Dionisíaco vs. Apolíneo: Nietzsche e a Tragédia
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O espírito dionisíaco é anterior a Sócrates. Os pré-socráticos são os verdadeiros gregos, que reconhecem a tragédia da vida, a qual não é perfeição, mas sim caos, irracionalidade e dor. O apolíneo se identifica com Sócrates em diante; Nietzsche os chama de pseudo-gregos, em uma tentativa de desqualificar o pensamento deles por enaltecerem excessivamente a razão.
Só a arte pode oferecer ao indivíduo força e capacidade de enfrentar a dor da vida, dizendo sim à vida. O espírito dionisíaco, ao invés de regrar a existência, aceita essa vida de caos, reconhecendo que somos seres que sofrem limitações e enaltecendo os valores vitais. Ao invés de negar essa finitude, temos que aceitá-la.
Nietzsche procura mostrar como a civilização grega pré-socrática explodiu em um vigoroso sentido trágico, que consiste na:
- Aceitação da vida de caos, dor e destruição;
- Aceitação extasiada da vida;
- Coragem diante do destino;
- Exaltação dos valores vitais.
Nietzsche acusa o espírito apolíneo de negar essa realidade. Com isso, subverte a imagem romântica da civilização grega: tínhamos uma imagem dos gregos como pessoas organizadas, focadas na democracia, precursores das leis e da filosofia. No entanto, ao invés de reconhecer todas as dificuldades que os gregos viviam — e que são retratadas muitas vezes pela arte —, a arte grega é afastada em prol da filosofia e dessa razão de Sócrates, Platão e Aristóteles.
Na Grécia dos pré-socráticos, Nietzsche identifica o segredo desse mundo no espírito dionisíaco, o espírito da tragicidade. Ao lado do dionisíaco, há o apolíneo, que é a tentativa de expressar o sentido das coisas com moderação, explicitando-se com figuras equilibradas e límpidas.
Eurípides (historiador da época) tenta eliminar da tragédia o elemento dionisíaco em favor dos elementos morais e intelectuais. Platão desmerecia a arte. Sócrates tem a louca presunção de compreender e dominar a vida com a razão e, com isso, vem a verdadeira decadência. Ao negar os valores trágicos da vida e os valores vitais, está-se construindo uma história de decadência, porque se está negando a condição de ser humano.
Sócrates e Platão são sintomas da decadência, os instrumentos da dissolução do pensamento dionisíaco grego: os pseudo-gregos, os antigregos. Nietzsche separa o espírito dionisíaco do apolíneo e nos acusa de viver esse espírito apolíneo, negando o espírito dionisíaco que, para ele, é o superior.