Difusão e Interpretação do Patrimônio Cultural

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Unidade 7: Difusão do Patrimônio Cultural: A Interpretação do Patrimônio

Uma das funções básicas de instituições de patrimônio é informar sobre os bens públicos que guardam, ou seja, torná-los acessíveis a todos.

Uso do Patrimônio Social: Difusão

Difusão não é apenas transmitir informações sobre o bem, mas estimular, provocar, envolver o público que o visita. Para isso, utilizamos a ferramenta da interpretação, que é um ato de comunicação através do qual transmitimos algo, fazendo-o entender (muitas vezes há dificuldades).

1. O Conceito de Interpretação

"A interpretação do patrimônio é a arte in situ para revelar o significado do patrimônio natural e cultural para o público que visita esses lugares em seu tempo de lazer, para que os visitantes o apreciem e tenham uma abordagem positiva para sua conservação."

A interpretação dos recursos naturais e culturais, tangíveis ou intangíveis, relacionados a um determinado local, visa aumentar a equidade em seu contexto original. Ela fornece uma leitura dos ativos-chave para oferecer aos visitantes um significado e uma experiência.

Origem e Desenvolvimento
  • A origem da interpretação é americana. Desenvolveu-se primeiramente nos parques nacionais dos EUA.
  • O trabalho de Freeman Tilden, Interpreting Our Heritage (1957), levou à definição de estratégias para os parques do país, focando não só na conservação, mas em difundir seus valores ao público.
  • Segundo Tilden: A informação não é interpretação. Interpretação é uma forma de revelação baseada na informação, e seu principal objetivo não é a formação, mas a provocação.
  • Inicialmente, a construção focou em áreas naturais.
  • Na Europa, a introdução definitiva da interpretação ocorreu na década de noventa, com a crise do tradicional museológico.
IV Congresso Mundial de Interpretação do Patrimônio (Barcelona, 1995)

A principal conclusão foi a necessidade de planejar a interpretação a partir de um modelo de desenvolvimento sustentável do capital (equilíbrio entre a qualidade dos recursos patrimoniais, qualidade de vida para a população local e a experiência do visitante). Neste ambiente, foi criada a Associação de Interpretação do Patrimônio (AIP, Espanha), com o objetivo de promover o desenvolvimento profissional da interpretação no país.

Interpretação na Espanha e Relação com o Turismo
  • As primeiras ações na Espanha também se concentraram em parques, mas agora se generalizaram em sítios arqueológicos, edifícios históricos, museus locais, etc.
  • A interpretação estratégica se associou a iniciativas de desenvolvimento local e regional.
  • É uma ferramenta essencial para a política social da propriedade e base para o desenvolvimento de políticas de comercialização e exploração turística do território.
  • As relações da interpretação com o turismo são óbvias (enriquecendo a experiência do visitante e gerando injeção econômica). Exemplo: Rede Centro de Interpretação do Plano Geral de Bens Culturais (Junta de Andaluzia).

2. Objetivos da Interpretação para o Conhecimento

O que queremos que os visitantes:

  • Saibam? (Conhecimento)
  • Sintam? (Emoção/Experiência pessoal para despertar emoção, curiosidade... não se limita à simples absorção de conhecimento.)
  • Façam (ou não)? (Comportamento: Consciência, respeito pelo patrimônio.)

3. Planejamento Interpretativo

O planejamento interpretativo deve lidar com três premissas básicas:

  • A relação entre o patrimônio e identidade: Como o patrimônio pode atuar como um gerador de imagem e identidade territorial.
  • A relação entre o patrimônio e a economia: Como garantir a rentabilidade dos investimentos no capital próprio.
  • A relação entre Patrimônio e a sociedade: Até que ponto o desenvolvimento de uma oferta de ações ajudará a melhorar a QUALIDADE DE VIDA da população local (e a qualidade da experiência do visitante).
Propostas de um Plano de Interpretação do Patrimônio (Morales Miranda, 1998)
  1. Diagnóstico da Realidade: Necessidade de interpretação? Pode causar impactos negativos? Melhorará a gestão da propriedade, monumento, jardim histórico?
  2. Planejamento Interpretativo:
    • Objetivos.
    • Análise dos recursos patrimoniais (potencialidades, limitações...).
    • Análise da área turística: recursos, potenciais visitantes...
    • Definição das mensagens a transmitir (script de interpretação).
    • Escolha dos meios de interpretação e equipamentos necessários (painéis, guias, guias de áudio, novas tecnologias...).
  3. Design Específico de Equipamentos e Instalações: Processo criativo realizado por especialistas, de acordo com o plano anterior. Preparação do discurso, da imagem que se quer transmitir...
  4. Execução de Obras e Execução dos Programas: Orçamento, pessoal, custos, subsídios, outros financiamentos.
  5. Apresentação do Patrimônio
  6. Avaliação do Visitante: Fundamental para verificar se a interpretação foi bem-sucedida, se os objetivos foram cumpridos e para melhorar no futuro.
Modelo de Alaix (1997, Artigo em E-Learning)

Um plano de interpretação deve ser desenvolvido em 3 fases:

1) Análise da Realidade: Recursos, demanda (interna e externa).

2) Conceituação: Metas estabelecidas (culturais, sociais, econômicas) e critérios de desempenho.

