Conceitos Fundamentais de Qualidade e Gestão
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Definição de Qualidade
- Aptidão ao uso
- Produto ou serviço livre de deficiências
- Conformidade com especificações
- Perda para a sociedade, causada pelo produto, após a sua expedição
- Grau de satisfação de requisitos dados por um conjunto de características intrínsecas.
As Duas Componentes Principais da Qualidade de um Serviço
- Qualidade Técnica do Serviço: Qualidade dos resultados desejados pelos clientes ou fiabilidade do serviço
- Qualidade Funcional: Qualidade do processo a que os clientes se submetem para obterem os resultados desejados.
Vertentes da Qualidade
- Performance: medida de desempenho do produto ao nível das principais funções
- Funcionalidade do Produto: conjunto de funções secundárias que complementam a oferta do produto
- Fiabilidade: probabilidade de o produto deixar de funcionar de forma adequada num determinado período de tempo
- Conformidade: medida do nível de adequação do produto ou serviço às suas especificações
- Durabilidade: medida do tempo de vida do produto em termos técnicos ou até ao momento em que a reparação deixa de ser eficiente do ponto de vista económico.
- Serviço: inclui a rapidez, a cortesia, a competência e a facilidade em reparar o produto.
- Aparência: refere-se à estética ou apelo sensorial do produto.
- Imagem: refere-se a uma percepção subjetiva de qualidade associada à marca do produto.
Ponderações da Qualidade no Turismo
- Entender que no turismo a qualidade é percebida e não certificada.
- Entender que a percepção da qualidade de um estabelecimento turístico é medida durante todo o tempo em que o turista interage com a empresa, podendo ser através de e-mails, pesquisa no site e no atendimento presencial.
- Entender que no turismo o atendimento desempenha um momento fulcral, pois ele despertará sentimentos de qualidade, extremamente subjetivos mas vitais à empresa ou ao destino turístico que ela pertença.
- Entender que a empresa deve abrir espaço ou criar situações para buscar dados diretos do cliente com relação a ela mesma e estar preparada para ouvir a percepção do turista/cliente. A empresa que consegue *feedback* tem condições reais de sucesso nas suas estratégias.
- Entender que a empresa depende de profissionais para transformar os dados captados do turista/cliente em informações vitais para auxiliar a tomada de decisão e na elaboração da estratégia empresarial.
- E, finalmente, entender a necessidade de treino e formação constante dos colaboradores da empresas.
Pontos Básicos da Gestão da Qualidade Total (GQT)
- Foco no cliente
- Trabalho em equipa permeando toda a organização
- Decisões baseadas em fatos e dados
- Busca constante da solução de problemas e da diminuição de erros
Definição do IPQ e as Suas Principais Atribuições
O Instituto Português da Qualidade (IPQ) é a entidade nacional responsável pela coordenação, gestão geral e desenvolvimento do Sistema Português da Qualidade (SPQ), bem como de outros sistemas de qualificação no domínio regulamentar que lhes sejam conferidos por lei.
No âmbito do SPQ, o IPQ é o organismo responsável, em Portugal, pelo desenvolvimento de atividades de normalização, metrologia e qualificação e pela gestão de programas de apoio financeiro, intervindo ainda na cooperação com outros países no domínio da qualidade.
Princípios da Qualidade
- Criar na organização um propósito constante direcionado à melhoria de produtos e serviços.
- Criar um clima organizacional onde falhas e negativismo não são aceites, mas são encarados como oportunidades de melhoria.
- Terminar a dependência da inspeção em massa para garantir conformidade; desenhar produtos e processos com qualidade intrínseca.
- Terminar a prática de decidir contratos com base no preço mais baixo; em alternativa, minimizar o custo total no ciclo de vida do produto. Desenvolver relações de longo prazo com fornecedores do processo.
- Procurar a melhoria contínua do processo produtivo, melhorando a qualidade e reduzindo os custos.
- Instituir um programa de treino e formação.
- Substituir a supervisão pela liderança em todos os níveis hierárquicos.
- Eliminar razões para receios; criar um clima de confiança.
- Eliminar barreiras entre áreas funcionais na empresa.
- Eliminar *slogans* que exortam aumentos de produtividade; os verdadeiros problemas residem na estrutura do sistema e não podem ser resolvidos somente pelos trabalhadores.
- Terminar com a prática de gestão por objetivos e quotas de trabalho; a liderança efetiva substitui estas práticas.
