A Crítica de Leamer à Globalização: O Mundo Não é Plano

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Leamer:

1- A crítica de Leamer baseia-se na obra de Thomas Friedman "The World is Flat", na qual este afirma que as barreiras económicas no mundo deixaram de existir, como sugere o título, o mundo é plano sem qualquer tipo de obstáculo, encurtando as relações económicas entre as sociedades.

2- Leamer critica esta visão dizendo que, de facto, a globalização veio alterar a natureza das barreiras, porém, estas continuam a existir. São diferentes ou até menores, mas existem. De facto, Leamer constata que a geografia económica continua a fazer sentido, principalmente no que diz respeito às distâncias físicas.

3- Segundo o autor, a globalização trouxe a aceleração do tempo devido à deterioração de certas barreiras económicas, mas isto não quer dizer que a distância, no seu sentido económico, deixou de ter qualquer sentido. Por exemplo, uma crítica que se pode fazer a Friedman, mas também a Ohmae, diz respeito ao facto de os principais parceiros económicos de Portugal continuarem a ser Espanha e França (proximidade). Ou seja, é mais fácil estabelecer relações económicas com vizinhos do que com sociedades mais distantes, dado os custos de transporte serem menores. Para Leamer, a importância da distância é demonstrada pelo facto da intensidade do comércio entre dois países diminuir com o aumento da distância. Ou seja, quanto mais longe, menor o comércio entre os dois, visto que o comércio reduz 90% por cada duplicação da distância (modelo gravitacional).

4- Bens transacionáveis: podem ser exportados ou importados / Bens não transacionáveis: pelas características que apresentam, não podem ser exportados ou importados (ex: Imóvel). Isto para explicar que, do ponto de vista económico, existem transações que não fazem sentido economicamente (ex: barbeiro), isto apesar de ser um bem transacionável. Porém, também é óbvio que a fronteira entre bens transacionáveis e não transacionáveis não é fixa, visto que é alterada com inovações tecnológicas, que permitem que exista cada vez mais bens transacionáveis.

Leamer afirma também, ao contrário de Ohmae e Friedman, que nem todas as partes da economia estão expostas à concorrência internacional.

5- O que Leamer está a querer dizer é que as barreiras persistem e, portanto, não há um mundo plano. A globalização trouxe sim o esbatimento ou o mitigar de algumas dessas barreiras com a aceleração do tempo.

6- Outro ponto em que podemos contrapor Leamer a Friedman é que este último diz que a teoria das vantagens comparativas de David Ricardo e Adam Smith está desatualizada, visto que, se não existem barreiras, ocorrerá uma dispersão total da produção pelo mundo. Porém, como acabamos de ver, estas barreiras, embora um pouco diferentes, ainda subsistem, o que leva Leamer a afirmar que hoje procuram-se economias de escala (redução do custo médio de produção à medida que a quantidade produzida aumenta) e que, portanto, continuará a existir concentração da produção numa sociedade (ex: filmes de Hollywood), porque conseguem produzir produtos de elevado valor acrescentado com custos de produção muito mais reduzidos. O contrário, diz Leamer, seria assumir que as vantagens comparativas dos países seriam iguais.

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