Direitos Humanos: distribuição, reconhecimento e identidade
Classificado em Ciências Sociais
Escrito em em
português com um tamanho de 9,54 KB
Gerações de direitos
Gerações: 1) direitos cívicos e políticos; 2) direitos econômicos e sociais; 3) qualidade de vida.
Modelos de globalização e impactos locais
Globalismo localizado
Globalismo localizado: impacto de práticas transnacionais nas condições locais que são desestruturadas e reestruturadas. Ex.: zonas francas; destruição de recursos.
Localismo globalizado
Localismo globalizado: sucesso na globalização de um fenômeno local. Ex.: fast food; línguas.
Cosmopolitismo
Cosmopolitismo: diálogo entre organizações; ONGs. Ex.: federação mundial de sindicatos livres.
Patrimônio comum da humanidade
Patrimônio comum da humanidade: sustentabilidade da vida humana; proteção da camada de ozônio.
Direções de transformação
- De cima para baixo: globalismo localizado; localismo globalizado.
- De baixo para cima: cosmopolitismo; patrimônio comum da humanidade.
Premissas da transformação cosmopolita dos Direitos Humanos
A primeira premissa é a superação do debate entre universalismo e relativismo cultural.
A segunda premissa da transformação cosmopolitana dos Direitos Humanos é que todas as culturas possuem concepções de dignidade humana, mas nem todas as concebem em termos de Direitos Humanos.
A terceira premissa é que todas as culturas são incompletas e problemáticas nas suas concepções de dignidade humana.
A quarta premissa é que todas as culturas têm versões diferentes de dignidade humana: algumas mais amplas que outras; algumas mais abertas que outras.
A quinta premissa é que todas as culturas tendem a distribuir as pessoas e os grupos sociais entre princípios competitivos de pertença hierárquica.
Hermenêutica diatópica
A hermenêutica diatópica baseia-se na ideia de que os topoi de uma dada cultura, por mais fortes que sejam, são tão incompletos quanto a própria cultura a que pertencem.
Exemplo: cultura islâmica e hindu.
Direitos Humanos como fruto da disputa
Os Direitos Humanos consagrados em normas são frutos de disputas, de revoluções, de grandes mudanças.
O que há de comum nessas disputas? A luta contra a opressão.
Personagens das disputas
Em todos esses processos podemos identificar dois personagens: o mais forte e o mais fraco; o dominante e o dominado; o opressor e o oprimido.
Movimentos
Sempre dois movimentos:
estabelecer dominação X resistir à dominação
Quando vence o mais forte, fala-se em hegemonia;
Quando o mais fraco vence, podemos falar em Direitos Humanos.
Gramática moral dos conflitos (Axel Honneth)
Axel Honneth: há uma gramática moral nos conflitos.
Eles não se referem apenas a como serão distribuídas as riquezas; vão mais além: são conflitos morais, conflitos por se dizer o direito — dizer o certo e o errado.
Mais ainda: são conflitos por identidade.
O que está em disputa
O direito a ser diferente; ou, ao menos, o direito a ser, ou a continuar a ser, como se é.
Há uma gramática moral nos conflitos; a distribuição é apenas a expressão dessa disputa.
O que está em jogo não é apenas a distribuição de bens, mas as diferentes concepções sobre o Direito.
Debate entre Axel Honneth e Nancy Fraser
Fraser – Há dimensões de conflitos que são apenas por distribuição, e outras que são por identidade.
Honneth – Conflito é sempre por identidade, mesmo que mascarado pela questão da distribuição; é disputa de valores.
Três esferas da luta pelo reconhecimento
Três esferas: afetiva; solidária; jurídico-moral.
1. Afetiva
“O que se diz de mim”; o que eu compreendo que sou; que valores me definem.
Indicador: filiação a grupo pelo sofrimento compartilhado — que valores encontramos como comuns.
2. Solidária
“O que o outro diz de mim”; negociação externa sobre simpatia/antipatia; como se dá a minha relação com o outro.
Indicador: discriminação pela diferença — características comuns que unem os grupos.
Esferas resumidas
Esfera afetiva – união se dá pela diferença com o exterior — sofrimento compartilhado;
Esfera solidária – união se dá pela semelhança com o outro — características comuns que unem indivíduos e formam grupos.
3. Jurídico‑moral
Normas e valores que orientam comportamentos.
Indicador: normas protetivas.
Questão prática
Resultado da disputa entre mais forte e mais fraco — Direitos Humanos. Que vocês acham que prevalece nas violações de Direitos Humanos: Distribuição ou Reconhecimento?
Em resumo
- Leitura mais comum sobre Direitos Humanos: desigualdades econômicas — direitos civis (liberdade) e sociais (igualdade).
- Mas existem situações em que o problema não é DISTRIBUIÇÃO, mas IDENTIDADE.
- Preparação para uma análise: IBAS.
- Visão material (universalista) x visão histórica dos Direitos Humanos: mais fraco x mais forte.
- Distribuição x Reconhecimento.
- Alguns conflitos, no fundo, não são por distribuição; são por reconhecimento — identidade.
- Como identificá-los? Três esferas: afetiva; solidária; jurídico‑moral.
Diferença, desigualdade e semelhança
DIFERENÇA DESIGUALDADE
≠ ≠
SEMELHANÇA IGUALDADE
(características físicas e culturais) (dados socioeconômicos)
Direitos Humanos e ordem justa
Direitos Humanos são a camada mais básica de proteção do indivíduo. Isso se aplica a todos; mas pessoas de alguns grupos sofrem mais violações que outras.
Se o Direito é contrafático, e se dedica a construir a ordem justa, como deve agir quando se depara com injustiça social?
Processo histórico-ideológico
O processo histórico-ideológico pelo qual alguns grupos passam transforma DIFERENÇAS (identidade) em DESIGUALDADES.
Vamos ver cada elemento deste conceito:
- Processo histórico: identidades constituídas pela história desses grupos e por sua relação com outros grupos;
- Processo ideológico: ideologias historicamente constituídas que defendem que certas pessoas são, de alguma maneira, “inferiores” por suas diferenças.
Transformação: preconceito e discriminação
Preconceito: ideologia da intolerância. Discriminação: exercício do preconceito.
Tolerância e limites
O princípio da tolerância indica que devemos tolerar as diferenças.
Para o princípio da tolerância, o limite é a intolerância. Pois o intolerante não é apenas o inverso do tolerante; é antagônico, ou seja, inviabiliza a convivência.
Grupos vulneráveis
No caso dos grupos vulneráveis, temos um problema a mais: essa intolerância é construída histórico‑ideologicamente.
Bullying vs. discriminação
Em ambos, a pessoa sofre com intolerância causada por suas diferenças;
Mas só nos casos de discriminação há um componente histórico‑ideológico.
Políticas afirmativas
Políticas afirmativas: temporárias; reconhecimento das desigualdades; tentativa de equilíbrio entre desequilibrados; não estabelecem vantagens permanentes; tentam aliviar desvantagens.
Conclusão: função do Direito e vulnerabilidade
Em resumo:
- Função do Direito: ordem justa — corrigir injustiças.
- Direitos Humanos são direitos de todos; mas alguns sofrem mais que outros.
- Vulnerabilidade: diferenças transformadas em desigualdade no mercado.
- Componente histórico‑ideológico, que o diferencia de outros processos.
- Necessidade de políticas afirmativas para que grupos vulneráveis deixem de ser vulneráveis — DIFERENTES mas IGUAIS.