Educação Física Escolar: Conceitos, Teorias e a Habilidade de Rebater

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LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional

Art. 43. Finalidades da Educação Superior

A educação superior tem por finalidade:

  1. Estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo;
  2. Formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua;
  3. Incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura;
  4. Promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação;
  5. Suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração;
  6. Estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade.

Finalidade da Educação Física Escolar (EFE)

  • Disseminar conhecimentos historicamente produzidos e sistematizados relativos à Cultura Corporal de Movimento. O jogo, o esporte, a dança, a ginástica e o exercício têm estado presentes em muitas abordagens propostas ao longo das últimas décadas em nosso país como conteúdos principais da Cultura Corporal de Movimento.
  • Esses conhecimentos correspondem a um patrimônio cultural que deve ser socializado na EFE, com vistas a atender a uma educação escolarizada.

Teorias Educacionais da Educação Física

  • Início Século XX: Eugenismo, Higienismo, Militarismo.
  • 1940 – 1979: Tecnicismo.
  • 1980: Rendimento e Performance, Desenvolvimentista.
  • 1990: Construtivista, Cultura Corporal de Movimento.
  • 1994 até o presente: Psicomotricidade, Cultural, Crítico-Emancipatória, Jogos Cooperativos, Saúde Renovada, PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais).

Divisão das Atividades: Brincadeira, Jogo e Esporte

Brincadeira
É qualquer atividade espontânea, voluntária, sem regras fixas, que provoca prazer e diversão. É uma atividade que se esgota em si mesma, não havendo preocupação com resultados ou com recompensas extrínsecas, como, por exemplo, fama e dinheiro. É o brincar por brincar. Em resumo, é a mais lúdica das atividades. (Ex.: brincar de bola no quintal).
Jogo
Verificamos a priori a sistematização de regras fixas. Sempre que a brincadeira começa a estipular regras para a sua prática, ela se transforma em jogo. Os jogos são divididos em:
  • Jogos não competitivos (ex.: pique-esconde)
  • Jogos competitivos (ex.: xadrez, pingue-pongue).
Esporte
É qualquer competição que inclua uma medida importante de habilidade física e que esteja subordinada a uma organização mais ampla que escape ao controle daqueles que participam ativamente (jogadores e torcedores) da ação. O elemento da disputa física e da competição são características do esporte. (Helal, 1994).

Conceito de Jogo (Huizinga)

É uma atividade desligada de todo e qualquer interesse material, com a qual não se pode obter qualquer lucro, praticada dentro de limites espaciais e temporais próprios, segundo certa ordem e certas regras.” (HUIZINGA, 2007, p. 16).

Características do Jogo

  • O jogo é livre e é próprio da liberdade, jamais deve ser imposto.
  • Significa sair da vida real para uma esfera temporária de atividade.
  • Mesmo após seu término, ele é conservado na memória, podendo tornar-se tradição.
  • O jogo cria ordem, introduzindo no mundo imperfeito, mesmo por tempo limitado, uma ordem.
  • O espírito de competitividade existe, mas deve-se respeitar as regras do jogo.

Função dos Jogos no Processo Educativo

A função do jogo no processo socioeducativo consiste, portanto, em potencializar a construção de estratégias a fim de que a criança possa compreender melhor o mundo que a rodeia por meio da própria experimentação. Como afirma Parmentier apud Duflos (1999): “acredita-se estar jogando / está-se instruindo”.

Desafios na Organização do Ensino da Cultura de Movimento

Questionamento Central

Como organizar o ensino desse patrimônio cultural de modo a garantir uma aprendizagem significativa para o aluno?

Go Tani (2002) propõe que esses conhecimentos poderiam ser organizados em três aprendizagens relativas à Cultura de Movimento:

  1. Aprendizagem do Movimento;
  2. Através do Movimento;
  3. Sobre o Movimento.

No entanto, a aprendizagem do movimento é um processo complexo que requer longo tempo e quantidade de prática. Como promover isso dentro da realidade das aulas de Educação Física?

