Dinâmicas de Grupo e Aprendizagem

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Dinâmicas de Grupo e Aprendizagem: Uma Visão da Práxis

Em um mundo globalizado, é cada vez mais necessário saber trabalhar em grupo.

Objetivos:

  • Reconhecer a importância das dinâmicas de grupo para o processo de aprendizagem;
  • Identificar os diversos tipos de dinâmicas, seus objetivos e como as mesmas devem ser aplicadas.

Tipos de Dinâmicas de Grupo

Partindo do princípio de que o indivíduo é um ser social e que precisa manter relações positivas com o outro, é dever da escola auxiliar nesse processo. Algumas técnicas pedagógicas, que podemos chamar de dinâmicas, orientam esse processo, desenvolvendo o espírito crítico, a formação da personalidade e um melhor relacionamento interpessoal a partir de um conteúdo específico.

Essas dinâmicas podem ser classificadas em:

a) Pedagógicas - priorizam o trabalho do professor em sala de aula com objetivo de facilitar a transmissão de um conteúdo e assimilação completa do mesmo.

b) Ludopedagógicas - são preparadas, geralmente, para estimular o desenvolvimento psicomotor. Estão intimamente ligadas às recreações. Nada impede que estejam relacionadas a um conteúdo específico.

c) Sensibilização - são destinadas à estimulação de uma reflexão, sensibilizando o grupo para um tema. Podem estar interligadas com as demais.

Tais técnicas têm como objetivo principal unir ludicidade e aprendizagem, despertando a afetividade para a aprendizagem escolar, porém jamais devem ser aplicadas apenas para se utilizar modelos ou métodos inovadores de ensino. Devem ser aplicadas quando se busca estabelecer, em bases definitivas, uma aprendizagem formativa capaz de educar pessoas e alterar comportamentos.

Como aplicar?

  • Com objetivos bem definidos;
  • Conhecendo bem a técnica que será aplicada;
  • Alternando com aulas expositivas.

Nessas condições, as técnicas, além de motivadoras, contribuem seguramente para a criatividade, desinibição, coerente avaliação dos progressos e fixação dos conhecimentos adquiridos. Essas técnicas podem ser utilizadas na problematização de conteúdos e até mesmo na prática pedagógica de projetos.

Inteligências Múltiplas

Estamos discutindo o quanto é importante a construção do conhecimento e a importância de a escola estimular o saber pensar. Quanto mais o aluno pensa, mais estimula suas inteligências. Você já ouviu falar que somos dotados de inteligências e não de inteligência? Este é o nosso assunto.

Objetivos da Unidade:

  • Conceituar inteligência;
  • Conhecer a teoria das inteligências múltiplas;
  • Identificar as inteligências múltiplas e perceber como elas são estimuladas no contexto escolar.

Plano da Unidade:

  • Inteligências Múltiplas

Na próxima unidade veremos como podemos acentuar as palavras.

Durante muito tempo, considerava-se inteligente aquele indivíduo que conseguia reter um grande número de conhecimentos. Na escola, principalmente, o aluno que conseguia dominar todos os assuntos do professor, tirava boas notas em todas as disciplinas e memorizava tudo, era o dito inteligente. Hoje, diante dos estudos de Howard Gardner e de uma grande equipe da Universidade de Harvard, constatou- se que o ser humano não é dotado de uma única inteligência e sim de inteligências múltiplas.

Chamamos de Inteligências Múltiplas as diversas dimensões e capacidades que o indivíduo tem para resolver problemas. Considera-se também a capacidade intelectual como um conjunto de habilidades e vias de aprendizado independentes umas das outras.

As modalidades de inteligências defendidas por Gardner (Apud: Antunes 1999) são:

Inteligências: Lógico-Matemática, Linguística ou Verbal, Musical, Corporal-Cinestésica, Espacial, Interpessoal, Intrapessoal, Naturalista.

