Efeitos do Clareamento Dental na Microinfiltração em Resinas
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Hemorragia pulpar, decomposição do tecido pulpar necrótico, bactérias, medicação intracanal, material de obturação, medicação sistêmica, material restaurador e falha na remoção do remanescente pulpar constituem as principais causas intrínsecas de alteração da cor natural dos dentes20,31.
O primeiro relato sobre clareamento de dentes escurecidos com tratamento endodôntico data de 185012 e, desde então, uma variedade de técnicas e medicamentos empregados têm sido sugeridos, com destaque para os trabalhos de Spasser27, 1961 e Nutting & Poe24, 1963, que procuraram minimizar o efeito cáustico e cumulativo da combinação perborato de sódio/peróxido de hidrogênio, substituindo a solução de peróxido de hidrogênio por água.
A associação do “Composto de Bowen”, bisfenol A-glicidil metacrilato, com a técnica do condicionamento ácido do esmalte, introduzido por Buonocore6 em 1955, estabeleceu, definitivamente, uma nova filosofia restauradora, principalmente no que diz respeito à busca da excelência quanto ao vedamento marginal.
Por outro lado, além de provocar alterações na superfície do esmalte18,26, o tratamento clareador pode alterar importantes propriedades das resinas compostas como a lisura superficial5, resistência ao cisalhamento13, microdureza2, resistência à tensão diametral9, entre outras.
Não obstante, o tratamento clareador pode diminuir a resistência de união das resinas compostas à estrutura dental, acarretando falha no vedamento marginal e, consequentemente, infiltração marginal3,11.
Assim, o propósito deste estudo foi avaliar o selamento de restaurações de resina composta, quando sistemas adesivos que empregam diferentes tratamentos da estrutura dental são utilizados, após a técnica de clareamento dental.
Após limpeza e raspagem das raízes com curetas periodontais e profilaxia da coroa com pedra pomes e água, os dentes foram armazenados em recipientes contendo água e levados ao freezer a –18ºC, por um período máximo de vinte dias1.
Em cada dente foram confeccionadas, nas superfícies vestibular e lingual, cavidades de classe V com dimensões padronizadas (3mm no sentido mésio-distal, 2mm no sentido cérvico-oclusal e 2,5mm de profundidade), utilizando-se ponta diamantada nº 4137 (K.G.
Co.), variando-se o sistema adesivo: nas cavidades vestibulares realizou-se condicionamento com ácido fosfórico 37% (30 segundos em esmalte14 e 15 segundos em dentina) seguido da aplicação de sistema adesivo Scotchbond Plus (3M.
Um dia após a realização das restaurações, período durante o qual as amostras permaneceram mais uma vez em umidade 100%, realizou-se o acabamento e polimento com disco de lixa Soflex (3M Co.) de granulação média.
Os ápices radiculares foram vedados com adesivo e resina composta, sendo posteriormente os dentes impermeabilizados com três camadas de esmalte para unhas em todas as superfícies, com exceção de 1mm próximos às margens cavitárias.
Em seguida, os dentes foram embutidos em resina acrílica e, depois, seccionados no sentido vestíbulo-lingual em cortadora de baixa velocidade (Labcut 1010 – Extec Co.) com disco diamantado, dividindo ao meio as restaurações realizadas.
A adesão à dentina, relacionada diretamente ao vedamento canalicular, tem evoluído permanentemente, mas ainda permanece um desafio para o clínico em função da sua heterogeneidade (fluido dentinário, prolongamentos odontoblásticos, esclerose dentinária, colágeno e smear layer).
Co.), têm como característica o tratamento da dentina com um ácido forte, que pode provocar grande desmineralização dentinária e desnaturação das fibras colágenas que, embora não comprometa a adesão imediata, pode comprometê-la a longo prazo16.
Os sistemas adesivos de quinta geração, autocondicionantes, também promovem a hibridização, mas de uma forma diferente: um primer acidulado é aplicado para tratamento do esmalte e dentina, simultaneamente, permeabilizando a smear layer e provocando pouca desmineralização dentinária.
