A Crise do Século XVII na Espanha: Política e Sociedade

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O Governo e os Conflitos Internos

O governo foi caracterizado pela figura do favorito, uma pessoa de confiança a quem o rei delegava a ação governamental. Fatores como o desinteresse real nos assuntos de Estado, a complexidade administrativa e a racionalização das decisões levaram à substituição dos conselhos tradicionais. Os favoritos, pertencentes à nobreza, tornaram-se o verdadeiro poder, atuando como mediadores entre o rei e seus súditos.

Conflitos Internos (1598-1665)

Durante o reinado de Filipe III (1598-1621), a direção política esteve nas mãos do Duque de Lerma. A corrupção atingiu níveis intoleráveis em um contexto de crise econômica e dívida estatal, resultando em duas falências (1607 e 1609). Sob Filipe IV, o Conde-Duque de Olivares implementou um programa de reformas econômicas e políticas, incluindo:

  • Redução de cortesãos e cargos públicos;
  • Proteção ao artesanato e ao comércio;
  • Abolição dos "milhões" e criação de tesourarias;
  • Incentivo ao aumento populacional e proibição da migração;
  • União de Armas: sistema de quotas onde cada território contribuía com tropas e recursos proporcionais à sua população e desenvolvimento econômico.

A Crise de 1640

As reformas de Olivares provocaram reações severas:

  • Catalunha: O conflito entre França e Espanha transformou a região em frente militar. Em 7 de junho de 1640, o Corpus de Sangue iniciou uma revolta geral, levando a Catalunha a buscar proteção na França como uma república.
  • Portugal: A revolta teve caráter nacional, motivada pela União de Armas e novos impostos. Em 1640, o Duque de Bragança foi aclamado como João IV, novo rei de Portugal, com apoio inglês e francês.
  • Aragão e Andaluzia: Também registraram revoltas nobiliárquicas.

Política Externa: O Declínio dos Habsburgos

Os objetivos principais eram a defesa do patrimônio, a proteção do catolicismo e o monopólio comercial. A política externa foi prejudicada pela falta de recursos, carga tributária excessiva e o surgimento de potências rivais (Inglaterra, França, Províncias Unidas e Portugal).

  • Filipe III (1598-1621): Adotou uma postura pacifista, assinando tratados com França e Inglaterra, além da Trégua dos Doze Anos (1609) com os Países Baixos.
  • Filipe IV (1621-1665): Participou da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Após derrotas sucessivas, o Tratado de Westfália (1648) pôs fim à hegemonia dos Habsburgos na Europa.

Economia e Sociedade no Século XVII

O século XVII foi um período de profunda crise:

  • Economia: Declínio agrícola, recessão no setor têxtil, comércio interno estagnado e desequilíbrio no comércio exterior. A coroa enfrentou falências sucessivas.
  • Demografia: Crise causada pela emigração para as Índias, epidemias e a expulsão dos mouros (300.000 agricultores).
  • Sociedade: Estrutura estamental com crescimento dos grupos privilegiados. A nobreza tornou-se urbana, vivendo de rendas e cargos. O clero mantinha isenção fiscal. O terceiro estado, composto majoritariamente por agricultores, suportava a carga tributária, enquanto a burguesia buscava títulos e terras. O número de pobres e mendigos aumentou significativamente.

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