Cultivo de Arroz Irrigado: Manejo, Doenças e Produtividade
Classificado em Biologia
Escrito em em
português com um tamanho de 7,39 KB
Toxidez de Ferro no Arroz
Toxidez Direta: ocorre quando o Fe+2 chega até a rizosfera, é absorvido pela planta, translocado até a parte aérea e se acumula em níveis tóxicos. Toxidez indireta: neste caso, o Fe+2 chega até a rizosfera, onde há oxigênio. O ferro pode se reoxidar e passar para a forma de Fe+3 novamente e, ao se reoxidar, precipita sob a superfície das raízes, formando uma crosta de óxidos férricos sobre a rizosfera, que dificulta a absorção de Nitrogênio (N) e outros nutrientes pela planta, gerando uma consequência indireta.
Manejo em Santa Catarina (SC)
Em Santa Catarina, utiliza-se o sistema pré-germinado, onde já há água desde o preparo do solo. Como a área fica mais tempo com água, o ambiente torna-se mais favorável para a ocorrência da redução do ferro. A sistematização em nível dos quadros exige cortes e aterros; nessas áreas, o arroz pode ser plantado em horizontes subsuperficiais. No arroz inundado, a rotação de cultura é mais difícil, agravando o problema. As medidas recomendadas incluem: escolha da cultivar, aplicação de calcário, realização de drenagem temporária, uso de fertilizantes com fósforo solúvel e monitoramento da lâmina de água.
Eficiência Agronômica do Nitrogênio (EAN)
a) A Eficiência Agronômica do uso do Nitrogênio (EAN) correlaciona a quantidade de adubo nitrogenado utilizado e o incremento na produção de grãos obtida com essa prática.
b) Fatores que interferem:
- Cultivar;
- Disponibilidade de radiação solar;
- Manejo da lâmina de água;
- Fonte de fertilizante nitrogenado;
- Época de aplicação.
Cultivares e Tecnologia
a) Clearfield: São cultivares modificadas geneticamente com um gene resistente a herbicidas inibidores de ALS (Imazetapyr, Imazapir), o que permite o controle seletivo do arroz daninho.
b) Adaptação: As empresas desenvolveram esses materiais originalmente para cultivo em solo seco e posterior inundação. Quem trabalha com arroz pré-germinado em SC é a EPAGRI, que foca em variedades e não em híbridos. Quando se utilizam híbridos em sistema pré-germinado, muitos acabam acamando, pois a água permanente dificulta o desenvolvimento radicular.
c) Consumo: Grande parte do milho e da soja é utilizada indiretamente na alimentação humana, ao contrário do arroz, cujo grão é consumido diretamente. Ainda hoje existem dúvidas e inseguranças quanto ao consumo de transgênicos.
Perfil dos Produtores e Processamento
a) Localização: Rio Grande do Sul (RS) e Santa Catarina (SC).
b) Estrutura: Em SC predominam pequenos produtores (menos de 20 ha), enquanto no RS encontram-se grandes produtores (acima de 150 ha).
c) Sistema: SC utiliza o sistema pré-germinado e o RS utiliza solo seco (lâmina de água colocada após o plantio).
d) Tipos de Arroz:
- RS (Arroz Branco): É descascado e polido diretamente, sem processo hidrotérmico prévio.
- SC (Arroz Parboilizado): Sofre encharcamento, gelatinização do amido e secagem ainda com casca antes do beneficiamento (processo hidrotérmico).
Manejo da Brusone
a) Sintomas: Na folha, apresenta mancha elíptica acinzentada; no colmo, ocorre escurecimento e apodrecimento do último nó.
b) Prevenção: Incorporar a palha rapidamente na entressafra, evitar excesso de nitrogênio, nivelar os quadros e evitar semeadura tardia.
c) Fatores de Risco: Condições ambientais favoráveis (dias nublados, alta umidade relativa), histórico da área, semeadura tardia, alta expectativa de produtividade e cultivares sensíveis.
d) Aplicação de Fungicida: A primeira em R2 (emborrachamento) e a segunda 10 dias após, em R4 (início do enchimento de grãos/fim da floração).
Fisiologia: O Perfilhamento
A planta de arroz produz perfilhos primários (gemas dos primeiros nós do colmo principal), secundários (gemas dos nós basais do perfilho primário) e terciários (gemas dos nós basais dos secundários).
Fatores que influenciam o perfilhamento:
- Sistema de cultivo: O arroz irrigado perfilha mais que o de sequeiro; o transplantado perfilha mais que o semeado devido à menor densidade.
- Cultivares: Plantas modernas e de ciclo longo apresentam maior perfilhamento.
- Fertilidade: A alta disponibilidade de Nitrogênio (N) favorece a emissão de perfilhos.
- Lâmina de água: Se superior a 10 cm, restringe o perfilhamento pela menor temperatura.
- Época de semeadura: Plantios muito precoces (final do inverno) limitam o perfilhamento pelo frio. Plantios tardios aceleram o desenvolvimento, também diminuindo o perfilhamento.
Aprofundamento na EAN e Manejo de Água
A Eficiência Agronômica do uso do Nitrogênio (EAN) é otimizada por:
- Cultivar: Variedades modernas não acamam e emitem mais perfilhos.
- Radiação Solar: Essencial a partir da Diferenciação do Primórdio Floral (DPF) para a fotossíntese.
- Manejo da Água: Fundamental para evitar perdas por volatilização. Deve-se manter a lâmina após a adubação para evitar a nitrificação e posterior desnitrificação.
- Fonte de N: Evitar nitratos (perda por volatilização). Utilizar Amoniacais (ureia, sulfato de amônio) ou Nítrica (nitrato de amônio).
- Época: Aplicar no início do perfilhamento e entre os estádios de DPF e grão de algodão.
Vantagens e Desvantagens do Sistema Pré-germinado
As vantagens estão ligadas à sistematização em nível: menor vazão para manutenção da lâmina, menores perdas de nutrientes por lixiviação, antecipação da neutralização do pH e controle eficiente de plantas daninhas não aquáticas. As desvantagens incluem: alto custo de implantação (movimentação de terra), riscos de acamamento, toxidez indireta por ferro, dificuldade de rotação com culturas de sequeiro e favorecimento de plantas daninhas aquáticas.
Resistência de Plantas Daninhas e Evolução da Produtividade
A resistência a herbicidas cresceu devido à falta de rotação de culturas e ao uso exclusivo de controle químico com o mesmo mecanismo de ação. Para mitigar isso, recomenda-se a rotação de herbicidas, de culturas e de sistemas de plantio.
Evolução Histórica: A produtividade no RS saltou de 3,5 para 8,5 t/ha devido a:
- Preparo do Solo: Plantio direto e cultivo mínimo.
- Qualidade da Semente: Uso de sementes certificadas livres de inóculos.
- Cultivares: Variedades modernas que maximizam a produção e acamam menos.
- Fertilização: Aumento do uso de fertilizantes e melhoria na EAN.
- Herbicidas: Substituição de residuais por pós-emergentes, otimizando o início da irrigação.