Existe um consenso que a eficiência dos sistemas adesivos no controle da microinfiltração representa um dos grandes avanços da dentística restauradora na última década, sendo amplamente pesquisado na literatura.
Alterações microestruturais no esmalte e dentina, subprodutos residuais do agente clareador, tempo de aplicação e concentração, tempo e técnica de neutralização do pH podem comprometer a eficiência do vedamento marginal e canalicular, culminando com a microinfiltração e o insucesso do trabalho.
Sung et al.28, 1999, avaliaram o efeito de três sistemas adesivos, Optibond, Allbond II e One-step, na resistência ao cisalhamento de uma resina composta híbrida após tratamento do esmalte com peróxido de carbamida 10%.
Os resultados mostraram que não houve diferença estatisticamente significante na resistência de união do sistema adesivo Optibond (base de álcool) aplicado ao esmalte tratado ou não com o agente clareador.
Segundo Garcia-Godoy et al.13, 1993, a baixa resistência de união dos sistemas adesivos ao esmalte após clareamento dental é devida, em parte, a alterações químicas no esmalte que interferem na técnica de condicionamento ácido.
Quanto ao controle da microinfiltração, Hannig et al.15, 1999, não encontrou diferença estatisticamente significante entre sistemas adesivos em que há necessidade de condicionamento ácido total e sistemas autocondicionantes, resultados estes, semelhantes aos encontrados no presente estudo, que, além de verificar a ausência de diferenças estatísticas nos dois grupos pode ainda observar a ineficiência dos dois sistemas adesivos no controle da infiltração após procedimento clareador com perborato de sódio e água.
Segundo Crim8, 1992, que analisou o efeito do clareamento pré-restaurador, na microinfiltração de restaurações de classe V com resina composta, utilizando os sistemas adesivos Scotchbond 2 (3M Co.) e Prisma Universal Bond 3 (LD Caulk Co.), a realização do preparo cavitário após a exposição dos dentes ao agente clareador, foi determinante para a ausência de diferenças estatísticas na microinfiltração entre os grupos expostos ou não ao clareamento, pois removeu a camada superficial do esmalte afetada pelo tratamento.
Ainda confirmando esta hipótese, Cvitko et al.10, 1991, verificaram que o desgaste do esmalte superficial após o clareamento aumentou a resistência de união a valores próximos aos obtidos no grupo controle.
Observaram ainda, em microscópio eletrônico de varredura, que a concentração do agente clareador está diretamente relacionada às alterações ocorridas na superfície do esmalte, confirmando o trabalho de Titley et al.29, 1992, que verificaram que a utilização de agentes clareadores em concentrações elevadas e por um longo período pode comprometer a estrutura do esmalte bovino e a resistência de união dos sistemas adesivos.
Entretanto, Haywood et al.17, 1990, e Murchison et al.23, 1992, verificaram que a aplicação de agentes clareadores por períodos curtos não afetou significantemente a microdureza superficial do esmalte ou a sua capacidade de adesão e, Wolff et al.32, 1991, demonstraram diminuição da resistência de união após clareamento com peróxido de carbamida, mesmo em baixa concentração (10%).
Como é de conhecimento geral, a polimerização do sistema adesivo e da resina composta pode ser inibida pela presença do oxigênio, comprometendo o vedamento marginal e favorecendo o início do processo de microinfiltração.
Segundo Dishman et al.11, 1994, a resistência de união retorna aos valores apresentados no grupo controle sem exposição ao agente clareador, 24 horas após o término do clareamento.
Miles et al.22, 1994, e Carrillo et al.7, 1998, consideram que esta resistência volta ao normal após duas semanas do término do clareamento, concordando com Torneck et al.30, 1991, que observaram que se após o tratamento do esmalte com peróxido de hidrogênio 35%, os dentes forem imersos em água por sete dias, não ocorre redução na resistência à união das restaurações.