Dinâmica de Grupo: Interação, Estrutura e Tipos
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Interação e Definição de Grupo
Quando dizemos que a interação é interdependente, queremos dizer que a interação ocorre quando as mensagens de uma pessoa são interdependentes de outras mensagens emitidas anteriormente. Dependendo da interação estabelecida entre o emissor e o receptor, são enviadas mensagens diferentes (não é o mesmo interagir com um desconhecido, colega de trabalho, etc.). Somente quando há uma influência mútua, onde a resposta de cada pessoa depende do que foi dito anteriormente, a interação ocorre.
Um grupo é definido como duas ou mais pessoas que interagem umas com as outras, de modo que cada pessoa influencia e é influenciada pelos outros membros.
A análise mostra que, na dinâmica de grupo, à medida que as pessoas continuam a interagir por longos períodos de tempo, seu comportamento é modelado e a probabilidade de que uma mensagem seja seguida por outras aumenta. Neste processo, a receção de mensagens e os rituais se automatizam: modos normais para expressar raiva, para cumprimentar, dizer adeus...
"Um grupo é um grupo de pessoas cujo comportamento de comunicação se torna interestruturado e repetido em um padrão previsível."
As Dimensões da Estrutura de Grupo
4.2.3. A Dimensão Estrutural
Quando as interações entre os membros do grupo são frequentes, elas modelam, e esse padrão estabelece a sua estrutura. Com o tempo, as posições detidas pelos membros do grupo são definidas como "normal", depois como "correta e esperada", consolidando a estrutura do grupo como tal.
Quando as ações de um grupo geram expectativas e avaliações ao longo de um período, padrões emergem, e cada membro assume sua função dentro do grupo. As normas e os papéis interagem, pois quando uma pessoa assume um papel dentro do grupo, são esperadas certas regras de conduta.
A perspectiva estrutural destaca esses dois tipos de estruturas:
- Estrutura de Normas: Formada pelas regras, que são expectativas e avaliações partilhadas, desenvolvidas pelo grupo em um período de tempo.
- Estrutura de Papéis: Cada membro tem um papel, que está interligado com o resto dos papéis de outras pessoas, sendo complementares entre si.
Ao adotar um papel específico, cada um exerce essa função de acordo com determinados padrões. Por exemplo, quem assume um papel de liderança vai se comportar de acordo com um conjunto de regras para esse papel. Assim, os papéis e as normas trabalham em conjunto sobre a dinâmica de grupo. "O que distingue um grupo é que os seus membros partilham normas, incluindo, necessariamente, as regras sobre as funções dos membros do grupo, papéis que são interdependentes e definidos em termos de reciprocidade."
A Dimensão Funcional
Ele toma como ponto de partida a análise dos objetivos para os quais cada grupo dirige as suas ações. As teorias agrupadas nesta perspectiva buscam determinar o motivo pelo qual, uma vez definida uma meta para um grupo, um tipo de processo é seguido e outros não.
Como o grupo é conceptualizado como um sistema social, para alcançar seus objetivos, ele deve desenvolver características que lhe permitam desempenhar as suas funções básicas.
"Um grupo social é um sistema organizado de dois ou mais indivíduos que se inter-relacionam de modo que o sistema executa uma determinada função. O grupo também tem um relacionamento estabelecido entre papéis, e tem também um sistema de regras que regulam a função do grupo e de cada um dos seus membros."
A Dimensão da Motivação
O comportamento dentro do grupo é explicado em termos da motivação que leva os seus membros a agir de determinadas maneiras.
As pessoas formam grupos quando estes podem fornecer algum grau de gratificação (por exemplo, formar um grupo para andar nos finais de semana, o que proporciona um considerável grau de prazer) ou ajudá-las a evitar a dor ou algum tipo de prejuízo (por exemplo, ingressar em um grupo de apoio para pessoas que perderam um parente num acidente de carro). A partir desta perspectiva, podemos definir um grupo como "um grupo de pessoas cuja existência é gratificante para os membros."
