Domesticação de Plantas: Mecanismos, Centros de Origem e Síndrome
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Mecanismos da Evolução Natural
A natureza sempre foi uma "melhorista". Tendo como mecanismos principais: mutação gênica; recombinação; seleção natural; isolamento reprodutivo e fluxo gênico.
Fatores que Influenciam a Domesticação
- Climáticos: necessidade de estações bem definidas.
- Ecológicos: espécies invasoras, oportunistas e colonizadoras que se adaptaram próximo às moradias (alterado pelo homem).
- Taxonômicos: número de famílias domesticadas é baixo, mas todas tinham características de invasoras.
- Fisiológicos: espécies domesticadas apresentam grandes quantidades de reserva (sementes, raízes e tubérculos).
Centros de Origem e Diversidade
Estabelecer os centros de origem é uma das principais dificuldades relacionadas com a domesticação de plantas.
- Centros Nucleares: locais onde a agricultura começou.
- Regiões de Diversidade: áreas onde as plantas domesticadas se espalharam a partir dos centros nucleares e onde outras culturas surgiram, por seleção consciente ou não. Equivalem aos centros de Vavilov.
- Centros Secundários: locais onde poucas plantas tiveram origem (1 ou 2). Ex.: Nova Guiné (cana-de-açúcar), Brasil (mandioca e abacaxi) e Estados Unidos (girassol).
Centros de Origem: área geográfica limitada onde uma cultura foi domesticada e de onde foi distribuída para outras regiões do mundo.
Não-Centros de Origem: área geográfica ampla onde uma espécie cultivada pode ter sido domesticada simultaneamente em diversos locais diferentes.
Definição de Domesticação
Domesticação é o conjunto de mudanças morfológicas e fisiológicas, determinadas geneticamente, que acontecem às plantas em resposta ao comportamento humano.
Domesticação é o resultado de mudanças genéticas que evoluíram devido ao cultivo.
Tipos de Domesticação
- Incidental: seleção inconsciente de acordo com o consumo humano (sociedade não-agrícola) - relação entre humanos e ambiente.
- Especializada: primeiras plantas domesticadas, interações de ambiente e pessoas. Homem: principal dispersor de sementes – dependentes das plantas, as quais só sobrevivem com o manejo humano (proteção, armazenagem e plantio).
- Agrícola: estabelecimento e refinamento dos sistemas agrícolas de produção (ainda em andamento) - tendência no aumento da produtividade.
A busca de alimento em plantas levou a mudanças no cultivo:
- Busca de Alimento em Plantas Cultivo com limpeza da área e preparo do solo em larga escala.
- Agricultura Baseada em cultivares, com maior trabalho dispensado ao cultivo e manutenção de estruturas.
- Diminuição da dependência de plantas selvagens.
- Aumento no esforço reprodutivo.
- Frutos e/ou Sementes maiores.
- Germinação mais rápida e uniforme.
- Amadurecimento mais uniforme.
- Frutos e sementes não deiscentes.
- Auto-polinização.
- Tendência a serem anuais.
Outras mudanças incluem:
- Aumento na palatabilidade.
- Mudanças na coloração.
- Perda de estruturas de defesa.
- Aumento em adaptação local.
Síndrome de Domesticação
Síndrome de Domesticação: Conjunto de características morfológicas e fisiológicas que distinguem as plantas cultivadas de seus ancestrais silvestres, sendo o resultado da domesticação.
- Supressão de mecanismo de dispersão de sementes - em cereais é a principal modificação, tornando-a dependente do homem.
- Modificações de forma: alometria e condensação - mudança na forma (couve silvestre) e encurtamento de nós e entrenós (espiga de milho e inflorescência do girassol).
- Germinação mais rápida e uniforme - lentilhas, reduziu a competição entre plantas.
- Sincronismo no florescimento e na maturação - amadurecimento no arroz e florescimento no trigo.
- Mudanças bioquímicas (perda de substâncias amargas e tóxicas).
- Gigantismo de órgãos - seleção de estruturas maiores e eventos de poliploidização de algumas espécies. Aumento no peso do grão de trigo e da sua área foliar.
- Ciclo de vida e sistemas de hibridação - reduzido de perene para anual, o algodão que começou a ser cultivado além da zona temperada.
Planta Cultivada x Planta Selvagem
Além disto, plantas cultivadas tendem a ter certas características que as distinguem das plantas selvagens: plantas mais robustas; frutos e/ou sementes maiores; perda dos meios naturais de disseminação de sementes; florescimento uniforme; redução de substâncias amargas ou tóxicas; maturação mais precoce.