Doenças Transmissíveis: Terminologia e Enfermagem no Controle

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

Escrito em em português com um tamanho de 12,34 KB

Terminologias Essenciais em Doenças Transmissíveis

  • Agente Etiológico: Microrganismo causador da doença (vírus, bactéria, fungo, protozoário).
  • Hospedeiro: Ser vivo que abriga ou aloja o agente.
  • Reservatório: Local onde o agente vive e se multiplica.
  • Vetores: Organismos que transmitem o agente (ex: mosquito).
  • Transmissibilidade: Capacidade de ser transmitido.
  • Período de Incubação: Tempo entre a exposição ao agente e o aparecimento dos sintomas.
  • Endemia: Ocorrência constante de uma doença em uma determinada área.
  • Epidemia: Aumento repentino de casos em uma região.
  • Pandemia: Epidemia de grande escala que afeta vários países.

Classificação das Doenças Transmissíveis

Quanto à Etiologia (Causa)

  • Bacterianas: Tuberculose, Hanseníase, Meningite Bacteriana.
  • Virais: Dengue, Zika, Chikungunya, Hepatite, HIV.
  • Fúngicas: Candidíase, Histoplasmose.
  • Parasitárias: Malária, Leishmaniose.
  • Rickettsioses: Febre Maculosa.

Quanto à Duração

  • Aguda: Início súbito e curta duração (Dengue, Meningite).
  • Crônica: Longa duração e evolução (HIV, Hanseníase, Tuberculose).

Atuação da Enfermagem no Controle de Doenças Transmissíveis

  • Vigilância Epidemiológica: Notificação, busca ativa, investigação de surtos.
  • Educação em Saúde: Orientação à população.
  • Imunização: Esquemas vacinais e aplicação de vacinas.
  • Diagnóstico Precoce: Coleta de exames, triagens.
  • Monitoramento de Casos: Administração de medicamentos, visitas domiciliares.
  • Prevenção e Controle: Insumos, barreiras sanitárias, diretrizes de isolamento.

Programas Nacionais de Controle

Programa de Controle da Tuberculose (PCT)

Objetivo

Reduzir a incidência e a mortalidade da tuberculose.

Principais Ações

  • Diagnóstico precoce (baciloscopia, teste rápido molecular).
  • Tratamento Supervisionado (DOTS - Directly Observed Treatment, Short-course).
  • Busca ativa de sintomáticos respiratórios.
  • Vacinação BCG.

Atuação da Enfermagem

  • Atendimento e escuta qualificada.
  • Supervisão do tratamento.
  • Orientação ao paciente e família.
  • Educação sobre a adesão e adequação do tratamento.

Programa Nacional de Controle da Hanseníase

Objetivo

Eliminar a hanseníase como problema de saúde pública.

Ações

  • Diagnóstico precoce.
  • Tratamento com Poliquimioterapia (PQT).
  • Avaliação e monitoramento de contatos.
  • Redução do estigma.

Atuação da Enfermagem

  • Realizar testes de sensibilidade e exames de pele.
  • Identificar sinais e sintomas precoces.
  • Acompanhar e orientar o tratamento.
  • Participar de campanhas educativas.

Doenças Transmissíveis em Detalhe

Meningite

Tipos

  • Bacteriana (mais grave): Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae.
  • Viral: Geralmente mais branda.
  • Fúngica: Comum em pacientes imunossuprimidos.

Sintomas, Transmissão e Prevenção

  • Sintomas: Febre, rigidez de nuca, dor de cabeça, vômitos, fotofobia, sonolência.
  • Transmissão: Secreções respiratórias.
  • Prevenção: Vacinação (meningocócica, pneumocócica), quimioprofilaxia de contato.

Atuação da Enfermagem

  • Identificação precoce dos sinais e sintomas.
  • Início rápido do tratamento e isolamento.
  • Suporte clínico e monitoramento rigoroso.
  • Educação em saúde em escolas e comunidades.

Arboviroses (Dengue, Chikungunya e Zika)

Dengue

  • Agente Etiológico: Vírus da Dengue (DENV 1, 2, 3 e 4 – Família Flaviviridae).
  • Transmissão: Picada do mosquito Aedes aegypti infectado.
  • Sintomas: Febre alta, dor de cabeça, dores musculares e articulares, manchas na pele, náuseas e vômitos.
  • Formas Graves: Febre Hemorrágica da Dengue e Síndrome do Choque da Dengue.
  • Diagnóstico: Testes clínicos e laboratoriais (sorologia, PCR).
  • Tratamento: Sintomático (hidratação e controle da febre); evitar AAS e anti-inflamatórios.
  • Prevenção: Combate ao mosquito (eliminação de criadouros), uso de repelente, roupas de manga longa e vacinação (Dengvaxia para casos específicos).

Chikungunya

  • Agente Etiológico: Vírus Chikungunya (CHIKV – Família Togaviridae).
  • Transmissão: Picada de Aedes aegypti ou Aedes albopictus.
  • Sintomas: Febre alta, dor intensa nas articulações (pode durar meses), manchas na pele, dores musculares e dor de cabeça.
  • Diagnóstico: Clínico, sorológico (IgM/IgG) e PCR.
  • Tratamento: Sintomático (analgésicos e anti-inflamatórios – exceto AAS), repouso e hidratação.
  • Prevenção: Sem vacinação; prevenção baseada no controle do mosquito.

Zika

  • Agente Etiológico: Vírus Zika (ZIKV – Família Flaviviridae).
  • Transmissão: Picada do Aedes aegypti, relação sexual, gravidez (transmissão vertical) e transfusão de sangue.
  • Sintomas: Febre baixa, olhos avermelhados, coceira, manchas na pele, dores musculares e articulares, conjuntivite.
  • Complicações: Síndrome de Guillain-Barré e Microcefalia Congênita.
  • Diagnóstico: Clínico, sorológico, PCR.
  • Tratamento: Sintomático (hidratação, analgésicos, repouso).
  • Prevenção: Controle de mosquitos, uso de preservativos, planejamento gestacional.