As razões são significativas porque respondem a necessidades básicas, tais como a distinção entre a necessidade de realização, necessidade de afiliação e necessidade de poder. Dependendo de sua intensidade, podem explicar o comportamento dos membros do grupo. Mas as razões podem ser significativas sem estarem vinculadas a qualquer necessidade; elas apenas servem a um propósito temporário pretendido, são satisfeitas e acabam. Nesse sentido, podemos definir um grupo como "unidades experimentais constituídas de duas ou mais pessoas que entram em contacto com um propósito".
Dimensão Perceptivo-Cognitiva
Os grupos podem ser analisados na medida em que caracterizam e criam nos seus membros uma maneira comum de se perceber, de uma certa estrutura cognitiva que os leva a analisar a sua própria identidade e do mundo ao seu redor.
Uma concentração de pessoas pode ser definida como um grupo a partir do momento em que se percebem como tal.
O grupo é uma unidade constituída de um "grande número de indivíduos que têm uma percepção coletiva de unidade".
A diferença entre pequenos e grandes grupos seria definida pela existência de determinados pontos de vista comuns entre os membros desses grupos a partir do qual existe um pessoal ou impessoal.
"Um pequeno grupo é qualquer número de pessoas envolvidas na interação com o outro de uma maneira única em que cada membro pode dar algum feedback uns aos outros como indivíduos, a partir da memória da outra pessoa que estava presente."
4.3. Tipos de Grupos
A sociabilidade é um fator importante para explicar a sobrevivência de nossa espécie, que passou a dominar o meio ambiente e sobreviver com sucesso graças à sua natureza social. Inteligência, sociabilidade e linguagem são a base da nossa própria identidade.
No processo pelo qual a interação entre diferentes pessoas gera um grupo, podem-se observar três características:
Características do Processo de Geração de Grupo
- Interdependência: É o que transforma um conjunto de pessoas em um grupo, ou seja, a dependência mútua para atingir certos objetivos. Este processo envolve dois aspectos: a motivação para a adesão ao grupo e a prossecução dos objetivos. Um bom indicador do sucesso do grupo será a convergência entre metas individuais e de grupo.
- Interação: É o motor do grupo. Através dela, a estrutura do grupo irá surgir, levando à diferenciação de papéis e status. Promove a criação de normas de grupo, aumenta o grau de coesão, etc. Dependendo da interação, ocorre a satisfação dos membros e um nível adequado de desempenho.
- Identidade: Isto é o que chamamos de "consciência coletiva". Partilha de características que, em um determinado momento, são consideradas relevantes (mesmo que as pessoas não se conheçam), desenvolvendo uma identidade comum que é percebida e definida como um grupo.
Estas características nem sempre ocorrem simultaneamente no mesmo grau. Embora os tipos e classificações dos grupos sejam muito numerosos, incluem:
Grupos Primários e Secundários
Um grupo primário é uma unidade interativa que é vista como tal pelas pessoas ao seu redor. É caracterizada pela interação face-a-face, íntima e pessoal, com uma comunicação contínua. Os papéis e status que se estabelecem dentro do grupo são informais e duradouros. As regras dentro destes grupos são aprendidas, respeitadas e fortalecidas, como é o caso da família. Grupos primários influenciam cada pessoa na formação e desenvolvimento de sua natureza social, que é composta de sentimentos e atitudes sociais primárias (consciência de si em relação aos outros, o gosto pela aprovação, censura, rejeição, etc.).
Adesão e participação nos grupos primários são valorizadas e recompensadas por si só, e, portanto, tendem a persistir ao longo do tempo. Os membros interagem como indivíduos, em vez de depender de seu papel atribuído dentro do grupo. Eles são uma fonte vital de apoio e proporcionam satisfação social e emocional. A participação nesses grupos é essencial para o bem-estar psicológico e emocional do indivíduo.
Grupos secundários são baseados em uma relação funcional ligada a um interesse específico, e quando este interesse se perde ou acaba, ocorre a sua dissolução.