Conceitos Teístas, Ateísmo, Agnosticismo e Argumento Ontológico

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Religião: Conceitos Fundamentais

O Conceito Teísta de Deus

Entende-se Deus com os seguintes predicados:

  • Omnipotente (que pode fazer tudo);
  • Omnisciente (que sabe tudo);
  • Sumamente Bom (moralmente perfeito);
  • Criador e Pessoa (e não uma força da natureza);
  • Transcendente (não imanente).

Tanto o Cristianismo, como o Judaísmo ou o Islamismo defendem a existência deste Deus teísta com estes predicados, ainda que lhe deem nomes diferentes.

Esta conceção teísta de Deus distingue-se de outras conceções de Deus, tal como:

  • Deísmo (em que se defende que Deus é criador, mas que não intervém, nem se importa com a criação);
  • ou o Panteísmo (em que Deus não é distinto do mundo).

Diversidade Religiosa

  • Religiões Politeístas: Religião do Antigo Egito e da Grécia Antiga; outras.
  • Religiões Monoteístas: Judaísmo; Cristianismo; Islamismo.

Nem Todos Concordam com os Atributos de Deus: Exemplo do Paradoxo da Pedra

O paradoxo da pedra põe em causa a omnipotência:

Pode Deus criar uma pedra que ninguém consiga levantar?

Formalização do Paradoxo da Pedra:

Ou Deus pode ou não pode criar uma pedra que ninguém consiga levantar.

  • Se Deus pode criar uma pedra que ninguém consiga levantar, então ele não é omnipotente (uma vez que ele não pode levantar a pedra em questão).
  • Se Deus não pode criar uma pedra que ninguém consiga levantar, então ele não é omnipotente (uma vez que ele não pode criar a pedra em questão).

Logo, Deus não é omnipotente.

Resposta ao Paradoxo:

Podemos dizer que a premissa (3) é falsa, uma vez que criar uma pedra que ninguém consiga levantar é uma ação impossível.

Isto porque se, para qualquer mundo possível, Deus é capaz de levantar qualquer pedra que exista, então não há qualquer mundo possível que contenha uma pedra que Deus não possa levantar. Nesse sentido, criar uma tal pedra é uma ação impossível.

Teísmo

Doutrina que afirma a existência de Deus, encarando-o como:

  • uma Pessoa (a sua relação com o ser humano adquire também um carácter pessoal);
  • um Deus perfeito, sumamente bom (livre, infinito, eterno e único), omnipotente, omnisciente, omnipresente, e autoexistente (com uma existência necessária);
  • transcendente (é exterior e superior ao mundo, do qual se diferencia), criador e conservador do Universo (mas distinto e independente deste).

Aceitando a providência e a revelação, o teísta admite que Deus governa o mundo e considera possível demonstrar racionalmente a sua existência.

Ateísmo

Posição filosófica que nega a existência de Deus e, de uma forma geral, de qualquer realidade que se possa considerar de natureza divina.

O ateísmo teórico poderá servir de fundamento a atitudes e comportamentos vividos à margem de qualquer referência à esfera religiosa ou à ideia de Deus (ateísmo prático).

Agnosticismo

Posição filosófica segundo a qual não é possível ao ser humano saber se Deus existe ou não, nem aceder ao conhecimento da sua essência. A capacidade cognitiva humana está limitada ao mundo dos fenómenos (conhecimento científico); a esfera metafísica (Deus, alma, imortalidade) é vista como incognoscível.

O agnosticismo advoga a suspensão do juízo e da crença relativamente àquilo a que a razão e os sentidos não têm acesso, negando o valor das demonstrações racionais da existência de Deus.

Panteísmo

Posição filosófica segundo a qual Deus e o mundo são a mesma realidade. Deus e o mundo identificam-se, são apenas um. Esta perspetiva nega a existência de qualquer realidade transcendente, afirmando a imanência: Deus é tudo e tudo é Deus.

Notas:

No âmbito do teísmo, os conceitos de omnipotência e omnisciência referem-se, para a maioria dos filósofos, apenas ao que é logicamente possível. Deus tem o poder de fazer tudo e de saber tudo, mas isso tem de ser logicamente possível.

Os conceitos de agnosticismo e ateísmo são tomados, aqui, em sentido amplo. Numa aceção mais restrita, o ateísmo refere-se à negação da existência do Deus da conceção teísta e o agnosticismo equivale à posição de quem não afirma nem nega a existência desse Deus em concreto.

Argumento Ontológico

Defendido por Santo Anselmo e Descartes.

Parte do conceito de Deus e de premissas a priori (premissas conhecidas independentemente da experiência do mundo) para concluir que Deus existe na realidade.

Parte-se da definição de Deus como “ser maior do que o qual nada pode ser pensado”.

Ou seja:

«Aquilo maior do que o qual nada pode ser pensado» não pode existir apenas no intelecto. Se apenas existir no intelecto, pode pensar-se algo que existe na realidade, e então já seria maior. Por isso, «aquilo maior do que o qual nada pode ser pensado» existe não apenas no intelecto, mas também na realidade. Assim, se Deus é «algo maior do que o qual nada pode ser pensado», existe necessariamente.

Formulação:

  1. Deus existe no pensamento.
  2. Ora, se Deus existe no pensamento e não na realidade, então um ser mais perfeito do que Deus é concebível.
  3. Mas, não é concebível um ser mais perfeito do que Deus.
  4. Logo, Deus existe na realidade.

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