Custo Padrão: Definição, Análise de Variações e Controle Gerencial

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O Método do Custo Padrão

O método do custo padrão tem como função principal fornecer suporte para o controle de custos da empresa, proporcionando um padrão de comportamento para os custos.

“O custo padrão é a determinação antecipada dos componentes do produto, em quantidade e valor, apoiada na utilização de dados de várias fontes, com validade para determinado espaço de tempo” (Dutra, 1992, p. [XX]).

Para a mão de obra, consideram-se o tempo de execução de cada etapa, o período médio de tempo improdutivo, a taxa horária de cada componente da equipe, as alterações salariais, etc.

Objetivo e Reconhecimento do Custo Padrão

Diante dos conceitos, há unanimidade em reconhecer o Custo Padrão como uma medida de eficiência, pois, quando colocado em comparação com os custos reais, ele fornece oportunidade de controle e avaliação de desempenho no sentido de buscar o curso esperado, através das análises das variações identificadas.

Os desvios resultantes dessa comparação constituem a discrepância do objetivo do custeio. Após sua identificação, devem ser investigados e as medidas corretivas acionadas, bem como acompanhadas até que seus efeitos sejam plenamente alcançados.

Em resumo, conforme Leone (1997), “o objetivo principal do custo-padrão é estabelecer uma medida planejada que será usada para compará-los com os custos reais ou históricos (aqueles que aconteceram e foram registrados pela Contabilidade) com a finalidade de revelar desvios que serão analisados e corrigidos, mantendo, assim, o desempenho operacional dentro dos rumos previamente estabelecidos”.

Implementação e Fixação do Padrão

Responsabilidade e Implantação Gradual

Os responsáveis pela implementação de padrões na empresa são os próprios donos, mas para funcionar e usá-los, são todos os funcionários. Seu sucesso dependerá do grau de seriedade que a empresa der à localização e saneamento das diferenças encontradas entre o padrão e o real, por ocasião de suas comparações.

Segundo Martins (1995, p. 336), recomenda-se que sua implantação não seja imposta à empresa totalmente, mas sim a certos produtos, departamentos ou para certos tipos de custos, pois deve ser instalado onde se julgue necessário. Recomenda ainda que seja observado o aspecto dinâmico quanto à sua implantação, ou seja, para melhor sucesso do próprio sistema, a implantação (na maioria dos casos) deve ser gradual e ampliada.

Vantagens e Desvantagens na Fixação do Padrão

A fixação do padrão deve ser feita com cautela, pois o conceito utilizado impacta diretamente o desempenho da equipe:

  • Pontos Positivos: Se o padrão for fixado considerando-se metas difíceis, mas não impossíveis de serem alcançadas, acabará por funcionar como alvos e desafio para todo o pessoal, com mais ênfase ainda se tiver sido firmado com a participação dos responsáveis pela produção.
  • Pontos Negativos: Se o padrão for fixado com base num conceito ideal, cada funcionário já saberá de antemão que o valor é inatingível. Todo e qualquer esforço jamais culminará na satisfação máxima do objetivo alcançado, podendo haver a criação de um espírito psicológico individual e coletivo amplamente desfavorável.

Cálculo do Padrão e Condições Normais de Eficiência

Os cálculos relativos a tempo de fabricação (de homem ou máquinas) seriam com base em estudo minucioso de tempos e movimentos, com experiências, usando o operário mais habilitado, sem se considerar sua produtividade oscilante durante o dia, mas aquela medida num intervalo de tempo observado no teste feito.

Portanto, o padrão deveria ser estabelecido dentro de condições normais de eficiência em relação ao uso dos recursos, pois as perdas, os desvios, os tempos desperdiçados, o uso ineficiente de máquinas e ferramentas e a não utilização da capacidade produtiva normal podem ser controlados. Ou seja, os fenômenos comuns devem permanecer dentro de limites considerados normais, em um nível de significância que possa garantir a continuidade da empresa.

