Crítica Marxista da Economia Política Clássica
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A economia política clássica é uma ciência positiva que se preocupa em estudar o funcionamento dos mercados na produção de capital, mas que criticou a situação do trabalho alienado do proletariado. Ela estuda as leis econômicas como se fossem leis naturais. Na realidade, as leis econômicas são históricas; o modo de produção capitalista originou-se e terá um fim. Marx coloca o homem em relação à produção de capital. As crises periódicas do sistema capitalista são a prova da contradição entre a lógica da produção e as relações de produção, o que culminará no fim do sistema.
A primeira coisa a notar é que o trabalho é a base do valor. Todos os bens produzidos possuem um valor social, assumindo formas para o mercado de câmbio (valor de troca) e valor de uso. As mercadorias são trocadas por dinheiro. O que dá valor a uma mercadoria é o custo de produção do trabalho necessário para desenvolvê-la, ao qual o mercado se ajusta. Também se leva em conta o valor de uso. A troca de mercadorias é uma troca da força de trabalho necessária para produzi-las, regulada pelos preços.
Tipos de Trabalho
O trabalho é medido pelo tempo necessário para produzir uma mercadoria. Podemos distinguir cinco tipos de trabalho:
- Energia humana abstrata: gasta na produção de um bem.
- Trabalho concreto: a aplicação específica da energia.
- Trabalho simples: aquele que não exige uma preparação especial.
- Trabalho complexo: aquele que exige preparação e qualificação.
- Trabalho socialmente necessário: o tempo médio necessário para produzir uma mercadoria em uma sociedade, dependendo da tecnologia, dos costumes e das qualidades dos trabalhadores. É calculado dividindo o tempo total gasto por vários produtores pelo número de unidades produzidas.
Forma de Valor e Dinheiro
A própria natureza dos bens levou à necessidade de uma forma geral de valor. O valor de uma mercadoria é a quantidade de trabalho simples necessária para produzi-la. Marx distingue três formas de valor:
- Forma simples: um bem mede seu valor em relação a outro bem pelo qual pode ser trocado (ex: um litro de leite por um quilo de maçãs).
- Forma total ou desenvolvida: um bem mede seu valor em relação ao resto dos bens. Traduz-se uma mercadoria em muitas outras (ex: um litro de leite equivale a meio quilo de maçãs ou dois pães).
- Forma geral de valor: todos os bens estão em uma forma única de equivalente. No capitalismo, o dinheiro satisfaz esse papel.
Fetichismo
O fetichismo é o poder exercido pelos bens ou pelo dinheiro sobre os homens. O fetichismo do dinheiro ocorre quando o compromisso do dinheiro é apenas gerar mais dinheiro. O fetichismo desaparece ao se corrigirem as relações de produção e o trabalho alienado sofrido pelos trabalhadores. Marx não é contra o dinheiro; o problema surge quando o dinheiro se torna capital, tornando-se um fim em si mesmo em vez de um meio.
A Produção da Mais-valia
Para o capitalista, a troca começa com um investimento de dinheiro para comprar produtos que gerem mais dinheiro; esse aumento é a mais-valia (ou goodwill, no sentido de ganho). A força de trabalho é a única capaz de produzir riqueza.
- Origem da mais-valia: determinada pelos meios de produção, formação, manutenção da família e nível cultural.
- Tempo de trabalho necessário: tempo em que o trabalhador produz o valor de sua própria força de trabalho.
- Tempo de trabalho adicional: tempo em que o trabalhador cria valor acrescentado para o capitalista.
A Taxa de Mais-valia ou Exploração
O capital divide-se em:
- Capital constante: parte que se transforma em meios de produção (matérias-primas, maquinário) e não muda de valor no processo.
- Capital variável: capital transformado em trabalho, que cria a mais-valia.
O grau de exploração é medido pela taxa de mais-valia (relação entre trabalho adicional e capital variável). O ganho pode ser aumentado por:
- Mais-valia absoluta: extensão da jornada de trabalho.
- Mais-valia relativa: aceleração do ritmo de trabalho e redução do tempo necessário através da tecnologia.
Salários e Capitalismo
Os capitalistas acreditam que o salário paga por todo o trabalho realizado, mas Marx argumenta que o salário disfarça a exploração. O salário é determinado pelo valor da força de trabalho e pela oscilação da oferta e procura. A emancipação da classe trabalhadora só ocorreria com a destruição do sistema capitalista.
As Leis do Fim do Capitalismo
Marx aponta leis que levariam ao colapso do sistema:
- Lei da tendência decrescente da taxa de lucro: a concorrência obriga o investimento em máquinas (capital constante), reduzindo a proporção de trabalho humano (capital variável), que é a única fonte de mais-valia.
- Lei da crescente proletarização: o progresso tecnológico gera desemprego e concentra a riqueza em poucas empresas poderosas, aumentando o número de proletários e diminuindo o número de capitalistas.
Marx esperava que a crise final fortalecesse o proletariado para a revolução, iniciando um período de transição: a ditadura do proletariado, onde o Estado assume os meios de produção.