Solução Proposta: O Conhecimento sobre a Qualidade do Movimento

Uma possível solução foi apresentada por Go Tani: o conhecimento sobre como melhorar a qualidade do movimento. Conhecer isso significa ser capaz de identificar os processos e procedimentos essenciais à aquisição de habilidades motoras, por meio de dicas verbais.

O processo de melhoria da qualidade do movimento ou a aquisição de habilidades motoras é o objeto de estudo do campo de investigação denominado Aprendizagem Motora, que possui um longo histórico de pesquisas realizadas.

A Habilidade de Rebater

A habilidade de rebater refere-se à ação de propulsão de um objeto, utilizando diretamente o próprio corpo ou um implemento.

Quando a propulsão se dá em relação a um objeto em movimento, o desafio para o aprendiz é perceber a trajetória e o timing de deslocamento do objeto, de modo a executar a ação motora no tempo correto.

De acordo com Tani et al. (1988), rebater “é coordenar os segmentos de seu corpo mais o implemento”, onde a criança aguça sua noção espaço-tempo, tendo que ter um rápido e preciso julgamento da trajetória do objeto, da maneira de iniciar a resposta num tempo hábil.

Considerando que a habilidade de rebater/jogos de rebater refere-se à ação de propulsão de um objeto, utilizando diretamente o próprio corpo ou um implemento, quais são as possíveis modalidades/práticas esportivas relacionadas?

Fatores que Influenciam a Habilidade de Rebater

Gallahue et al. (2010) destacam dois fatores que influenciam o rebater:

  1. A focalização e o rastreamento da trajetória do objeto (uma bola, por exemplo);
  2. Velocidade máxima do movimento no instante da rebatida.

O Ensino da Habilidade de Rebater no Contexto Escolar

  1. Configura-se como habilidade manipulativa que representa ação motora com profundos significados no processo evolutivo do ser humano;
  2. É habilidade requerida em graus crescentes de complexidade, nas diferentes manifestações da Cultura de Movimento;
  3. É habilidade que requer informações que permitem ao aluno vislumbrar o como aprendê-las;
  4. Nessa habilidade, depara-se com dificuldades de execução que passam por demandas perceptivas e motoras.

A Eficácia da Dica Verbal no Ensino da Habilidade de Rebater

Exemplo de dica verbal: “Olho na Bola”

A dica verbal perceptiva funciona como um conhecimento que orienta os alunos sobre como melhorar o movimento na perspectiva da aprendizagem motora. Nesse sentido, a dica se configura como um saber escolar em potencial, cujo ensino pode contribuir para o aluno construir um conhecimento significativo para a aprendizagem do movimento.

A Perspectiva dos PCNs e a Função dos Jogos de Rebater

Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de Educação Física (2001)

Os PCNs de Educação Física do Ensino Fundamental (2001) afirmam que:

  • “Nos jogos, ao interagirem com os adversários, os alunos podem desenvolver o respeito mútuo, buscando participar de forma leal e não violenta.”
  • “Confrontando-se com o resultado de um jogo [...] permitindo a vivência e o desenvolvimento da capacidade de julgamento de justiça (e de injustiça). Principalmente nos jogos, em que é fundamental que se trabalhe em equipe, a solidariedade pode ser exercida e valorizada [...]”

Isso reforça a importância da Educação em Valores.

Funções dos Jogos de Rebater nas Aulas de Educação Física Escolar

  • Para Brotto (1999), o jogo é um meio para o desenvolvimento integral do ser humano e de aprimoramento da qualidade de vida.
  • Quando o conteúdo for jogos de rebater nas aulas de Educação Física, devemos ter o cuidado de não colocar os alunos a jogar simplesmente para existir um ganhador ou perdedor. É essencial que, através do jogo, se busque o crescimento do aluno como pessoa e ser humano, que ele seja motivado para a aula, que participe do grupo, que se sinta valorizado e acolhido em todos os momentos, com oportunidade de livre expressão, respeitando suas limitações e valorizando suas experiências.

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