David Hume e o Empirismo na Filosofia Moderna

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Nascido em 1711 em Edimburgo, David Hume foi um expoente do empirismo, movimento filosófico que dominou o pensamento britânico nos séculos XVII e XVIII. Esta corrente contrapunha-se ao racionalismo, embora ambos compartilhassem um objetivo comum: proporcionar à filosofia um método que lhe permitisse alcançar o mesmo sucesso que a ciência da época obteve, incentivada pelas recentes descobertas de Isaac Newton.

A Inglaterra onde o empirismo se desenvolveu foi marcada por disputas entre os partidários do Parlamento e os defensores da monarquia absoluta. A burguesia era a favor de que o Parlamento diminuísse a diferença em relação à nobreza, que ainda mantinha seus privilégios medievais. Este confronto tornou-se uma Guerra Civil e terminou com a execução do rei Carlos I e a proclamação da República. Depois de vários anos, o sistema foi dissolvido para dar lugar novamente a uma monarquia absoluta, que mais tarde foi substituída por uma monarquia constitucional e parlamentar, liderada por Guilherme de Orange, no episódio conhecido como a Revolução Gloriosa de 1688. Esta nova monarquia levou a Inglaterra a se tornar uma potência mundial. Enquanto isso, espalhava-se por toda a Europa o movimento do Iluminismo, uma corrente intelectual herdada do humanismo renascentista que estabeleceu a base ideológica para as várias revoluções que ocorreram ao longo deste século e além.

Para os empiristas, a revolução científica realizada por Kepler, Copérnico e Galileu foi muito importante. Os racionalistas focavam na importância da busca por um método preciso para a razão, pois acreditavam ser indispensável encontrar ideias inatas; já os empiristas foram influenciados pelo desenvolvimento da física, defendendo que a mente humana, ao nascer, não contém nada em si mesma.

A filosofia empirista defendia a ideia de que a razão se baseava em dados sensoriais para alcançar o conhecimento; em outras palavras, o conhecimento depende da experiência, que passou a ser o critério da verdade. Os precedentes desta filosofia residem na tradição empirista cujos autores principais foram Guilherme de Ockham, que alegou ser necessário recorrer à experiência em qualquer investigação, e Francis Bacon, um defensor do método indutivo. Além disso, os autores empiristas tinham outras características em comum:

  • Negam a existência de ideias inatas;
  • Estudam o conhecimento humano, sua origem e seus limites;
  • Negam ou reconhecem a dificuldade da existência de uma metafísica válida;
  • Baseiam-se no modelo de outras ciências, como a física experimental.

Em contrapartida, o racionalismo, que predominou no restante da Europa, especialmente na França, rejeitava o recurso à experiência e colocava a razão à frente do conhecimento. Os autores racionalistas, resumidos pela figura de René Descartes, afirmavam a existência de ideias inatas e tinham como modelo de conhecimento a dedução e a lógica matemática. Finalmente, deve-se notar que, ao mesmo tempo que o empirismo era desenvolvido na Inglaterra, surgia uma corrente que procurava modernizar e buscar novas teorias políticas para a organização de um Estado liberal.

Alguns dos autores empiristas mais proeminentes foram Hobbes, Locke e Berkeley; no entanto, o mais influente destes foi David Hume. Originalmente de Edimburgo, ele foi contemporâneo de autores ilustrados como Rousseau, Kant, Voltaire e Diderot, sendo também influenciado pelo movimento iluminista. O tema central de sua filosofia era o conhecimento, sobre o qual escreveu uma de suas obras mais importantes: "Tratado sobre a Natureza Humana". Anos mais tarde, resumiu o tratado em outro trabalho intitulado "Investigação sobre o Entendimento Humano", com o qual começou a ganhar seus primeiros defensores e detratores. Ao longo de sua vida, sua filosofia foi gradualmente se radicalizando, alcançando níveis mais altos de ceticismo e chegando a rejeitar a metafísica e a validade universal da ciência.

Quanto à influência do empirismo, a ideia da igualdade entre os homens permitiu uma mudança no conceito de Estado, dando início à defesa do liberalismo e de conceitos introduzidos nos sistemas políticos de hoje, como a divisão de poderes e a democracia. A crítica à metafísica de Hume foi a base do positivismo e do neopositivismo dos séculos XIX e XX. Anos mais tarde, Immanuel Kant foi o responsável pela síntese entre o racionalismo e o empirismo, unindo as duas correntes em uma estrutura notável conhecida como idealismo transcendental.

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