Crise e Mudança na Espanha (1933-1935)

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Crise do Governo

Foi motivada por várias circunstâncias:

A. - Crise Econômica: Esta fase coincidiu com o pior da crise global que começou em 1929 e agravou os problemas tradicionais da nossa economia, decorrentes do desemprego, baixa produtividade, distribuição desigual de terras e investimentos. Diminuiu a desconfiança sobre as reformas. Por outro lado, a diminuição da despesa pública levou à redução do investimento e à diminuição dos subsídios dados com a intenção de aliviar o fardo da dívida herdada da ditadura.

B. - Turbulência Social: As reformas iniciadas pela República eram muito lentas e causaram descontentamento entre os trabalhadores. Os partidos de esquerda e os sindicatos revolucionários radicalizaram as suas posições. O Partido Comunista foi ganhando força. A CNT, apoiada por alguns setores da UGT e da Federação da Terra, incentivou a agitação laboral. Aumentaram as greves, rebeliões e ocupações de terras na Andaluzia, Extremadura e Castela-a-Nova, onde havia muitas fazendas. Os anarquistas provocaram tumultos em vários locais, que consistiam em abolir todo o poder, queimar os registos de propriedade e coletivizar a terra, e declararam o comunismo libertário. A repressão subsequente costumava ser muito violenta, como em Castilblanco e Casas Viejas (morte de 12 agricultores). Esses fatos desgastaram e desacreditaram o governo, pois foram explorados por grupos de direita.

C. - Reorganização dos Direitos: Opuseram-se às reformas que foram realizadas pelo governo de coalizão e aos contínuos ataques à Igreja pelo governo. O centro-direita organizou-se em torno do Partido Radical de Lerroux. A ala direita era forte em torno da CEDA de Gil Robles. Outros partidos como a Renovação Espanhola (Calvo Sotelo), a Comunhão Tradicionalista (carlistas) e os fascistas da Falange e das JONS ajudaram a aumentar o clima de tensão e antimarxismo da direita.

Os setores conservadores do exército, liderados pelo general Sanjurjo, tentaram um golpe em 1932, mas falharam. Esta seção do exército foi organizada na UME (União Militar Espanhola).

O Biénio de Direita (1933-1935)

Após a crise do governo republicano-socialista, realizaram-se eleições gerais em 18 de novembro de 1933, as primeiras em que as mulheres votaram.

Uma direita organizada e unida depôs a esquerda, que se fragmentou. A CEDA de Gil Robles e o Partido Radical de Lerroux (centro-direita) obtiveram as maiores votações, o que deu início a dois anos do biénio conservador.

O Presidente da República, Alcalá Zamora, confiou a formação do governo ao Partido Radical, que teve o apoio parlamentar da CEDA, após o pacto para a cessação imediata das medidas de reforma adotadas pelo governo anterior.

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