do marketing
O ponto fundamental é entender o motivo dessa separação, atribuída a uma incapacidade da teoria econômica hegemônica na virada do séc. XX — a teoria neoclássica — de lidar com a nova realidade dos mercados e oferecer uma explicação sobre o comportamento do consumidor coerente com o “consumidor real”, já que esse consumidor era entendido por tal teoria econômica como dotado de uma racionalidade que o fazia obter bens apenas em função de sua utilidade.
Origem alternativa: publicidade e pesquisa
Na segunda versão, o marketing teria nascido da publicidade, que já existia efetivamente desde meados do século XIX e cujo pioneiro foi os Estados Unidos. Para entender melhor o consumidor e produzir anúncios que despertassem seu interesse, a publicidade procurou se basear em estudos 'científicos' sobre ele. Assim, surge, nas primeiras décadas do século XX, a pesquisa sobre o comportamento do consumidor e, na sua esteira, o marketing herdeiro direto da publicidade, com a função de racionalizar as práticas comerciais. Esse foco na racionalização das práticas comerciais em função do mercado é uma característica que ainda hoje identifica o marketing.
Do comportamento do consumidor à estratégia
Isso difere profundamente do que se via no momento anterior, no qual o comportamento do consumidor entrava em cena somente no processo de comunicação da venda. Quando ocorre essa mudança, entramos no denominado “moderno conceito de marketing”.
As organizações começavam a perceber que o êxito das empresas dependia da capacidade de definir o que os consumidores desejavam ou poderiam vir a desejar. Organizar-se em função dessas necessidades significava dar um passo à frente dos concorrentes. As organizações atuavam com uma visão voltada ao mercado, impondo a si mesmas certas regras que governavam o conceito de lucro.
Objetivo: lucro perene
Procuravam, então, maximizar os lucros a longo prazo, ou seja, davam mais importância aos lucros moderados e contínuos do que àqueles elevados que poderiam cessar bruscamente. Isso significava também que as empresas se contentavam em vender os produtos por um preço mínimo compatível com o retorno esperado.
Vários elementos deveriam ser analisados para que a empresa pudesse ser competitiva e atender ao princípio da perenidade. Era necessário um estudo minucioso sobre qual produto deveria ser colocado no mercado em qual momento, qual a real necessidade do consumidor, a que preço e como a concorrência reagiria a esse preço. Diante de tantos fatores a serem analisados, as empresas se reorganizaram e iniciaram um processo de definição de objetivos, agora a longo prazo. Tinha início o chamado planejamento estratégico.
Planejamento estratégico
O planejamento estratégico levava em consideração as possíveis mudanças tecnológicas, o comportamento do consumidor e os recursos financeiros das empresas. Surgido na década de 1970, o planejamento estratégico tinha a função de orientar os negócios e os produtos das empresas, de modo a gerar lucro e crescimento satisfatórios. Era necessário, então, levantar e analisar as informações sobre o ambiente externo para conhecer o mercado dos pontos de vista político, econômico, social e tecnológico.
Agora, com essas informações obtidas, as organizações tinham condições de verificar quais eram os pontos fortes e fracos da própria empresa e assim desenvolver uma visão a longo prazo dos caminhos que deveriam seguir. Definição da missão da empresa. Segundo Marcélia Lupetti, a missão deve retratar um sonho quase impossível.
A missão e os objetivos faziam parte, então, do planejamento estratégico. Uma vez definidos, cada setor desenvolvia seu plano em função do planejamento global da organização — esse era o rumo que o marketing tomava.
Era necessária uma análise mais profunda das oportunidades de mercado, da pesquisa e da seleção de mercado. Crise do petróleo — novos hábitos de consumo.
Redefinição do conceito pela AMA
Redefinição do conceito de marketing pela AMA, em 1985.
“É o processo de planejamento, execução, precificação, promoção e distribuição de bens, ideias e serviços para criar trocas que satisfaçam os objetivos dos indivíduos e das empresas.”
As organizações sentiam dificuldade de implantar o planejamento e sua operacionalidade; ou seja, havia uma distância muito grande entre quem planejava e quem executava as ações.
O caminho encontrado foi reunir o planejamento estratégico à administração estratégica em um único processo denominado gestão estratégica.
Administração estratégica e mudança cultural
A administração estratégica implica mudança de atitude dos gestores em vários níveis, visando à integração de processos e de estratégias organizacionais. Essa mudança de atitude — como aspectos comportamentais, maior flexibilidade, integração de processos e interação das novas tecnologias oriundas da tecnologia da informação — levou as empresas a repensarem sua cultura organizacional, substituindo a forma de pensar linear pelo pensamento sistêmico.
A cultura organizacional pressupõe um conjunto de comportamentos, normas e códigos formais e informais que devem ser adquiridos por um processo de aprendizagem e transmitidos a todos os colaboradores da organização.
O processo de implantação ou mudança da cultura organizacional envolve necessariamente a comunicação, que, por sua vez, deve ser simples e clara, para que todos os colaboradores entendam, aceitem, participem e desempenhem um comportamento que gere as mudanças propostas pela organização.
Benchmark + tecnologia da informação = produtos similares
Valorização da marca = obriga as organizações a repensarem seu planejamento e suas estratégias mercadológicas.
A valorização da marca como vantagem competitiva e a importância de um trabalho integrado em ações de divulgação — não só para os colaboradores da empresa, mas como divulgação integrada de todas as ações a todos os públicos de interesse da organização — levam a comunicação a uma posição estratégica no planejamento organizacional.
Comunicação integrada
Nesse contexto, a comunicação passa a ter a relevância que lhe é devida como comunicação organizacional integrada, ou simplesmente comunicação integrada.
Novo conceito de marketing da AMA de 2004:
“É a função organizacional e uma série de processos para a criação, a comunicação e a entrega de valor para clientes e para o gerenciamento de relacionamentos com eles, de forma que beneficie a organização e seus stakeholders.”
O marketing deixa de ser apenas parte da organização para se aliar à gestão sistêmica, tendo a função de interligar e integrar todos os processos da empresa.
Inputs – throughputs – outputs
Visão sistêmica do Marketing
A Comunicação integrada
- Necessidade de rever os modelos de comunicação até então adotados.
- Os empresários perceberam que novos sistemas se incorporavam aos antigos e administrar a empresa de forma linear já não era a maneira de obter resultados positivos para a organização. Um novo modelo, baseado no pensamento sistêmico, passou a desempenhar uma função de extrema importância na gestão organizacional, redesenhando o papel da comunicação nas empresas.
- A comunicação hoje passa necessariamente pelas novas tecnologias, que proporcionam uma relação inovadora entre a organização e seus públicos de interesse.
Para planejar a comunicação é exigida interação, unificação da mensagem, instruções, boa vontade e envolvimento de todos os colaboradores.
- Para que isso se ja possível, é necessária uma comunicação integrada.
- Considerada parte integrante da gestão estratégica, a comunicação integrada abrange comunicações institucional, administrativa, interna e mercadológica.
O termo comunicação integrada
O termo comunicação integrada tem sido utilizado para descrever a combinação das atividades de publicidade, marketing e relações públicas das organizações; no entanto, seu conceito é muito mais amplo.
A comunicação integrada estabelece uma política global, em função da existência de coerência entre os programas estabelecidos nas comunicações institucional, administrativa, interna e mercadológica. Os quatro programas devem trabalhar de forma conjunta, integrados entre si e com os demais programas da empresa, tendo em vista os objetivos gerais da organização e, ao mesmo tempo, os objetivos específicos de cada programa.
Comunicação institucional
A comunicação institucional tem por finalidade conquistar a credibilidade e a confiança dos públicos de interesse, divulgando a filosofia, a missão, os valores e princípios da organização, retratados em suas políticas e práticas.
Para isso, utiliza ferramentas como: identidade e imagem corporativa, propaganda institucional, jornalismo empresarial, assessoria de imprensa, editoração eletrônica, marketing social, cultural e esportivo, bem como relações públicas.
Comunicação administrativa
A comunicação administrativa preocupa-se com a unificação da linguagem no que se refere aos fluxos de serviços, aos níveis hierárquicos, às redes formais e informais de comunicação, objetivando orientar, atualizar e ordenar o fluxo de atividades funcionais da organização.
Fazem parte da comunicação administrativa as normas, instruções, portarias, memorandos, cartas técnicas, regulamentos, avisos, índices, taxas, racionalização de redes etc.
Comunicação interna
A comunicação interna, voltada a todos os colaboradores da organização, tem como objetivo promover a integração dos funcionários, a troca de informação, o estímulo à experiência e ao diálogo.
Para tanto, desenvolve programas de prevenção de acidentes, de aperfeiçoamento profissional, campanhas de criatividade e competitividade, entre outros.
Comunicação mercadológica
A comunicação mercadológica tem como objetivo divulgar os produtos e/ou serviços da organização, visando, grosso modo, ao aumento de vendas ou simplesmente à sua estabilização no mercado.
As principais ferramentas da comunicação mercadológica são: publicidade, promoção de vendas, venda pessoal, merchandising, eventos e marketing direto de relacionamento.
Agência de publicidade e sua estrutura
Agência de publicidade e sua estrutura organizacional
Segundo Roberto Corrêa, os setores de uma agência de publicidade podem ser classificados em três grandes grupos:
- Básicos
- De apoio
- Operacionais
Setores básicos
Os elementos básicos são imprescindíveis para o funcionamento da agência: gerência, administração, finanças, atendimento, mídia, criação, produção e tráfego.
Setores de apoio
Os de apoio têm a finalidade de auxiliar os departamentos básicos a desempenharem melhor suas funções, tais como: centro de informações, pesquisas de mercado e comunicação, pesquisas de mídia, assessoria jurídica, lobby governamental e informática.
Departamentos operacionais
Os departamentos operacionais são instalados para aperfeiçoar os serviços prestados pela empresa a seus clientes e com a finalidade de se transformarem em novos centros de lucro.
Fazem parte: promoção de vendas e merchandising, relações públicas, assessoria de imprensa, database marketing, eventos, webdesign, entre outros.
Segundo Marcélia Lupetti:
Estrutura de uma agência — o modo como as várias partes de uma organização são ajustadas. A estrutura organizacional é o sistema de redes de tarefas, relações de quem se reporta a quem e as comunicações que inter-relacionam o trabalho de indivíduos ou de grupos. Ou ainda, a estrutura organizacional define a autoridade, as responsabilidades das pessoas e a comunicação entre elas.
De acordo com a autora, existem vários tipos de estrutura organizacional. Entre as estruturas tradicionais encontram-se as estruturas funcionais, divisionais, matriciais e por células.
Estruturas funcionais
Nas estruturas funcionais as pessoas são agrupadas por habilidades semelhantes, que compartilham especialidades, interesses e responsabilidades técnicas: recursos humanos, finanças, atendimento, criação, mídia e produção.
Estruturas divisionais
As estruturas divisionais agrupam pessoas com diferentes tarefas e habilidades que trabalham no mesmo produto, servem a clientes semelhantes e/ou operam na mesma região geográfica.
As divisionais por produto agrupam funções e atividades trabalhando em um produto único ou serviço; as divisionais por clientes agrupam clientes de porte diferente; e as divisionais por região reúnem as atividades por local.
Estrutura matricial
A estrutura matricial agrupa equipes multifuncionais permanentes para misturar as forças técnicas de estruturas funcionais com o potencial integrador de estruturas divisionais. Nesse modelo, os profissionais atendem a dois comandos diferentes.
Estruturas por células
As estruturas por células são criadas para aperfeiçoar as relações laterais e resolver problemas da organização. Funcionários de diferentes departamentos trabalham juntos no desenvolvimento de campanhas para alcançar o máximo de impacto nos consumidores, na satisfação de seus clientes anunciantes, na qualidade de seus serviços e na produtividade.
O objetivo da estrutura por células é explorar os potenciais intelectuais de todos os funcionários envolvidos no processo, com consenso e tomada de decisão em grupo.
Perfis profissionais
Perfis profissionais
Embora possuam funções diferentes, tanto o planejamento quanto o atendimento possuem atividades correlacionadas e um perfil semelhante. O termo planejamento é bastante amplo e, por esse motivo, merece alguns esclarecimentos.