Vamos entender o significado de cada:

a) Lógico-matemática - habilidade para lidar com assuntos matemáticos. Ex.: Engenheiro

b) Linguística - habilidade para lidar com a linguagem oral ou escrita. Ex.: Escritores, apresentadores

c) Musical - habilidade para lidar com música. Ex.: Músicos, compositores

d) Corporal-cinestésica - habilidade para lidar com o movimento corporal. Ex.: Atletas, malabaristas

e) Espacial - habilidade para se localizar bem nos espaços. Ex.: Motorista

f) Interpessoal - habilidade para lidar com as pessoas, saber trabalhar em grupo. Ex.: Psicólogo

g) Intrapessoal - habilidade para autoconhecimento. Ex: Pessoas que fazem terapia, praticantes de Yoga

h) Naturalista - habilidade para compreender os assuntos ligados à natureza. Ex.: Biólogo

Discutir essas inteligências é entender que precisamos criar condições que as estimulem no processo de ensino e aprendizagem. Não cabe à escola dar ênfase só à linguística ou à lógico-matemática e sim estimular o máximo de inteligências possíveis. Por isso, devemos usar várias estratégias metodológicas.

Entre elas:

  • Pensar em uma “nova escola – um novo professor - um novo espaço”.
  • Ter uma visão pluralista da mente, concebendo diferentes visões sobre as competências intelectuais humanas;
  • Perceber o homem com um potencial para desenvolver múltiplas inteligências;
  • Compreender inteligência como a capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos que sejam valorizados em um ou mais ambientes culturais ou comunitários, pois todos os indivíduos têm, em princípio, habilidade de questionar e buscar respostas usando inteligências.

O educador precisa se comprometer com as exigências de uma participação ativa e transformadora em uma realidade extremamente complexa que se faz hoje. Ele precisa abandonar modelos e pensar nas novas maneiras de se relacionar, de pensar e de agir que permitam a livre expressão de seus pensamentos e valores particulares sobre a compreensão da diversidade humana. Pensando assim, contribuiremos de forma significativa para o processo de aprendizagem dos alunos.

Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade

  • Analisar a função social da escola;
  • Perceber os novos rumos que conduzem a prática pedagógica do processo ensino-aprendizagem;
  • Conceituar interdisciplinaridade e transdisciplinaridade.

Conceito de Inter e Transdisciplinaridade

A Função Social da Escola

Temas Transversais

Segundo Sofia Lerche Vieira (2000), tudo indica que, no contexto da nova ordem mundial e da velocidade das transformações enfrentadas pela sociedade contemporânea, a função social da escola tem se constituído em objeto de intensos debates por parte de educadores, gestores, pais, alunos e segmentos organizados da sociedade civil.

Por que precisamos pensar sobre a função social da escola? Bem, precisamos pensar no papel da escola e que atualmente, os contextos sociais, políticos, econômicos, tecnológicos entre outros, direcionam o olhar para um novo mundo e para uma nova escola. Esse cenário exige uma reflexão crítica sobre as práticas educacionais e sobre os modelos que as fundamentam.

Observe a figura:

Neste momento, a professora transmite suas informações tendo uma visão tradicional, baseando-se em um paradigma de separação entre o sujeito e objeto, fragmentando o conhecimento. Hoje, precisamos ter um novo olhar para recuperarmos o sentido da globalidade a fim de encontrarmos respostas inovadoras para a problemática contemporânea e não mais fragmentarmos o conhecimento, mas construi-lo de maneira coletiva. Assim propõe a prática pedagógica de projetos, como vimos na unidade anterior.

Precisamos despertar para um novo tempo. Tempo de um novo olhar, no qual possamos ver o diferente sem indiferença. A escola, hoje, precisa preparar seus alunos para entender a complexidade do mundo atual. A escola atual precisa valorizar as diferenças e trabalhar os assuntos de maneira contextualizada.

Então, que tal cuidarmos do tempo e do currículo escolar?

Discussões sobre o novo momento do currículo envolvem o repensar da sua proposta que deverá contemplar:

  • Compreensão do mundo presente;
  • Campos do conhecimento;
  • Valores humanos;
  • Competências e habilidades.