Hanseníase

  • Agente Etiológico: Mycobacterium leprae.
  • Transmissão: Contato direto e prolongado com secreções das vias aéreas de pessoas doentes e não tratadas.
  • Sintomas: Manchas na pele com perda de sensibilidade, fraqueza muscular, nódulos, deformidades.
  • Classificação: Paucibacilar (poucas lesões) ou Multibacilar (muitas lesões).
  • Diagnóstico: Clínico, testes de sensibilidade, baciloscopia, biópsia de pele.
  • Tratamento: Poliquimioterapia (PQT) gratuita pelo SUS.
  • Prevenção: Diagnóstico precoce, tratamento dos casos e avaliação dos contatos.

Tuberculose

  • Agente Etiológico: Mycobacterium tuberculosis (Bacilo de Koch).
  • Transmissão: Vias aéreas (tosse, espirros, fala de pessoas com tuberculose pulmonar ativa).
  • Sintomas: Tosse persistente (mais de 3 semanas), febre, suores noturnos, emagrecimento, cansaço, hemoptise (escarro com sangue em casos graves).
  • Diagnóstico: Baciloscopia, cultura, Teste Rápido Molecular (TRM-TB), Radiografia de Tórax.
  • Prevenção: Tratamento de casos ativos, vacinação BCG ao nascer, controle de contatos.

Perguntas Frequentes sobre Meningite

1. Como Definir Meningite?

Meningite é uma inflamação das meninges — membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Essa inflamação pode ser causada por agentes infecciosos (bactérias, vírus, fungos e parasitas) ou por processos não infecciosos (neoplasias e reações a medicamentos). A forma bacteriana é a mais grave e pode evoluir rapidamente para óbito se não for tratada precocemente.

2. Anatomia das Meninges e Consequências da Infecção

Camadas das Meninges

  • Dura-máter (mais externa): Resistente, aderida ao crânio.
  • Aracnoide (intermediária): Membrana fina, por onde circula o Líquido Cefalorraquidiano (LCR).
  • Pia-máter (mais interna): Ligada ao tecido cerebral.

O espaço subaracnóideo (entre a aracnoide e a pia-máter) é onde o LCR circula e é o local mais comum da infecção.

O que Acontece Durante a Infecção?

  1. O agente infeccioso entra no LCR por via hematogênica (sangue) ou contiguidade (infecção de ouvido, seios da face).
  2. Há uma resposta inflamatória com liberação de citocinas e recrutamento de leucócitos.
  3. Isso causa edema cerebral, aumento da pressão intracraniana, alterações neurológicas e risco de hérnia cerebral.

Resumo Mental: Infecção → Inflamação → Edema → Compressão → Complicações Neurológicas

3. Importância da Etiologia da Meningite

Tipos Etiológicos

  • Bacteriana: Meningococo, Pneumococo, Haemophilus influenzae.
  • Viral: Enterovírus, Herpesvírus.
  • Fúngica: Mais comum em imunossuprimidos.
  • Parasitária ou Não Infecciosa.

Pontos-Chave

  • A meningite bacteriana é uma emergência médica.
  • A meningite viral geralmente é autolimitada.
  • A etiologia define o tratamento e a conduta clínica.

4. Sinais de Alerta e Conduta Imediata na Suspeita de Meningite

  • Sintomas Clássicos: Febre, dor de cabeça intensa, rigidez de nuca, vômitos em jato, fotofobia, confusão mental.
  • Em Crianças Pequenas: Irritabilidade, fontanela saliente, recusa alimentar.
  • A evolução é rápida: Risco de sequelas neurológicas e óbito.
  • Conduta: Diagnóstico precoce (punção lombar e análise do LCR).
  • Isolamento imediato em casos suspeitos de etiologia bacteriana.

5. Orientação Comunitária em Caso de Meningite Isolada

  • Explique que o caso isolado requer atenção, mas não pânico.
  • Reforce a importância da higiene (lavar as mãos e evitar compartilhar itens pessoais).
  • Informar sobre os sinais de alerta e a importância de procurar atendimento médico imediato.
  • Incentivar o esquema vacinal completo (Meningocócica C, ACWY, B, Pneumocócica).
  • Orientar que, em casos de contato íntimo com o paciente, pode ser necessária quimioprofilaxia.

6. Cuidados de Enfermagem em Caso Hospitalar de Meningite

  • Isolamento respiratório por gotículas (máscara cirúrgica) por 24-48 horas após o início do antibiótico.
  • Monitoramento rigoroso dos sinais vitais e do nível de consciência.
  • Administração correta de antibióticos e controle da febre.
  • Manutenção da hidratação e controle da Pressão Intracraniana (PIC).
  • Prevenção de convulsões.
  • Registro detalhado dos cuidados e notificação obrigatória do caso.
  • Apoio e orientação à família sobre o prognóstico, isolamento e cuidados.
  • Utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) adequados.

7. Orientação sobre Vacinação em Escola Infantil

“Mãe, entendo perfeitamente a sua preocupação. A vacina contra meningite é uma forma eficaz de proteger o seu filho. Mesmo que este caso escolar tenha sido isolado, é fundamental manter a carteira de vacinação atualizada para a melhor prevenção.

As vacinas disponíveis — como Meningocócica C, ACWY e B — protegem contra diversas formas graves de meningite. Vamos verificar se o cartão de vacinação está completo. Recomendo entrar em contato com a unidade de saúde para obter orientações específicas.”

Entradas relacionadas: