Crítica à Economia Marginalista e Capitalismo
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Admite-se também que o empregador pode escolher contratar ou não contratar. Fora dessa análise fica o fato principal que caracteriza as relações de produção na sociedade capitalista: os capitalistas são proprietários dos meios de produção, enquanto que os trabalhadores assalariados não possuem meios de produção. Daqui vem a crítica de que esta teoria é incapaz de compreender os mecanismos de funcionamento das sociedades capitalistas, pois alguns, por serem proprietários, podem viver sem trabalhar, e outros, por não serem proprietários, têm que trabalhar para viver. Também esquecem os conflitos de classes existentes. Por trás do contrato de trabalho está o fato de que existe a necessidade de contratar. Os conflitos entre classes existentes provam que as trocas entre trabalhadores assalariados e empregadores capitalistas são desiguais.
6 - O Poder Ignorado pela Economia Marginal
Na medida em que pressupõe o funcionamento da economia nas condições de concorrência perfeita, a economia marginal ignora o poder de mercado. Também fica fora da análise econômica todas as outras formas de poder, bem como as estruturas de poder e as relações de poder que caracterizam a economia e a sociedade capitalista. O poder começou a ser esquecido como objeto de análise econômica com as primeiras representações matemáticas introduzidas, e acabou por ser banido dessa ciência econômica, pois esta identificava as relações, não como relações de poder, mas como relações de trocas, de livre escolha. Atualmente, as relações econômicas tendem cada vez mais a se configurarem como relações de poder. A tese marginal coloca-se numa posição que vai contra todas as outras ciências e contra a situação de poder atualmente existente.
- Capitalismo: Racionalidade e Limitações da Ciência Econômica
O capitalismo é o único sistema racional possível. Substituir o capitalismo por um outro sistema equivaleria a renunciar à racionalidade econômica. Sendo assim, o capitalismo surge como o fim da história. O fato do capitalismo ter gerado um desenvolvimento das forças produtivas muito superior ao registrado durante o feudalismo é insuscetível de qualquer juízo econômico. Não há lugar para qualquer juízo comparativo sobre a eficiência dos dois sistemas e sobre o significado econômico da passagem de um a outro. Esta é uma limitação importante imposta à ciência econômica pelas concepções que aceitam os princípios marginalistas. Pois ninguém pode deixar de analisar as consequências econômicas provocadas pela mudança da ordem social. Dessa forma o mercado, na verdade, é uma representação da sociedade atual, é o resultado das transformações, e as comparações irão sempre existir entre as diferentes formas de economias, seja capitalista, socialista ou feudal, irão sempre existir.
Sobre as Ideias Sociais e Econômicas Neoliberais e Neoclássicas
Caracterização de Igualdade/Desigualdade, Individualismo/Instituições Sociais, Democracia/Justiça Social
IGUALDADE/DESIGUALDADE
Aqui fica clara a diferença entre o velho liberalismo e o neoliberalismo.
- Velho Liberalismo: Guiado pelas ideias da lei natural, exigia para todos a igualdade nos direitos políticos e civis, porque pressupunham serem iguais todos os homens. Para eles, todas as diferenças existentes entre os homens são apenas artificiais, produto das instituições sociais e humanas.
- Neoliberalismo: Os homens são totalmente desiguais. Mesmo entre irmãos existem diferenças físicas e mentais. Cada indivíduo é único. Os homens não nascem iguais, nem tendem à igualdade. Logo, qualquer tentativa de suprimir a desigualdade é um ataque irracional à própria natureza das coisas. Qualquer tentativa de justiça social torna-se inócua, por que novas desigualdades fatalmente ressurgirão. Ao tentar-se garantir a igualdade de todos perante a lei, de modo inconsciente faz-se surgir o privilégio que favorece alguns indivíduos, ou grupo, ou classe. Logo, consequentemente, surge a desigualdade. A desigualdade é um estimulante que faz com que...