A Ditadura de Primo de Rivera (1923-1930)

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A Ditadura de Primo de Rivera

O golpe militar de Primo de Rivera em 12 de setembro de 1923 ocorreu por razões muito diferentes:

  1. As consequências do relatório anual: O Exército exigiu mais recursos para vingar a humilhação, algo que o governo não estava disposto a conceder. A dissolução das Câmaras em 1922 e o registo de Picasso causaram a rejeição dos grupos conservadores e militares no Congresso.

  2. A ascensão do nacionalismo na Catalunha e no País Basco foi vista com desconfiança e como uma ameaça à unidade do país pela direita mais conservadora.

  3. O alarme da oligarquia perante a divisão dos partidos dinásticos, a ascensão dos partidos republicanos e socialistas e a ameaça do movimento operário.

A ditadura militar foi, para a direita, uma possível solução para a instabilidade política em curso e, para os militares, a única maneira de parar o Picasso AR, sendo esse o fator determinante para a realização do golpe.

Diretório Militar (1923-1925)

O golpe militar conseguiu graças ao silêncio e ao apoio de Afonso XIII, que acabou por encarregar Primo de formar um governo.

Apesar de Primo de Rivera se ter apresentado ao país com um manifesto no qual expressava uma vontade regeneracionista, as primeiras medidas tinham como objetivo estabelecer uma ditadura militar. Tornou-se ministro único, assessorado por um Diretório Militar. Declarou o estado de guerra e assumiu o controlo militar do governo civil. As garantias constitucionais foram suspensas e o Parlamento dissolvido, ao mesmo tempo que se estabelecia uma censura à imprensa. Houve pouca oposição ao golpe de Estado; sindicatos e partidos de esquerda mantiveram-se à espera.

O governo da ditadura tentou fazer algumas mudanças, como o Estatuto Municipal de 1924 e o Estatuto Provincial de 1925, que tentaram ampliar a autonomia dos municípios e das autoridades locais.

Na Catalunha, os Conselhos Provinciais foram dissolvidos e a Commonwealth; foi banida a bandeira e o hino da Catalunha e a língua catalã foi restringida à esfera privada.

Em 1924, surgiu a União Patriótica, sob a liderança militar, para unificar os católicos e os grupos conservadores que apoiavam a ditadura.

Para manter a ordem pública, proibiu qualquer manifestação ou protesto e adotou medidas repressivas contra as organizações de trabalhadores.

O grande sucesso da ditadura foi o fim da guerra em Marrocos. Em 1924, após a emissão de uma anistia que terminou com a questão da responsabilidade, reduziu o pessoal em Marrocos e ordenou uma retirada parcial. Quando, em 1925, Abd el-Krim invadiu a parte francesa do Protetorado, Espanha e França assinaram uma aliança militar que permitiu o desembarque de Al Hoceima, uma operação conjunta que dividiu a região do Rif e desmoronou o poder de Abd el-Krim.

Diretório Civil (1925-1930)

No final de 1925, Primo decidiu substituir a Diretoria Militar por um governo civil para institucionalizar a ditadura.

Em 1927, convocou uma Assembleia Nacional Consultiva, formada principalmente por membros da União Patriótica. Foi responsável pelo desenvolvimento de uma constituição que não agradou a ninguém, pelo que nunca entrou em vigor.

Criou o Conselho Nacional do Trabalho (1924) e aprovou um conjunto de leis sobre contratos de trabalho, acidentes, subsídios a famílias numerosas e seguro de maternidade. Em 1926, lançou a Organização Corporativa do Trabalho, um sindicato representativo para regular a negociação de acordos, que colaborou com a UGT, que monopolizava a representação do trabalho nas comissões.

A política económica baseou-se na intervenção estatal, para a qual foi criado o Conselho Económico Nacional, em 1924, que resultou no Ministério da Economia Nacional em 1928. O objetivo era reativar a economia através de obras rodoviárias, ferroviárias e hidráulicas.

Oposição ao regime: por volta de 1928, quando a oposição começou a fundir-se, vários:

  • Os partidos dinásticos recusaram-se a colaborar com a ditadura e exigiram a restauração da Constituição e a realização de eleições.

  • Os republicanos começaram a organizar-se em 1926, na Aliança Republicana, tornando-se num curto período na referência política da sociedade, que identificou o republicanismo com a democracia.

  • Os partidos e organizações de trabalhadores começaram a mobilizar-se desde 1927.

  • O nacionalismo catalão tornou-se um confronto aberto com o regime.

  • Os intelectuais juntaram-se à crítica do regime e ao apoio aos estudantes e à Federação Universitária Espanhola (FUE) nas manifestações que começaram em fevereiro de 1929 contra a tentativa do governo de incentivar as universidades privadas, o que resultou no fecho das universidades de Madrid e Barcelona.

  • O descontentamento entre os militares também: rivalidades pessoais, a arbitrariedade de Primo na promoção e a oposição dos liberais; a maioria passou a perturbar o clima nos quartéis, chegando mesmo a uma tentativa de revolta (fevereiro de 1929).

Em outubro, ocorreu a queda da Bolsa de Nova York. Ainda nesse ano, uma onda de greves sacudiu o país, enquanto a peseta estava em queda. Em 27 de janeiro de 1930, Afonso XIII aceitou a sua demissão.

Da Monarquia Afonsina à Segunda República

Afonso XIII nomeou o General Dámaso Berenguer como Primeiro-Ministro, com o objetivo de regressar ao regime constitucional.

O novo governo foi incapaz de resolver a crítica situação económica em que a produção estava a afundar e o desemprego a aumentar.

Ao longo de 1930, a oposição foi crescendo. Os republicanos experimentaram um aumento dramático com a inclusão de políticos dos partidos dinásticos e do nacionalismo, e o apoio dos jovens militares.

Em agosto de 1930, republicanos e nacionalistas, aos quais se juntaria o Partido Socialista em outubro, com o apoio da CNT, assinaram o Pacto de San Sebastián: uma frente unida contra a monarquia, organizaram um Comité Revolucionário para organizar um levante. A tentativa de sublevação de dezembro de 1930 falharia.

Berenguer anunciou a sua decisão de realizar eleições e tentou promover um partido monárquico para as vencer, mas não encontrou nenhuma cooperação. A 14 de fevereiro de 1931, apresentou a sua demissão. O novo primeiro-ministro, José María Aznar, convocou eleições para 12 de abril. Os seus resultados transformaram-se num referendo sobre a alternativa monarquia ou república. O apoio maciço das cidades aos candidatos republicanos levou o monarca a abandonar a coroa e a sair do país. A Segunda República foi proclamada a 14 de abril de 1931.

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