Conceitos Chave em Psicologia do Desporto: Stress, Arousal e Coesão
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1. Conceitos de Arousal, Stress e Coping
Arousal (Excitação): Trata-se de um estado de reação física e psicológica ao stress.
Coping (Enfrentamento): Refere-se aos esforços comportamentais e cognitivos no sentido de dominar, reduzir ou tolerar as exigências internas ou externas criadas pelas transações stressantes.
Stress: É uma característica do contexto. É a resposta do indivíduo quando se encontra num contexto desafiante e ameaçador. É uma reação fisiológica e psicológica do indivíduo ou grupo quando exposto a um contexto desafiante. Assim sendo, não consideramos o stress nem como estímulo nem como resposta. O stress define-se como um conceito relacional mediado cognitivamente. O stress é uma relação dinâmica particular entre o indivíduo e o meio quando um atua sobre o outro.
2. Relação entre Arousal e Performance (Lei de Yerkes–Dodson)
Esta lei postula que a relação entre arousal e performance pode ser representada visualmente por um U invertido.
Colocando a performance num eixo vertical e o arousal na horizontal, descobre-se que a performance é pior em níveis muito baixos e muito altos de arousal, sendo melhor num nível ótimo.
3. Avaliação da Ansiedade: Métodos e Importância
A avaliação da ansiedade é crucial para a investigação e compreensão dos seus sintomas e dinâmica, permitindo um diagnóstico mais preciso e rápido.
Métodos de Avaliação Fisiológica
(Indicam excitação, como a frequência cardíaca ou a atividade elétrica cerebral, permitindo inferências sobre a ansiedade através da medição dos níveis de excitação):
- Eletroencefalografia
- Propriedades elétricas da pele
- Ritmo cardíaco
- Pressão arterial
- Eletromiografia
- Avaliação bioquímica: através da presença de certos agentes bioquímicos no sangue, tais como epinefrina, norepinefrina e cortisol. O aumento dos níveis destes componentes sugere níveis elevados de excitação.
Testes Psicológicos de Avaliação da Ansiedade
- State – Trait Anxiety Inventory (STAI)
- Competitive State Anxiety Inventory (CSAI)
- Sport Competition TEST (SCAT)
- Sport Anxiety SCALE (SAS): avalia a ansiedade somática e cognitiva.
4. Forças e Fraquezas da Avaliação Fisiológica da Ansiedade
Forças:
- Independente do que o indivíduo diz (o que pode não ser muito preciso).
- Podem ser utilizados em quase todas as pessoas.
- Muitos destes procedimentos podem ser usados simultaneamente ao comportamento.
Fraquezas:
- Exigem equipamentos caros e por vezes difíceis de utilizar.
- A ciência nunca chegou a uma resposta satisfatória para o motivo pelo qual algumas pessoas canalizam o stress através da via respiratória, enquanto outras o fazem através da circulatória ou digestiva, pelo que o que é útil para um indivíduo pode não servir para outro.
5. Modelos de Redução da Ansiedade
Existem 4 modelos principais:
- Extinção e Emersão: Sem esforço, afirmações extinguem-se.
- Dessensibilização Sistemática: Relaxamento, hierarquização de situações de ansiedade, confrontação mental com a situação em relaxamento, confrontação do real.
- Modelo Cognitivo-Mediacional: Reestruturação cognitiva na forma de afirmações mentais.
- Modelo de Competências de Coping – Inoculação do Stress (Meichenbaum): Capacidade de consolo.
6. Stress e Coping segundo Lazarus e Folkman (1994)
Segundo Folkman, o stress é uma relação dinâmica particular entre o indivíduo e o meio quando um atua sobre o outro.
Stress segundo Lazarus: Os indivíduos não são meras vítimas do stress, mas a sua maneira de avaliar os acontecimentos stressantes (interpretação primária) e os seus próprios recursos e opções de enfrentamento (interpretação secundária) determinam a natureza do stress. Os processos de interpretação do indivíduo influenciam a relação dinâmica, ou transação, entre este e o meio social.
Coping (Enfrentamento) segundo Lazarus e Folkman: Refere-se aos esforços comportamentais e cognitivos no sentido de dominar, reduzir ou tolerar as exigências internas ou externas criadas pelas transações stressantes.
7. Erros dos Treinadores que Causam Stress nos Atletas (Smith, Small e Curtis, 1979)
Os treinadores dão frequentemente instruções pouco claras, castigam verbalmente e quase nunca elogiam, o que resulta numa atitude negativa nos atletas face ao treinador, aos companheiros e equipa, e a si mesmos, o que por sua vez contribui para um rendimento desportivo inferior ao desejado (provoca stress no atleta as instruções pouco claras, os castigos verbais e a quase insistência de elogios).