- Eliminar barreiras que impedem os colaboradores de sentirem orgulho no seu trabalho.
- Implementar técnicas de controlo estatístico da qualidade ao nível dos operadores.
- Envolver todos os colaboradores no processo de transformação da organização.
Princípios da Gestão da Qualidade Total (GQT)
- Qualidade por Lucro: a empresa irá conseguir um aumento dos lucros através de um aumento da qualidade dos produtos, serviços, processos e pessoas. Uma melhor qualidade será traduzida no aumento das vendas, porque a satisfação do cliente provoca a sua própria aceleração de compra.
Princípios da Gestão da Qualidade Total (GQT)
- Logo à Primeira: fazer bem à primeira remete para o conceito de “zero defeitos” que visa uma lógica de obtenção de lucro e qualidade pelo facto de não ser necessário refazer trabalhos.
- O Custo da Qualidade: os custos da “não qualidade” consistem em todos os custos suportados pela organização na consecução da qualidade, incluindo os custos de prevenção, avaliação, anomalias internas e de anomalias externas. Assim, torna-se mais caro fazer mal do que trabalhar com qualidade.
- Padrões de Competição: o padrão de competição traduz-se num processo contínuo de gestão da qualidade que ajuda as empresas a avaliarem-se a si e ao trabalho desenvolvido pelos seus concorrentes; projetando um plano prático para conseguir superioridade no mercado.
- Toda a Gente Envolvida: a preocupação com a melhoria da qualidade não se deve centrar somente na parte produtiva da empresa, alargando-se à parte administrativa. Assim, todos os funcionários devem estar empenhados nessa melhoria e ter a noção de que o seu trabalho é fundamental.
- Sinergia no Trabalho de Equipa: nesta abordagem de melhoria da qualidade, o sucesso ou insucesso alcançados deixam de ser individuais, passando a ser de todos. A qualidade só poderá ser um trabalho de equipa!
- Elementos de Autogestão: é necessário que todos os colaboradores da empresa assumam uma maior responsabilidade pessoal para satisfazer as exigências dos clientes internos e externos. Com a responsabilização procura-se que os membros da organização se esforcem pela melhoria contínua.
- Gestores como Modelos: em todos os níveis, os gestores precisam de se consciencializar de que são modelos a seguir no que respeita à qualidade.
- Reconhecimento e Recompensa: os gestores devem procurar ter um comportamento positivo para reconhecer e recompensar, em vez de procurar uma ação negativa para criticar, pois o reconhecimento e a recompensa devem ser prestados em público para maximizar o seu impacto e eficácia.
Princípios da Gestão da Qualidade Total (GQT)
Processo de Entrega da Qualidade: deve existir uma preocupação de todos em entregar os produtos com qualidade, quer aos clientes internos quer aos externos.
Fatores de Sucesso da Gestão da Qualidade Total (GQT)
- Qualidade Intrínseca: é a capacidade de o produto ou serviço de cumprir o objetivo ao qual se destina.
- Custo: tem dois focos: custo para a organização do serviço prestado e o seu preço para o cliente. Portanto, não é suficiente ter o produto mais barato, mas sim ter o maior valor pelo preço justo.
- Atendimento: é uma dimensão que contém 3 parâmetros: local, prazo e qualidade, que por si só demonstram a sua importância na produção de bens e na prestação de serviços de excelência.
- Moral: dos clientes internos de uma organização (funcionários) são fatores decisivos na prestação de serviços de excelência: funcionários desmotivados, mal treinados, inconscientes da importância dos seus papéis na organização não conseguem produzir adequadamente.
- Segurança: dos clientes externos de qualquer organização, num sentido restrito, refere-se à segurança física desses clientes e, num sentido mais amplo, ao impacto do serviço prestado ou da sua provisão no meio ambiente. Hoje em dia, pode dizer-se que o foco no cliente tem primazia absoluta em todas as organizações.
- Ética: é representada pelos códigos ou regras de conduta e valores que têm de permear todas as pessoas e todos os processos de todas as organizações que pretendem sobreviver no mundo competitivo de hoje.
Características do Marketing de Relações
- Interatividade: o cliente toma quando quer a iniciativa do contacto, como recetor e emissor das comunicações.
- Personalização: todas as ações são direcionadas e personalizadas. As empresas podem e devem dirigir mensagens distintas a cada cliente.
