Dom Quixote: Estrutura, Temas e Estilo — Resumo
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Dom Quixote: Estrutura
Estrutura externa: uma obra em duas partes
- A primeira parte
- Parte II
Estrutura interna: os personagens
- Dom Quixote
- Sancho Pança
- Dulcineia
- O bacharel Sansão Carrasco
- A sobrinha e a governanta de Dom Quixote
Temas
Dom Quixote inclui muitos temas que fazem deste romance vigente em qualquer lugar e época. Algumas das questões-chave na novela são as seguintes.
Crítica literária
Além de ser um livro sobre criações literárias, Dom Quixote pode ser considerado um tratado sobre crítica literária por vários motivos:
Em primeiro lugar, Dom Quixote é um homem com uma rica biblioteca, algo inusitado na época; a análise de seus livros mostra que seu conteúdo é anômalo porque contém sobretudo obras de cavalaria e outras literaturas que não eram comuns nas casas dos nobres, além de obras históricas e religiosas. A biblioteca do protagonista é quixotesca e funciona como um tratado sobre a literatura da época. Além disso, no romance há muitas discussões sobre os grandes problemas da criação literária, por vezes tratadas com profundidade e interesse, como no episódio do Cavaleiro da Capa Verde, e outras vezes ironicamente burlescas, como na aventura do primo.
Crítica social
Cervantes escolhe personagens diversos e, através deles e da galeria de figuras que aparecem nas aventuras, oferece um vislumbre do complexo quadro político, social e econômico.
No romance, todos os níveis sociais são amplamente representados e satirizados, com exceção — segundo o autor — da Igreja e da monarquia, que representam valores que ele considera absolutos.
O paradoxo barroco
O Barroco é um período em que os valores absolutos parecem, por vezes, falíveis.
O romance apresenta um retrato da vida que não corresponde totalmente à verdade num país que aparenta riqueza, mas que, na realidade, é pobre; as personagens vivem com alegria apesar do desapontamento.
O pensamento barroco reflete a fusão de valores opostos num mesmo elemento e a relatividade de princípios considerados absolutos. O paradoxo torna-se a espinha dorsal do sentido em todo o romance. Vemos isso refletido na escolha das personagens, bem como ao abordar questões como:
- • Loucura e sanidade: Dom Quixote é um intelectual enlouquecido por causa das leituras. Sua demência o coloca em incompatibilidade com o ambiente e o tempo em que vive, mas não impede um juízo perspicaz sobre a realidade. Suas opiniões, ditas por um louco, muitas vezes revelam-se criteriosas e sábias — algo que causaria estranheza se viesse da boca de uma pessoa considerada sã. Cervantes usa a figura do louco para julgar corretamente a realidade do seu tempo.
- • O ideal vs. o real: Um dos temas mais significativos do romance é a luta entre aquilo que a pessoa deseja viver e aquilo que a realidade a obriga a experimentar. Ao longo de toda a obra, o ideal de Dom Quixote é constantemente conflitante com a realidade. É, em essência, a história de alguém cujos sonhos são desfeitos pela dureza da vida e pelo passar do tempo.
- • Utopia: conflito entre a realidade e os sonhos.
Estilo
Do ponto de vista da técnica narrativa, Dom Quixote marca o nascimento do romance moderno. A descoberta fundamental de Cervantes é ter alcançado a harmonia entre ficção e realidade; por exemplo, na segunda parte aparecem personagens que leram a primeira e são conhecidos tanto pelos leitores quanto pelos próprios personagens.
Técnica narrativa
A complexidade do romance baseia-se em grande parte no narrador e no conjunto de perspectivas que Cervantes utiliza para contar a história. Há ao menos três narradores diferentes na história de Dom Quixote:
- • No início da obra, o autor afirma ter baseado a história de Dom Quixote em documentos que recolheu em arquivos antigos. Esse documento teria servido de base para os acontecimentos do oitavo capítulo da novela.
- • Cervantes explica, por acaso, que encontrou um manuscrito árabe que contém a continuação da história. O autor desse manuscrito é Hamete Benengeli, o que introduz um segundo narrador.
- • Cervantes relata ter contratado um mouro para traduzir o manuscrito árabe, de modo que o texto lido seria uma tradução do original. Assim surge um narrador em terceira instância: o tradutor.
Observa-se uma diferença na técnica narrativa empregada em cada parte:
- • Na primeira parte, os episódios ocorrem de forma episódica — as fábricas, os condenados, a cabreiros, etc. — e contos são intercalados, histórias independentes que não estão diretamente relacionadas ao enredo principal. Esta parte é mais complexa pela sobreposição de vozes narrativas.
- • A segunda parte apresenta uma construção linear do enredo; as histórias intercaladas desaparecem em favor de maior continuidade.
A linguagem e o estilo
As características linguísticas que Cervantes usa incluem, entre outras:
- • Diálogo. Estilisticamente, a novela é baseada no diálogo entre personagens, que revela modos de ser e de pensar. Cervantes faz com que as personagens falem de acordo com seu estatuto social: Dom Quixote usa o linguajar da cavalaria; Sancho, que não sabe ler nem escrever, utiliza a linguagem popular, cheia de provérbios e imprecisões. A novidade de Cervantes foi criar personagens autônomos, humanos, que constroem sua própria linguagem por meio do diálogo.
- • Neologismos. Cervantes reconhece que a língua é viva e aposta na renovação vocabular, aceitando novas palavras cuja adoção dependerá do uso.
- • Ironia. O humor de Cervantes é gentil, compassivo em relação às falhas humanas. Não é um humor mordaz, mas surge como resposta ao desespero. O humor em Dom Quixote interpreta a própria vida de Cervantes e a realidade de sua época. O romance é também um exercício de estilo que demonstra a habilidade artística do autor, combinando características dos diversos gêneros narrativos do tempo.
Gêneros e referências presentes na obra
- • Ciclo da cavalaria (presente na trama principal da novela).
- • A pastoral (refletida em muitas referências ao longo do romance, especialmente em episódios como o de Crisóstomo e Marcela).
- • Histórias de estilo italiano, curtas (muitas histórias estão embutidas na primeira parte, por exemplo a do "Curioso").
- • A picaresca (presente, por exemplo, no episódio em que Dom Quixote fala do remo nas galés).
- • O romance sentimental.
- • A história dos Mouros.
- • Sexo e doutrina (referências a temas morais e eróticos).
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