Conflito e Contraste: Filosofia Hebraica vs. Grega
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Filosofia Hebraica em Conflito com a Grega
A filosofia hebraica entrou em contato com a grega com a dispersão dos judeus, por ocasião do período do cativeiro, principalmente com a helenização, nos séculos III a.C. até o século IV d.C.
Pilares da Filosofia Hebraica
A filosofia hebraica tem alguns pilares de sustentação:
- Teocracia
- Monoteísmo
- Moral
- Socialismo (no sentido estrito da palavra, muito diferente de Karl Marx, zelava pela educação).
Os ensinos eram teocráticos, obrigatórios, a princípio pelos pais oralmente e, já no tempo de Samuel, com escolas (fundadas por Samuel, Elias e Eliseu). A higiene e o saneamento básico eram notas tônicas, assim como a mortalidade e a ressurreição. O sistema de sacrifícios expiatórios representava o Messias, Cordeiro de Deus.
Principais Diferenças
Algumas diferenças fundamentais:
- A filosofia judaico-cristã era baseada nos escritos dos profetas e apóstolos (Novo e Antigo Testamento), pela inspiração de Deus. A grega era proposta por estudos filosóficos racionais.
- Para os hebreus, Deus é uma unidade formada por 3 pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Jeová (YHWH) era um Deus singular, eterno, diferente do homem; é amor, bondade, paciente, misericordioso e impoluto. Os gregos não podiam compreender um Deus de amor que viria, assumindo a natureza humana e sofrer em lugar do homem a punição que lhe era devida.
- Deus é eterno, soberano, amoroso, perfeito, impoluto e criador de todo o universo. Os gregos eram politeístas, cujos deuses eram antropomorfos: vingativos, guerreiros, adúlteros, erráticos, casavam e tinham filhos, mentiam.
- O lógos (palavra, ação, verbo, razão) ou fisis que os gregos pré-socráticos diziam ser o motor da natureza e da vida, a origem dos seres e do mundo, divergiam entre eles: Heráclito dizia que esse lógos era o fogo; para Anaxímenes, era o ar frio; para Anaximandro, o ilimitado; para Tales de Mileto, era a água. Ainda hoje há resquícios dessas teorias: a vida se originou na água ou com o fogo. Os apóstolos João e Paulo dizem que esse Logos Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis é Cristo, o Deus encarnado que veio como Luz aos homens, para que eles conheçam o amor de Deus. Isso foi profetizado por Moisés (pelo Salmista, Isaías).
- Platão ensinou que a alma se origina no mundo de Deus (Zeus), perfeita, com todos os conhecimentos, verdadeira, moral, e se encarna em um corpo humano mortal, que serve de cadeia à alma neste mundo de trevas. Aqui ela se degenera, esquece suas virtudes inatas, os conhecimentos científicos. É através da reflexão que readquire tais virtudes. Quando isto acontece, ao morrer o corpo, a alma, que é imortal, volta ao mundo da luz. Caso contrário, volta para lá a fim de aprender e reencarnar — isto tantas vezes quanto necessário. A influência de sua filosofia é evidente nas reflexões dos monges budistas, dos monges anacoretas, na teologia de Agostinho (A Cidade de Deus e A Cidade dos Homens) e da Escolástica, nas doutrinas da Igreja Católica e protestantes, sobre a alma imortal — que ao morrer vai para o céu, se foi virtuosa, caso contrário para o inferno, ou mesmo para o purgatório quando tem pecados a purgar, para o limbo caso seja uma criança. Nestes lugares intermediários, aguardam pelas orações dos vivos até que sejam aptas para seu ingresso no céu. Também no espiritismo é muito clara essa influência da reencarnação.
Contraste com a Teologia Bíblica
Isso contraria a filosofia e teologia bíblica. Na Bíblia não há essa dicotomia entre a alma e o corpo, carne e espírito, que se separam na morte. Estes são inseparáveis, indivisíveis da mesma pessoa, que ao morrer deixa de existir e, por ocasião da volta de Jesus Cristo, será ressuscitada. Enquanto a filosofia platônica é dualística, a bíblica é holística. Nos últimos 50 anos, os eruditos têm migrado para o ensino bíblico, abandonando o grego.
A Busca pela Verdade Absoluta
É interessante notar que a filosofia grega afirma que não há e nem se pode obter uma verdade absoluta. O que Platão dizia foi contradito por outros, como no empirismo de John Locke e outros filósofos. O Niilismo de filósofos como Wagner, Schopenhauer, Bakunin, Camus é uma derrota em si mesmo e tem levado tais filósofos, sem perspectiva de vida e sem objetivo, à loucura e ao suicídio. A Filosofia, embora tenha bons ensinamentos éticos, não tem transformado o caráter do filósofo, nem lhe dado esperança de salvação e vida eterna, mesmo porque é contrária à Palavra de Deus.
Conclusão
Já a filosofia hebraica, exarada na Bíblia, transforma o caráter à semelhança do de Jesus: “Aprendi de Mim... Eu sou a verdade...” e nos dá a esperança de vida eterna por meio de Jesus Cristo. A filosofia bíblica é inspirada, orientada por Deus, enquanto a grega é humana. Esta não tem a verdade absoluta, está sempre procurando. Os cristãos creem que Jesus é a verdade absoluta e quem tem a Jesus tem a vida e a verdade absoluta.