8. Fases do Modelo de Inoculação do Stress de Meichenbaum
- Fases de Inoculação do Stress
- 1- Fase de Conceptualização
- 2- Fase de Ensaio
- 3- Fase de Aplicação
9. Estratégias de Coping para Reduzir o Stress em Atletas (Smith, Small e Curtis, 1980)
Uma maneira de reduzir o stress é atuando no modo como o treinador interage com os atletas.
Utilizaram uma abordagem cognitivo/comportamental para ensinar os treinadores a modelar e usar instruções de resposta específica, juntamente com feedback positivo sobre o rendimento dos atletas, encorajando-os de modo generalizado.
Utilizaram a Inoculação do Stress para ensinar os atletas a aceitar críticas (complemento aos esforços de Smith para mudar a conduta dos treinadores).
O treino em controlo do stress também tem sido aplicado para trabalhar diretamente com os atletas para reduzir o stress relacionado com atividades concretas.
Assim sendo, elaboraram um programa para o controlo do stress em atletas utilizando:
Entrevistas, Questionários e Autorregisto (para determinar a frequência e a intensidade da sua ansiedade e tensão, bem como a natureza para controlar).
As descrições dos atletas sobre as suas respostas serviam de base para a fase inicial de conceptualização sobre a natureza do stress e o seu impacto no rendimento.
10. Funções das Entrevistas, Questionários e Autorregistos no Programa de Smith (1980)
As entrevistas, questionários e autorregistos têm a função de determinar a frequência e a intensidade da ansiedade e tensão dos atletas (por exemplo, na véspera de uma atuação ou após um erro).
As descrições dos atletas sobre as suas respostas serviam de base para a fase inicial de conceptualização sobre a natureza do stress e o seu impacto no rendimento.
O objetivo deste procedimento de afeto induzido era dar aos atletas a oportunidade de controlar as respostas emocionais que geralmente eram mais intensas que as provocadas pelos stressores in vivo. Ou seja, as situações de stress baseadas em imagens e acompanhadas de ativação induzida pelo terapeuta resultavam ser mais intensas que as experimentadas em competição real.
11. Definição de Coesão de Grupo (Carron, citado por Leunes, 2011)
Processo dinâmico que se reflete na tendência para o grupo se unir enquanto procura atingir metas e objetivos.
12. Fatores que Afetam a Coesão dos Grupos
- Tamanho do grupo
- A tarefa
- Duração da equipa (ou vínculo?)
- Satisfação
De modo geral, é mais fácil a coesão em grupos pequenos.
Os psicólogos do desporto interessam-se particularmente pelo social loafing, ou diminuição do esforço individual resultante da presença de colaboradores ou companheiros de equipa.
As exigências da tarefa marcam a diferença na coesão, simplesmente porque desportos diferentes exigem diferentes graus de envolvimento da equipa. Os desportos considerados interativos exigem grande interação e cooperação. Outros desportos, mesmo que em equipa, têm uma natureza mais individual.
O período de tempo que uma equipa permanece junta pode exercer um impacto profundo na coesão. Os psicólogos do desporto falam de semivida da equipa.
13. Papel das Audiências
A audiência opera como uma via com dois sentidos: por um lado, temos os efeitos da audiência na realização e, por outro, os efeitos da competição na audiência.
A influência da audiência num iniciante pode ser extremamente negativa (o que é conhecido como apreensão avaliativa). Também pode ser muito positiva ou negativa num praticante médio, e é positiva com atletas altamente competentes.
A vida real dos acontecimentos desportivos é caracterizada por um efeito interativo: os fãs afetam o comportamento dos jogadores e vice-versa. Assim sendo, os psicólogos do desporto estão interessados na relação entre os fãs e os atletas. Tome-se como referência a vantagem de quem joga em casa.
14. Conceito de Motivação
A motivação é um comportamento dirigido para um objetivo.
Nestas teorias, a motivação teria como finalidade a procura de equilíbrio. A sua função seria a satisfação de uma necessidade no sentido de repor o equilíbrio perdido.
15. Motivação Intrínseca vs. Extrínseca
Motivação Intrínseca: É determinada pelo interesse do sujeito na tarefa a realizar. Tem maior poder motivador.
Motivação Extrínseca: É estimulada pela presença de um reforço externo associado a um resultado na tarefa.
16. Teoria das Atribuições Causais de Weiner e Reações ao Sucesso/Fracasso
No modelo de Weiner, são utilizadas a capacidade/incapacidade (Estável e Interno), o esforço/falta de esforço (Instável e Interno), a facilidade da tarefa/dificuldade da tarefa (Estável e Externo) e a sorte/azar (Instável e Externo), envolvendo 2 dimensões: a estabilidade com que o efeito varia ao longo do tempo (estável vs instável) e o locus de causalidade (causa interna vs causa externa).
Um desempenho atribuído a fatores internos (capacidade e esforço pessoal) gera maior autoestima. A estabilidade do efeito implica expectativa de sucesso/insucesso futuro. A causalidade estável tende a gerar expectativas semelhantes no futuro, contrariamente a situações associadas a fatores instáveis.