Três passos:
- Apropriar-se da realidade.
- Elaborar o problema.
- Pensar em como solucionar esse problema.
O planejamento é o que rege as ações; é o que fazemos antes de agir, antes de tomar uma decisão, visando atingir um objetivo. É, portanto, um processo de decidir o que fazer e como fazer, antes de fazer.
Em uma agência de comunicação, a atividade de planejamento é exercida pelo diretor de planejamento. É ele quem vai planejar as campanhas dos anunciantes. Portanto, o perfil desse profissional deve ser o de uma pessoa arrojada, empreendedora, com visão ampla de mercado e que tenha vivenciado todas as áreas de uma agência de comunicação, além de ter trabalhado do outro lado da mesa, ou seja, ter sido anunciante.
Em muitas agências, a atividade de um planejador é compartilhada com o profissional de atendimento. Ambos devem possuir característica de liderança associada ao bom relacionamento.
Construir um relacionamento — gerar confiança, credibilidade e fidelização.
Tanto o profissional de planejamento como o de atendimento precisam ter em mente que cada cliente e cada campanha precisam de tratamentos individualizados; cada caso é único, com objetivos distintos e com situações de mercado diferentes. Portanto, é fundamental conhecer o perfil do cliente e da empresa.
Funções do Planejamento
Funções do Planejamento
O profissional dessa área realiza o planejamento da campanha de comunicação dos clientes. É responsável pelo desenvolvimento da estratégia e das táticas de comunicação do anunciante.
Precisa conhecer os objetivos de marketing e definir tanto os objetivos de comunicação como os objetivos de campanha. São os objetivos de campanha que ditarão as diretrizes para o planejamento, atendimento e, por consequência, a criação e para a mídia.
Perfil do Produtor RTVC
Perfil do Produtor RTVC
Quando a criação cria um filme, o produtor se encarregará de tomar todas as providências para que a filmagem ocorra sem problemas. O mesmo acontece quanto à criação de peças publicitárias para cinema ou para rádio. Ambos servem de suporte técnico para a dupla de criação.
Tarefas do Atendimento
Tarefas do profissional de atendimento
- Levantar o briefing (informações necessárias para a realização da campanha pelo anunciante).
- Aprofundar seus conhecimentos sobre o mercado de atuação, sobre a empresa cliente e seus concorrentes, incluindo a área de comunicação.
- Redigir o briefing e checá-lo com o cliente para evitar confusões e erros.
- Convocar a equipe de planejamento para discussões e tomadas de decisões sobre os rumos da campanha (reunião de planejamento).
- Abrir pedido interno de trabalho, direcionado às áreas competentes (criação, mídia, produção).
- Registrar as decisões por meio de relatórios de visitas.
- Acompanhar os trabalhos de criação, mídia e produção, zelando pela qualidade e pelos custos.
- Avaliar o trabalho antes de levá-lo ao cliente, ouvindo as defesas dos setores envolvidos e comparando-as com os objetivos do cliente.
- Apresentar a campanha para o cliente, fundamentada nas informações deste, nas pesquisas realizadas e nas oportunidades do mercado.
- Agilizar os trâmites burocráticos envolvidos na aprovação da campanha.
Perfil do profissional de Mídia
Perfil do profissional de Mídia
O profissional de mídia é responsável pelo planejamento e pela distribuição da verba do cliente nos veículos de comunicação. Deve ter familiaridade com as ciências humanas e exatas.
O profissional de mídia precisa conhecer qual é o comportamento do público do seu cliente ou produto para relacioná-los com o público-alvo do veículo que está sendo analisado. Ele deve garantir que a mensagem chegará ao veículo que seu público adota.
A área de Mídia é aquela responsável pelos estudos dos meios e veículos de comunicação mais adequados para a veiculação das mensagens.
É uma área que tem sido cada vez mais valorizada, devido a dois fatores principais:
- Em primeiro lugar, porque ela lida com a maior parte do investimento do anunciante em comunicação mercadológica (aprox. 80%).
- Em segundo lugar, porque as segmentações de mercado levadas a níveis extremos exigem uma análise mais detalhada dos meios e formatos.
Fim do conteúdo.