Para os seus cálculos, levam-se em conta as deficiências sabidamente existentes em termos de qualidade de materiais, mão de obra, equipamentos, fornecimentos de energia, água, etc. Consiste no custo que normalmente a empresa deverá obter e parte da hipótese de que a média do passado é um número válido, introduzindo apenas algumas modificações esperadas, tais como: volume de atividades, mudanças de equipamentos, etc.

Análise de Variações (Desvios)

A análise de custo padrão é necessária devido às variações dos parâmetros pré-estabelecidos. Devido a essas variações, é necessário haver uma base quantitativa para se mensurar o evento (custo-padrão), a fim de permitir uma análise qualitativa dos desvios a partir da variação, requerendo assim a utilização de modelos matemáticos e estatísticos para o estudo do significado das variações e seus efeitos no resultado desejado.

Compreende-se como variação qualquer afastamento de uma variável em relação a um parâmetro pré-estabelecido.

Composição do Padrão e Tipos de Desvios

Fixado o padrão e posto em prática, sua composição final abrangerá matéria-prima, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação, e cuja realização trará desvios em três aspectos significativos:

  • Variação de Preço (Mercado)

    O mercado é o responsável por tais variações. O critério de reduzi-las ao mínimo é através de estudo econômico baseado no conceito de preço de mercado na forma em que se encontra a indústria em questão (monopólio, oligopólio, concorrência).

  • Variação de Quantidade (Técnica/Eficiência)

    São variações de natureza técnica, e a melhor forma de controle é aquela realizada concomitante ao processo de fabricação. Sua eliminação se torna relativamente fácil, salvo casos de matérias-primas deficientes qualitativamente ou mão de obra despreparada.

  • Variação Mista

    Neste caso, ocorre o efeito das variações de preço na variação de quantidades, e seu isolamento deve ser realizado, dada sua importância nas análises.

A variação é um instrumento que permite verificar os resultados de algumas experiências geradas no processo produtivo por técnicas inovadoras ou em casos de escassez de um determinado insumo sem alteração básica no produto.

Custo Real e Contabilidade por Responsabilidade

O custo real tem validade no sentido em que, após a análise de suas variações, em cima de um custo-padrão, identificam-se as causas do porquê das variações, e através delas, permite-se corrigir os rumos atuais. Por ocasião da comparação entre o Custo Padrão e o custo real, fica evidente que quando existem grandes variações, acende-se uma “luz vermelha” alertando os responsáveis pelo controle desses objetos de custeio.

Diante desse cenário, existe uma contradição entre a acumulação tradicional de custos em centros de custos e suas consequentes variações entre previsões (padrões) e realizações, e a necessidade de se atribuírem responsabilidades a nível de pessoa pelo desempenho.

Observa-se que a depreciação pelo método da linha reta é incontrolável por qualquer setor ou função da empresa, pois seu volume independe da decisão de qualquer pessoa, estando associada ao uso de uma mera fórmula. Sob o ponto de vista de contabilidade por responsabilidade pura, somente deveriam ser reportados como responsabilidade de um setor os custos controláveis pelo responsável do setor, excluindo-se os não controláveis, que seriam alocados como responsabilidade de mais alguém dentro da entidade.

Análise Custo/Benefício na Investigação de Desvios

Uma vez que uma variação foi determinada, o questionamento principal é se a causa da variação deveria ser investigada, de forma que as ações corretivas pudessem ser ativadas em decorrência de investigar ou não a variação.

A análise custo/benefício compara o custo de investigar uma variação e corrigir o processo (se uma variação em relação ao padrão ocorreu) com a perda que aconteceria se houvesse a divergência e nenhuma ação corretiva fosse realizada.

Para que se possa exercer o controle, para que se saiba o grau de eficiência ou ineficiência que se está produzindo, não basta, pois, conhecer a variação do quanto custou aquilo que estava previsto.

A Economia da Informação é essa medida criteriosa para determinar se a variação é suficientemente importante para ser investigada, evitando, portanto, decisões que possibilitem um gasto maior para se investigar uma variação e corrigir o processo do que o resultado auferido em decorrência da decisão de investigar e corrigir.

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