Para Edgar Morin (2000), vivemos até agora a interdisciplinaridade, em que as disciplinas estão juntas, mas cada uma olha para o seu próprio umbigo. Sabemos que a comunicação entre as disciplinas não é fácil de ser garantida, mas não é impossível de acontecer.

Então, veja o que significa interdisciplinaridade:

  • Desafiar os sujeitos, através de uma ação provocada, motivadora e ampla, na construção de novos esquemas, através de novos significados aos sujeitos;
  • É o momento de tentar trabalhar de maneira coletiva, em que todos os profissionais opinam e participam para encontrar soluções.
  • É a proposta de estabelecer comunicação entre as disciplinas escolares. Ex.: Os temas transversais contribuem para essa construção.
  • Oportunizar discussões sobre assuntos da realidade obtendo assim uma maior compreensão da realidade.

Professores da 7ª série, querendo fazer uma articulação entre as diferentes áreas do currículo, propuseram que os alunos fizessem um projeto de hospital para sua região. A partir dessa decisão, o professor de Geografia orientou o estudo do relevo, do clima e dos espaços ociosos existentes, escolhendo o local do hospital. Em parceria com o professor de Ciências, levou os alunos a entender as relações entre clima, relevo e incidência das doenças mais freqüentes no local. O professor de História discutiu o processo de migração interna e o de imigração, mostrando como foram sendo constituídos os agrupamentos humanos do município, seus hábitos de vida com a saúde. Com o professor de Matemática, aprenderam a realizar medidas de amostragem para calcular o percentual da população/número de leitos. Com o professor de Língua Portuguesa viram como divulgar a notícia do novo hospital e como fazer uma pesquisa para conhecer as diferentes profissões e ocupações ligadas à questão da saúde. O professor de Artes sugeriu aos alunos a construção de uma maquete do hospital planejado. (LERCHE, 2002, p. 97)

E nesse processo de construção de um novo currículo escolar, Morin (2000) propõe também a transdisciplinaridade. Segundo ele, os professores precisam saber como as disciplinas se relacionam. A transdisciplinaridade é um momento da vivência do saber. É o momento de ir além, de transpor fronteiras, ou seja, mostrar que devemos ver o conhecimento como algo dinâmico, como uma rede onde os pontos se encontram, se cruzam. A partir daí, promoveremos o educar para a vida.

A prática pedagógica de projetos é, então, uma alternativa que através da problematização dos conteúdos (relacionando um tema com a realidade) promove o trabalho da inter e da transdisciplinaridade. Estas sugestões são colocadas nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) que foram sistematizados em documentos elaborados pelo MEC, nos quais se tem como objetivo dar referências às instituições de ensino a fim de atingir uma educação de qualidade.

Os Temas Transversais nos PCNs

O PCN também sugere que a escola trabalhe com temas transversais. Você já ouviu falar? Temas transversais são temas providos de questões sociais, ou seja, temas vivenciados pelo aluno no seu cotidiano. Estes temas estão divididos em 5 blocos:

  • Saúde.
  • Ética.
  • Pluralidade Cultural.
  • Orientação sexual.
  • Meio ambiente.

Eles são trabalhados em diversas disciplinas. Não precisamos criar uma específica e nem trabalhar de forma isolada. Podemos relacioná-los ao conteúdo específico de cada aula. Geralmente, todo projeto pedagógico além de vincular o saber científico que desejamos ensinar também acaba trabalhando temas transversais que se relacionam aos conteúdos.

Bem, fica claro que dentro da nova proposta metodológica, devemos pensar:

  • Que o conhecimento precisa ser construído pelo aluno e não transmitido pelo professor como algo pronto;
  • Que deve existir relação entre o cotidiano e o saber científico (conteúdo), portanto a prática de projetos pode ser uma estratégia importante para fazer isso acontecer;
  • Que as disciplinas devem trabalhar de maneira inter e transdisciplinar, ou seja, relacionando os saberes.

