Descartes e Aristóteles: Dúvida Metódica e Hilemorfismo

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Descartes: Dúvida Metódica

Consiste em duvidar de tudo o que até agora foi tomado como certo, resistindo à dúvida apenas aquilo em que não se pode duvidar. Apenas o que resiste à dúvida deve ser tomado como primeiro princípio.

Metodologia da Dúvida

  • Objeto da Dúvida: A Experiência Sensorial. Argumenta-se que os sentidos, por vezes, enganam. "Os sentidos enganam-nos, e o que vemos é realmente um pedaço de papel."
  • Dúvida sobre a Existência das Coisas. Pode-se duvidar da realidade das coisas, pois "o seu papel pode não existir na realidade e poderia ser um sonho." A questão estende-se às próprias coisas: "Você começa a duvidar da sua própria folha."
  • Dúvida sobre a Certeza Matemática. Considera-se a hipótese de que "um gênio criou o milagre do papel de modo que eu estou errado em meus raciocínios abstratos."

Descartes é o representante máximo do racionalismo, em oposição ao empirismo. Ambos buscam entender como o sujeito conhece a realidade; o racionalismo responde com a razão, e o empirismo com a experiência. Há uma necessidade de construir uma nova filosofia baseada em princípios evidentes. Algo evidente é algo que superou a dúvida. O primeiro princípio estabelece a certeza fundamental: "Penso, logo existo" (Cogito, ergo sum), descartando qualquer ato mental que não seja o ato de pensar.

Com isso, Descartes marca uma ruptura com a filosofia anterior, identificando a coisa pensante como res cogitans (coisa pensante/consciência). A dúvida metódica estabelece um conjunto infinito de dúvidas, diferenciando-se da dúvida cética que questiona tudo.

Aristóteles: A Teoria Hilemórfica

Aristóteles percebe que nem todas as mudanças parecem ser da mesma classe. Há mudanças nas quais, do ponto de vista do senso comum, dizemos que o sujeito mudou, e outras em que isso não ocorre.

Propriedades dos Seres

Para explicar isso, Aristóteles considerava que os seres consistem em dois tipos de propriedades:

  • Propriedades Acidentais: Não são parte da essência do ser, pertencem apenas acidentalmente e, portanto, podem variar sem que o ser deixe de ser o que é. Quando uma mudança ocorre nos acidentes, é uma mudança acidental, mas o sujeito continua sendo quem é.
  • Propriedades Essenciais: São as propriedades importantes, aquelas que constituem a essência do ser e sem as quais o ser já não é. Mudanças nelas resultam em alterações substanciais.

Matéria e Forma

Aristóteles afirma que as propriedades essenciais são duas: a matéria e a forma.

  • A matéria é aquilo de que as coisas são feitas.
  • A forma é o que organiza a matéria para que ela assuma um tipo específico de coisa. A forma não é a figura, e sua definição tem mais a ver com a função.

Quando um ser sofre uma mudança concreta no terreno, na forma, ou em ambos, ele já não é o que era, deixa de existir como tal. Somente quando a matéria ou a forma mudam, o fundo muda e o mesmo sujeito deixa de existir. Se apenas os acidentes mudam, o sujeito continua sendo o mesmo antes e depois da alteração.

Dificuldades da Teoria

Como problemas desta teoria, deve-se notar que nem a matéria nem a forma são entidades que podem ser percebidas empiricamente. A substância, que é a união de matéria e forma, é uma suposição que Aristóteles imaginou para tornar compreensível o comportamento do mundo que percebemos, mas a substância em si não é percebida. A segunda dificuldade é que a teoria não consegue explicar completamente nossa experiência, especialmente em mudanças graduais de um sujeito, onde a transição não é clara.

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