Educação Médica: Formação, Especialização e Tendências
Classificado em Formação e Orientação para o Emprego
Escrito em em
português com um tamanho de 7,95 KB
A educação médica é o processo relacionado à formação inicial para se tornar um profissional médico, ocorrendo inicialmente em uma faculdade de medicina, bem como o treinamento adicional posterior à graduação (por exemplo, a residência médica), geralmente realizado em hospitais.
A estrutura da educação médica varia consideravelmente em todo o mundo. Várias metodologias de ensino têm sido utilizadas na educação médica, que é uma área ativa de pesquisa em educação.[1]
Ensino de graduação
O nível de entrada para a educação médica ocorre em nível terciário (também chamado de pós-secundário ou superior), através de cursos realizados em um programa ou escola de medicina. Dependendo da jurisdição e da universidade, estes cursos podem ser de graduação (na maior parte da Europa, Ásia, América do Sul e Oceania) ou de pós-graduação (principalmente na Austrália e na América do Norte). Algumas jurisdições e universidades oferecem tanto a entrada através da graduação quanto através de programas de pós-graduação (por exemplo, a Austrália e a Coreia do Sul).
Em geral, a formação inicial é realizada na escola de medicina. Tradicionalmente, o curso de medicina é dividido em estudos pré-clínicos e estudos clínicos:
- Estudos pré-clínicos: Consistem em ciências básicas, como genética, anatomia, fisiologia, bioquímica, farmacologia e patologia, que ocupam os primeiros dois ou três anos do curso.
- Estudos clínicos: Consistem no ensino nas diversas áreas da clínica médica, tais como medicina interna, pediatria, obstetrícia e ginecologia, psiquiatria, clínica geral e cirurgia, ocorrendo nos últimos anos da faculdade.
Contudo, embora a maioria das faculdades ofereça programas de estudo baseados em currículos desse tipo, há iniciativas em que a aprendizagem é integrada verticalmente ao longo do curso. Um número crescente de estruturas curriculares de faculdades de medicina utiliza o modelo de Aprendizado Baseado em Problemas (PBL - Problem Based Learning).
Tem havido uma proliferação de programas de educação médica que combinam a formação médica com a pesquisa (mestrado ou doutorado) ou com programas de gestão (MBA), embora isso tenha sido criticado, pois uma interrupção longa dos estudos clínicos tem demonstrado um efeito prejudicial sobre o conhecimento clínico em si.[2]
Ensino de pós-graduação
Após a conclusão do nível de formação inicial, em alguns países, os médicos recém-graduados muitas vezes são obrigados a realizar um período de estágio supervisionado de prática antes de obter o licenciamento para praticar a medicina; geralmente com um ano de duração.
No entanto, o mais comum é que, voluntariamente, se o médico pretende obter o título de especialização em alguma área da medicina, ele ou ela realize em seguida uma formação prática de pós-graduação, chamada de residência. Em alguns países, como no Brasil, ela pode ser iniciada imediatamente após a conclusão da formação médica de graduação, enquanto em outras jurisdições exige-se que o médico recém-formado faça uma formação de médico generalista (clínica médica geral) por um ou mais anos antes de começar uma especialização.
A teoria da educação em si está se tornando parte integrante da pós-graduação na formação médica. Qualificações formais na educação também estão se tornando a norma para educadores das faculdades de medicina, que são cada vez mais responsáveis por seus alunos.
Educação médica continuada
Na maioria dos países, a Educação Médica Continuada (EMC) é exigida para a continuidade do licenciamento para praticar a medicina.[3] Os requisitos para EMC variam de estado para estado e de país para país. Nos EUA, a acreditação é supervisionada pelo Accreditation Council for Continuing Medical Education. A educação médica continuada geralmente é praticada, e créditos educacionais são atribuídos aos médicos que assistem a palestras, congressos, cursos e outras atividades de aperfeiçoamento do desempenho e conhecimento.
No Brasil, a educação médica continuada foi regulamentada pela Associação Médica Brasileira (AMB) a partir de 2001, conferindo pontuação para créditos de educação continuada a médicos que exerçam atividades educacionais reconhecidas e credenciadas pelo Conselho Nacional de Acreditação. No entanto, embora tivesse sido inicialmente tornada obrigatória pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para médicos com título de especialização pela AMB a partir de 2007, posteriormente essa disposição foi revogada, e hoje permanece como uma atividade voluntária.
Aprendizagem on-line
Está se tornando cada vez mais comum na educação médica em todo o mundo que as atividades de EMC sejam apoiadas pelo ensino on-line, geralmente dentro de sistemas de gestão de aprendizagem (LMSs) ou ambientes virtuais de aprendizagem (VLEs).[4][5]
Áreas de pesquisa em educação médica on-line incluem aplicações práticas com simulação de pacientes virtuais e prontuários eletrônicos virtuais.[6]
A integração com a política de saúde
Como profissionais de saúde intervenientes no domínio dos cuidados de saúde, a prática da medicina (diagnóstico, tratamento e acompanhamento da doença) é diretamente afetada pelas mudanças em curso nos planos nacionais, regionais e locais de política e economia de saúde.[7]
Há um crescente apelo para que os programas de formação profissional não só adotem de forma mais rigorosa o ensino de políticas de saúde, educação e treinamento de lideranças,[8][9][10] como passem a aplicar mais amplamente o ensino dos conceitos e da execução das políticas de saúde, informando os estudantes sobre a equidade em saúde e a redução das disparidades sociais.[11][12]
Infelizmente, tem sido notado um aumento da mortalidade e morbidade que pode ser atribuído a fatores como:
- Assistência médica: acesso a seguros-saúde e qualidade dos cuidados;
- Comportamento individual: fumo, dieta, exercício e comportamentos de risco;
- Causas socioeconômicas: pobreza, desigualdade e segregação;
- Ambiente físico: habitação, transporte e planejamento urbano.
Os profissionais médicos ocupam uma posição única para influenciar a opinião e a política de pacientes, administradores e legisladores.[14] Uma pesquisa de 2010 nos EUA demonstrou que, embora 94% das escolas médicas tivessem alguma forma de educação sobre políticas de saúde, apenas 24% tinham cursos diretos sobre o tema.[15]
Para integrar a política de saúde à educação médica, recomenda-se a adoção de um currículo nacional padronizado focado em quatro grandes domínios:
- Sistemas e princípios: financiamento, modelos de gestão e força de trabalho;
- Qualidade e segurança: métricas de resultados e segurança do paciente;
- Valor e capital: economia médica e disparidades de saúde;
- Política e lei: legislações, erros médicos e imperícia.
Apesar de limitações como restrições de tempo e necessidade de equipe interdisciplinar, programas pioneiros já existem em faculdades e residências médicas.[18][19] Nos Estados Unidos, isso implica a coordenação de entidades como o ACGME (Accrediting Council for Graduate Medical Education).[20]