Conceitos Fundamentais de Metafísica e Epistemologia
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1. Ultimatidade na Metafísica
Ultimatidade é uma das características mais básicas da metafísica, ou seja, sua última tentativa de alcançar as questões, a resposta daquelas que não pedem mais apoio. Refere-se a isso como os filósofos dizem que a metafísica são os primeiros princípios e causas primeiras.
2. Interesses do Conhecimento
- Interesse teórico: Alcançar a lógica perfeita do conhecimento. Daí surge o conhecimento da natureza.
- Interesse prático: Descobrir o que fazemos e o que podemos esperar se agirmos bem. Daí resulta o saber sobre a liberdade que dá origem à ética e à religião.
- Interesse técnico: Dominar e explorar a natureza, que serve como um guia para a ciência empírico-analítica.
- Prática de comunicação: Orientada para o interesse e EPS entre os seres capazes de se comunicar; guia das ciências histórico-hermenêuticas.
- Interesse emancipatório: Libertar os seres humanos da dominação e repressão, levando à ciência social crítica.
3. Posições Epistemológicas sobre o Conhecimento
- Dogmatismo: Diz que há confiança ingênua na capacidade de saber, pois pressupõe a capacidade das nossas faculdades cognitivas.
- Subjetivismo: Nega a possibilidade de alcançar verdades universalmente válidas. A verdade depende de cada sujeito.
- Crítica: Representa a posição intermediária entre o dogmatismo e o ceticismo. É possível obter algum conhecimento, mas sempre temos tarefas: esclarecer onde nossas faculdades podem conhecer ou comparar criticamente nosso conhecimento com a realidade. O primeiro tipo é a crítica kantiana da razão, que propõe descobrir seus limites.
- Perspectivismo (José Ortega y Gasset): Pode-se ganhar conhecimento da realidade, mas pela combinação de diferentes perspectivas, pois cada um de nós e cada geração tem sua visão histórica própria da realidade.
4. Teorias sobre a Realidade
- Realismo: Define que a realidade, ou seja, o objeto de conhecimento, existe por si mesma, independentemente do sujeito. O polo é considerado o conhecimento objetivo, sendo mais fundamental que o sujeito. Segundo essa concepção, os seres humanos só podem capturar ou conhecer a realidade, mas não alterá-la ou modificá-la. Para o realismo, podemos conhecer as coisas em si mesmas, como elas são.
- Hermenêutica: Destina-se a compreender as ações humanas e a realidade histórica, interpretando todos os eventos em sua singularidade, tentando entender seu significado. Diz-se que não há fatos nus, mas sim interpretações. A compreensão ocorre sempre a partir de uma situação histórica, de uma aldeia, de uma família, de uma tradição, dos saberes adquiridos antes (educação, cultura, socialização, etc.). A hermenêutica acredita que os saberes são constitutivos do conhecimento e a razão não é pura, mas impura, pois ao conhecer não podemos eliminar fatores sociais, culturais, emocionais, linguísticos, etc.
5. Critérios de Verdade
- Correspondência: Será verdade se o nosso pensamento concordar com a realidade empírica. A linguagem expressa esse pensamento, sendo o critério para estabelecer a adequação ou correspondência entre o que é dito e o que é. A verificação experimental é um caminho para esse ajuste.
- Evidência: É o critério fundamental. É claro, indiscutível e intuitivamente verdadeiro, embora muitas vezes precise ser demonstrado pelo raciocínio. Consideram-se princípios evidentes, em primeiro lugar, o princípio da identidade e da não-contradição (evidência racional), e, em segundo lugar, os dados dos sentidos (evidência sensível).
- Consistência Lógica: Um critério logicomatemático, que verifica se não há contradição entre as afirmações que pertencem ao mesmo sistema e que, necessariamente, derivam dos axiomas ou princípios estabelecidos.
- Tradição: Toma como verdade aquilo que ao longo do tempo foi aceito como verdadeiro e goza de apoio popular e institucional.
6. Teorias Contemporâneas da Verdade
- Teoria Consensual (Habermas): Salienta a necessidade do diálogo como um quadro de cooperação para descobrir a verdade das proposições. Ao dizer que algo é verdade, implica-se que temos razões suficientes para convencer os outros parceiros da verdade dessa proposição, podendo sempre falar livremente sobre o assunto, sem pressão externa, em busca da própria verdade. Verdades científicas são sempre passíveis de revisão. A teoria mostra que os humanos não têm outra forma de acesso à verdade senão discutindo e ouvindo as razões dos outros, visando alcançar um consenso sobre o que deve ser feito.
- Teoria Pragmática (William James): Entende a adequação como adaptação: uma afirmação é verdadeira se for adequada para resolver problemas ou satisfazer necessidades. É uma concepção dinâmica da verdade, que não é uma propriedade adquirida de uma vez por todas, mas resultado de um processo: a ideia é verificada, é verdadeira, se a ação demonstra sua utilidade ou eficácia. Utilitário significa resolver problemas operacionais, aproximando-se do sucesso na ação. Também significa consequências benéficas, de modo que as ideias verdadeiras são aquelas que trazem razão para serem mantidas, aproximando-se da gratificação real.
7. Tipos de Realidade
- Realidade Contingente: Refere-se a algo que existe hoje, mas pode deixar de existir, como a própria existência, que é real neste momento, mas não foi antes do nascimento e poderia não ter sido.
- Realidade Necessária: Refere-se a algo que é necessário, definido como absolutamente real, ou seja, que existe e não pode existir de outra maneira. Tradicionalmente, atribui-se a Deus. Exemplo: os ângulos de um triângulo devem necessariamente somar 180 graus.
- Realidade Física: Aquilo que percebemos através dos sentidos.
- Realidade Psíquica: Descreve a realidade de nossos pensamentos, imaginações, desejos, ideias, lembranças, dúvidas, medos, etc. Distinguem-se dois aspectos: a atividade (pensar, imaginar, especular, etc.) e o conteúdo referente a essa atividade (ex: se penso em uma montanha de ouro, o conteúdo do meu pensamento é real).
8. Estados Cognitivos (Opinião, Crença e Saber)
- Parecer (Conhecimento): Estado no qual o sujeito acredita que algo é verdadeiro, mas lhe falta segurança.
- Crença: Alguém está convencido de que o que pensa é verdade, mas não pode apresentar uma justificativa aceitável por todos. A segurança é apenas subjetiva, pois não há justificação objetiva suficiente.
- Saber (em sentido estrito): Uma opinião baseada tanto subjetiva quanto objetivamente.
9. Estados de Incerteza e Certeza
- Ignorância: Estado de espírito em que se admite a ignorância sobre o assunto.
- Dúvida: Estado em que não se pode afirmar nem negar a verdade de um juízo, porque as razões a favor e contra são semelhantes.
- Certeza Subjetiva: Estado de espírito quando se afirma a verdade de um ensaio, sem admitir qualquer possibilidade de equívoco.
10. Possibilidade e Realidade
Podemos falar da realidade em referência ao que é possível. De certa forma, o possível ainda não é real, não existe: minha futura profissão ainda não é realidade. Mas é algo que pode vir a ser, pois existem agora as condições para que seja verdade no futuro. Assim, quando dizemos que algo é possível, já está planejado ou antecipado para o desenvolvimento. É totalmente impossível um círculo quadrado; descobrir a causa do câncer um dia é uma possibilidade. Então, alguma coisa é verdadeira.