Características do Marketing de Relações
- Memorização: todas as ações deverão ser registadas em memória contendo a identidade, os dados, as características, preferências e detalhes das interações mantidas com os clientes.
- Recetividade: as empresas devem passar a falar menos e a escutar mais. Além do mais deverão permitir que seja o cliente a decidir se quer ou não manter uma relação, a definir a forma de comunicação e se a quer manter ou alterar.
- Orientação para o Cliente: as empresas deverão centrar-se no consumidor, suas necessidades e todas as formas para que sejam satisfeitas.
- Praticar o “B2B” e o “B2C”: o marketing relacional não se deve centrar apenas no *Business to Consumer*. Deverá também apostar no *Business to Business* de forma a desenvolver e explorar todas as formas de potencialização do seu negócio.
Elementos que Compõem a Perceção da Qualidade pelo Cliente/Turista
- Confiança: na prestação do serviço, baseada na exatidão das informações. Além da “entrega” de atrações ou serviços referidos como experiências únicas, o técnico de turismo deve ter a consciência de divulgar e falar só a verdade sobre a empresa ou destino turístico.
- Capacidade de Resposta por parte da pessoa que o atende. Esta competência está relacionada com a empresa que forma os seus colaboradores e é percebida através do tempo de resposta e no quanto a informação é útil aos clientes/turistas.
- Segurança na informação fornecida. É essencial referir a fonte usada ou se a informação é opinião própria ou senso comum. O cliente/turista deve ser tratado com respeito e cordialmente, de modo que se sinta seguro relativamente às informações relacionadas com o serviço prestado.
- Empatia do atendedor. Este talvez seja o pilar mais importante na prestação do serviço em geral, pois revela a capacidade de entender a situação do cliente/turista.
Definição de ISO e Designação das Normas 9001, 9002 e 9003
A ISO é uma federação a nível mundial de organismos de normalização nacionais de cerca de 130 países, tendo sido constituída em 1947. Trata-se de uma organização não-governamental que tem como missão a promoção, a nível mundial, do desenvolvimento da normalização e de atividades relacionadas, com o objetivo de facilitar o intercâmbio internacional de bens e serviços e de desenvolver a cooperação no âmbito intelectual, científico, tecnológico e de atividade económicas.
Uma norma ISO é um documento que resulta de um acordo internacional e que contém especificações técnicas ou critérios, para serem usados como regras, linhas de orientação ou definição de características, a fim de assegurar que os materiais, produtos, processos e serviços sejam adequados ao seu objetivo.
| Norma | Designação |
|---|---|
| ISO 9001 | Sistemas da Qualidade. Modelo de garantia na conceção / desenvolvimento, produção, instalação e assistência após venda. |
| ISO 9002 | Modelo de garantia da qualidade na produção, instalação e assistência após venda. |
| ISO 9003 | Modelo de garantia da qualidade na inspeção e ensaios finais. |
Princípios da Gestão da Qualidade pela Norma ISO 9001:2000
- Princípio da Organização Focada no Cliente: as organizações dependem dos seus clientes e, portanto, deveriam entender as necessidades atuais e futuras, atender aos requisitos e esforçarem-se para exceder as expectativas dos seus clientes.
- Princípio da Liderança: Líderes estabelecem a unidade de propósitos e a direção da organização. Eles deveriam criar e manter um ambiente interno no qual as pessoas se sintam plenamente envolvidas no alcance dos objetivos da organização.
- Princípio do Envolvimento das Pessoas: Pessoas de todos os níveis é a essência de uma organização e o pleno envolvimento delas permite que suas capacidades sejam usadas para o benefício da organização.
- Princípio do Enfoque do Processo: Um resultado desejado é alcançado mais eficientemente quando as atividades e recursos relacionados são geridos como um processo.
- Princípio do Enfoque Sistemático para a Gestão: Identificar, compreender e gerir um sistema de processos inter-relacionados para um dado objetivo melhora a eficácia e a eficiência da organização.
- Princípio da Melhoria Contínua: A melhoria contínua deveria ser um objetivo permanente na organização.
- Princípio do Enfoque Factual para a Tomada de Decisão: Decisões eficazes são baseadas em análises de dados e informações.
- Princípio do Relacionamento Mutuamente Benéfico com o Fornecedor: Uma organização e os seus fornecedores são interdependentes, e um relacionamento mutuamente benéfico aumenta a capacidade de ambos criarem valor.