3) Plano de Ação: 3 áreas principais: Comunicação, Exposição, Gestão.

Proposta Metodológica para o Desenvolvimento de um Plano Interpretativo (Alaix)

1) Análise da Realidade:

  1. Conhecer a mentalidade da população do território onde se deseja atuar (Principais características de identidade).
  2. Inventário dos recursos patrimoniais e análise de seu potencial para atrair visitantes, tanto do ponto de vista turístico quanto educacional.
  3. Calcular o público potencial. Avaliar a motivação do visitante e a acessibilidade do local.
  4. Avaliar os recursos humanos e financeiros disponíveis ou potencialmente disponíveis (ex: formação de "reciclagem" rural possível).

2) Conceituação:

  1. Definir os objetivos do plano de interpretação: social, econômico, conservação, educação...
  2. Identificar temas para a interpretação. Fundamentais: a especificidade e o conteúdo da oferta de ações (roteiro e título). Deve-se fugir de temas, fornecendo "chaves" para "descobrir uma área, conhecer e sentir emoções...".

3) Desempenho do Programa:

  1. Definir sistemas de visualização. Depende muito da disponibilidade de recursos e do tipo de propriedade (ex: palácio bem preservado - Visita / / / evento arqueológico, histórico - Centro de Interpretação).
  2. Serviços Adicionais: Sistemas de informação para visitantes, sinalização de estacionamento, restaurante, marketing de produto...
  3. Delinear o orçamento e a estimativa do custo de receita. Rentabilidade? Possíveis fontes de financiamento.
  4. Determinar o sistema de gestão da oferta (pública, privada, mista).
  5. Estratégia de promoção e marketing de um "produto cultural".

4. Os Espaços para a Apresentação do Patrimônio

Podemos distinguir três grandes espaços de apresentação do patrimônio:

A) Museus

Museus são espaços culturais especializados que, a partir de um projeto museológico, montam um conjunto de bens culturais móveis sobre um ou mais temas, com o objetivo de preservar, investigar e divulgar, buscando a participação cultural, científica e recreativa dos cidadãos e visitantes.

  • Programas de ação anuais: investigação, aquisição, estratégias de financiamento, divulgação, exposições, empréstimos, etc.
  • Estratégias de apresentação diferentes usadas para seus bens (fora de seu contexto original):
    • A exposição permanente clássica: Proposta de contemplação passiva (não sem interesse), seguindo um discurso (cronológico, temático...). Os objetos são mostrados de forma cumulativa sem um discurso claro.
    • Exposição cênica: Discursos pedagógicos.
    • Superexposição: Revitalização da oferta cultural de museus, cultural e do turismo em si. Às vezes, é um sucesso ótimo.
  • Tipos de exposições: permanentes, temporárias e itinerantes.
  • Como ferramentas auxiliares de exibição em museus, devemos enfatizar guias turísticos, catálogos, oficinas, passeios e o uso de recursos cênicos, tecnológicos e audiovisuais.
B) O Patrimônio In Situ

Sítios arqueológicos, monumentos, edifícios ou elementos de ambientes patrimoniais (históricos).

Os vários tipos de apresentação podem ser resumidos em três:

  • Um nível de base: Simplesmente combinando a visita a um nível físico, com ou sem sinalização interpretativa.
  • Suplementação através de uma exposição permanente que mostra o trabalho de pesquisa/restauração...
  • Musealização: Pode incluir um centro de interpretação.
C) Centros de Interpretação

Centros de Interpretação são frequentemente o suporte principal dessa abordagem metodológica que chamamos de interpretação do patrimônio.

  • Ao contrário dos museus, não servem para a coleta, preservação e estudo de objetos originais.
  • No centro interpretativo, é importante receber o conhecimento básico e organizar o tempo para ir ao encontro do patrimônio da maneira mais eficaz possível.
  • Como estratégia de apresentação, utilizam principalmente a exposição cênica e suportam itens tecnológicos e audiovisuais.
  • Através de uma abordagem atraente, acessível a todos os públicos e, especialmente, variada e original, é possível atrair o público.

5. A Comunicação com o Público: Recursos de Interpretação

Para desenvolver uma comunicação eficaz para que o patrimônio e os visitantes desfrutem de uma experiência cultural de qualidade, certos requisitos devem ser cumpridos:

  • Levar o patrimônio a um setor público amplo e diversificado, levando em conta os diferentes perfis que apoiam a investigação científica ou interpretativa.
Recursos de Interpretação

Não Pessoais: Sinalização, publicações, exposições, guias de áudio...

Pessoais: Visitas guiadas, animações ou demonstrações (atividades).

Visitas Guiadas

O guia desempenha um papel fundamental na apresentação do patrimônio. Deve-se buscar uma comunicação atraente e participativa. Como regra geral, evitar referências técnicas e o uso de conceitos científicos. Concisão, simplicidade, clareza.

Outros Recursos de Interpretação e Apresentação do Patrimônio
  • Publicações: Diferentes níveis: folhetos, guias de bolso, cadernos de trabalho, estudos de caso, guias...
  • Modelos e outras mídias (vídeo, guias de áudio).
  • Cenário, ambientes.
  • Realização de atividades: oficinas, demonstrações, festivais...; possibilidade de experiência direta.

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