A Prática Pedagógica de Projetos

Plano da Unidade:

  • Prática Pedagógica de Projetos

Na próxima unidade, veremos como podemos acentuar as palavras. Até lá! Bons estudos!

Considerando os conceitos já apresentados, é possível observar a necessidade de uma metodologia de projetos, em que se contemple a contextualização do ensino. Ainda na atualidade, a maioria das escolas trabalha com conteúdos pré-estabelecidos, de modo que a aprendizagem seja mecânica e não valorize uma aprendizagem significativa, ou seja, partindo de conceitos do cotidiano do alunado, dando significado aos mesmos e valorizando o currículo oculto que o indivíduo já tem consigo.

Sendo assim, uma das possíveis saídas para quebrar a monotonia e a falta de interesse das salas de aula é a metodologia de projetos que, de uma certa forma, proporciona:

  • A construção do conhecimento, a partir de questões do dia a dia do indivíduo;
  • A interação e participação de todos, já que a essência do projeto é levar as pessoas a desenvolver habilidades;
  • O estudo de temas essenciais numa visão política pedagógica da comunidade e, ao mesmo tempo, no interesse do aluno.

Nesta atmosfera de participação, responsabilidade e seriedade no trabalho desenvolvido pelos alunos é que a metodologia de projetos se torna eficaz para uma aprendizagem integral. Estamos acostumados a uma educação de gavetas, de modo que o aluno trabalhe com os conceitos de forma isolada, ignorando o fato de que os conceitos se completam, independente de ser Português, Matemática, Geografia, História, Educação Física e outros.

Nossas escolas clamam por uma metodologia que vise o fazer, o se tornar cidadão pelas ações realizadas durante o processo ensino-aprendizagem, que assume a educação libertadora como caminho para a transformação social na linha da ética, da solidariedade, tornando a relação professor-aluno algo pautado pela confiança, autonomia, diálogo, respeito às diferenças e principalmente às definições de limites quando necessário.

Sendo assim, esta metodologia é uma forma de concretizar o dia a dia do indivíduo, pedagogicamente.

Sendo possível:

Podemos afirmar, também, que esta prática contempla as ideias de Vygotski, que acredita na aprendizagem como fruto das inter-relações com o meio das experiências sociais. Para este autor, são as experiências com o grupo que irão ajudar o indivíduo a construir seus conceitos.

O projeto é sempre construído coletivamente, de modo a buscar a sensibilização do grupo, expressando assim os objetivos, contando com a participação de todos para a elaboração e o despertar.

Para a realização da prática docente através de projeto, é necessária a realização das seguintes etapas:

1) Incentivo, ou seja, sensibilização para o tema; 2) Formulação do propósito, expressando assim os objetivos do projeto; 3) Elaboração cooperativa dos planos de ação do projeto; 4) Desenvolvimento das práticas; 5) Culminância; 6) Avaliação e autoavaliação.

O trabalho com projetos estimula o que já vimos em unidades anteriores:

  • O desafio de aprender a pensar;
  • A reflexão;
  • A problematização dos conteúdos;
  • O desenvolvimento de habilidades e competências.

É importante ressaltar que o projeto também precisa ser elaborado, planejado e construído dentro das normas metodológicas para que todos os envolvidos possam manuseá-lo, sabendo assim suas verdadeiras intenções.

Etapas para Elaboração de um Projeto

A elaboração de um projeto deve conter as seguintes etapas:

a) Tema (deve partir da necessidade da clientela ou de uma problematização vivenciada);

b) Justificativa (deve conter o porquê da necessidade de se desenvolver esse tema);

c) Objetivos (devemos deixar claro o que pretendemos com esse tema, o que queremos desenvolver com o público envolvido);

d) Metodologia (como os objetivos do projeto serão alcançados, quais são as estratégias que serão desenvolvidas);

e) Cronograma (passo a passo das atividades desenvolvidas);

f) Recursos (explicitar quais serão os recursos necessários para execução das estratégias);

g) Avaliação (explicitar quais serão as estratégias utilizadas para avaliar se os objetivos estão sendo ou foram atingidos).

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