Distúrbios do Sono e Incontinência Urinária no Idoso

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

Escrito em em português com um tamanho de 5,31 KB

Fisiologia do Sono e Distúrbios Comuns

Neurotransmissores da Vigília e do Sono

  • Vigília (Excitação): NE (Norepinefrina), 5-HT (Serotonina), DA (Dopamina), Histamina, ACh (Acetilcolina), Orexina.
  • Sono (Inibição): Adenosina, GABA, Melatonina (VLPO suprime a excitação).

Fases do Sono

  • N1: Sono leve.
  • N2: Caracterizado por fusos e Complexos K.
  • N3: Sono profundo e restaurador.
  • REM: Sonhos vívidos e atonia muscular.

Sono no Idoso

Aumento das fases N1/N2 e redução da fase N3. Ocorre maior número de despertares noturnos e cochilos diurnos. A fase REM é geralmente preservada.

Insônia

Diagnóstico (DSM-5)

Dificuldade para iniciar, manter ou despertar precoce (≥ 3x/semana por ≥ 3 meses), com prejuízo funcional.

Consequências

  • Fadiga e sonolência diurna.
  • Déficit cognitivo e irritabilidade.

Tratamento

1ª Linha (Não Farmacológico): TCC-I (Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia), higiene do sono, controle de estímulos, relaxamento e regularidade dos horários.

Fármacos: Zolpidem (5–10 mg), Melatonina (3–6 mg), Mirtazapina, Trazodona.

Atenção: Evitar benzodiazepínicos no idoso (risco de quedas, delirium e depressão respiratória).

Síndrome das Pernas Inquietas (RLS)

Necessidade irresistível de mover as pernas, com piora no repouso, melhora com movimento e maior incidência à noite. Causa insônia e sonolência diurna.

Tratamento

  • Pramipexol
  • Ropinirol
  • Gabapentina
  • Pregabalina

Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS)

Fatores de Risco

Obesidade, uso de álcool/BDZ, tabagismo, sexo masculino, idade avançada.

Sintomas

  • Roncos e pausas respiratórias.
  • Sono não reparador.
  • Sonolência diurna excessiva.

Diagnóstico (Polissonografia - IAH)

  • Leve: 6–15 eventos/hora.
  • Moderado: 16–30 eventos/hora.
  • Grave: >30 eventos/hora.

Tratamento

Perda de peso, evitar álcool/BDZ, CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas), aparelho intraoral, cirurgia.

Transtorno Comportamental do Sono REM (TCSR)

Atuação dos sonhos (gritos, chutes) devido à perda da atonia muscular durante o REM.

Associações: Doença de Parkinson, Demência com Corpos de Lewy (DCL), Alzheimer, uso de ISRS, álcool.

Tratamento

Clonazepam, Melatonina, Quetiapina (exceto em pacientes parkinsonianos).


Incontinência Urinária no Idoso

Conceito e Importância

Perda involuntária de urina capaz de gerar impacto social, físico e psicológico.

Complicações

  • Quedas e fraturas.
  • Infecções do Trato Urinário (ITUs) e dermatites.
  • Depressão e institucionalização.

Classificação da Incontinência Urinária

A. Transitória (DIAPPERS)

Causas reversíveis:

  1. Delirium
  2. Infecção (ITU)
  3. Atrofia (vaginal/uretral)
  4. Psicológico (depressão)
  5. Poliúria (Débito urinário aumentado)
  6. Estímulos (Fármacos)
  7. Restrição de mobilidade
  8. Stasis (Impactação fecal)

B. Estabelecida (Crônica)

  1. Esforço: Perdas ao tossir ou rir; pequeno volume.
  2. Urgência: Hiperatividade do detrusor; urgência e noctúria.
  3. Transbordamento: Obstrução ou atonia do detrusor; jato fraco; grande volume residual.
  4. Funcional: Limitações físicas ou ambientais; aparelho urinário normal.

Avaliação Diagnóstica

  • Anamnese: Volume, frequência, ingesta hídrica, medicações, avaliação neurológica e intestinal.
  • Exame Físico: Pélvico, toque retal, avaliação de mobilidade e cognição.
  • Exames Laboratoriais: Urina I (obrigatório), creatinina, eletrólitos, glicemia.
  • Residual Pós-Miccional (US): Volume > 200 mL sugere retenção.
  • Urodinâmica: Indicada apenas em casos refratários ou pré-cirurgia.

Tratamento

Não Farmacológico (1ª Linha em Todos)

  • Fisioterapia do assoalho pélvico (Exercícios de Kegel, biofeedback).
  • Treinamento vesical e micção programada.
  • Ajuste ambiental e acessibilidade ao banheiro.

Tratamento Específico por Tipo

  • Esforço: Exercícios pélvicos, perda de peso, estrogênio tópico, Duloxetina, cirurgia.
  • Urgência: Anticolinérgicos (usar com cautela no idoso), Mirabegrona.
  • Transbordamento:
    • Obstrução: Alfa-bloqueadores.
    • Atonia: Cateterização, Betanecol.
  • Funcional: Adaptações ambientais e de mobilidade.

Entradas relacionadas: