Eficácia Pedagógica e Didática no Treino Desportivo

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Pode-se afirmar que toda a atividade do treinador tem uma matriz de natureza pedagógica. Só a adequada combinação entre competência técnica e competência pedagógica é suscetível de conferir eficácia à intervenção do treinador. O que é a didática? A didática é descrita como ciência auxiliar da pedagogia que se ocupa do estudo dos métodos e técnicas de ensino. Pedagogia e didática são indissociáveis, constituindo duas faces da mesma moeda: a atividade do treinador.

A pedagogia é toda a ação que visa influenciar um indivíduo ou grupo de indivíduos em função de um ou vários objetivos. A pedagogia e a didática têm como objeto de estudo os conhecimentos que o treinador deve possuir para, a seguir, dominar o conteúdo da matéria (o jogo) e ser capaz, através da instrução, de fomentar uma aprendizagem segura ao atleta. As “boas práticas” no desporto são condicionadas pelo sistema de valores (filosofia) do treinador, na medida em que o pensamento determina a natureza da sua ação e comportamento.

Sistema de valores: a forma como intervém no treino e na competição; como transmite conhecimentos; como reage às situações com que se confronta; e como se relaciona com todos os intervenientes na prática desportiva.

Justifique a afirmação: "As preocupações didáticas contribuem para a eficácia da intervenção pedagógica."

As preocupações didáticas são essenciais para a eficácia da intervenção pedagógica, pois envolvem o planejamento adequado das aulas, a escolha de metodologias apropriadas e a adaptação de conteúdos às necessidades dos alunos. Elas garantem a organização do ensino e o uso de estratégias que favoreçam o aprendizado. Além disso, essas preocupações permitem a avaliação contínua do progresso dos alunos, possibilitando ajustes conforme necessário. Assim, uma intervenção pedagógica bem estruturada resulta em melhores resultados de aprendizagem.

Planear – Comunicar: O treinador “pensa” que o aluno/atleta sabe e compreende o que afirma e pretende para um determinado exercício; contudo, inúmeras vezes, o que o aluno faz é por imitação e, depois, a frequência com que realiza o movimento aporta melhorias. O que se pretende é que o aluno compreenda o jogo e o procure melhorar. Deve tomar consciência de que isolar alguns momentos (técnicas, táticas) maximiza a sua atenção, o que resultará num melhor desempenho.

Critérios de Sucesso:

  • Critérios de Eficácia: para que o atleta saiba avaliar imediatamente a sua prestação.
  • Critérios de Eficiência: permitem ao treinador identificar a qualidade da prestação e promover os feedbacks adequados.
  • Palavras-Chave (PChave): Identificam os comportamentos que pretendemos que os atletas persigam e servem de orientação aos feedbacks a emitir. Decorrem da formulação das componentes críticas.

Objetivos da Iniciação Desportiva

  1. Desenvolver o gosto pelo desporto;
  2. Regular as expectativas dos praticantes;
  3. Promover o desenvolvimento físico e corporal equilibrado e harmonioso numa base multilateral (de preparação geral);
  4. Promover a aprendizagem e o aperfeiçoamento dos conteúdos técnicos ou técnico-táticos da modalidade.

Os objetivos de cada unidade de treino devem ser extraídos dos objetivos previamente determinados pelo(a) treinador(a) e descritos no plano anual.

1. Execução e Avaliação

Selecionar exercícios simples e de fácil organização que promovam, tanto quanto possível, o envolvimento simultâneo da totalidade dos praticantes, evitem tempos de espera significativos e garantam uma frequência de intervenção satisfatória e recompensadora a cada um deles. Os exercícios de treino valem pelos seus objetivos e correspondentes conteúdos e não tanto pela sua forma (organização). É relevante ter em atenção que a preocupação na seleção da exercitação não se centre, exclusivamente, na realização de um número mais elevado de repetições, mas também na qualidade da execução. Mais repetições não significam, necessariamente, melhor aprendizagem.

  1. Conferir diversidade às unidades de treino pela utilização de diferentes meios para concretizar os mesmos objetivos, assim como pelo progressivo aumento de dificuldade das tarefas ao longo da época.
  2. Definir a seleção e estruturação dos conteúdos (progressões pedagógicas) em função da complexidade e grau de risco da(s) tarefa(s), da idade e do nível de competência do(s) praticante(s) e dos constrangimentos impostos pelo contexto de prática de cada modalidade.
  3. Integrar no modelo de preparação, sempre que possível e quando for adequado, exercícios dinâmicos que envolvam criteriosamente graus diversos de competição. Neste plano, os desafios mais estimulantes para as idades abrangidas pela Iniciação/Orientação, quer individualmente, quer em grupo, são: "QUEM É CAPAZ DE...?", "QUEM FAZ MELHOR...?", "QUEM MELHOROU MAIS...?"
  4. Prever os períodos de informação pedagógica adequados aos objetivos da sessão, reduzindo o tempo utilizado ao indispensável e útil. Enquadra-se neste procedimento a preparação e simulação da explicação/demonstração.
  5. Prever os períodos de informação pedagógica adequados aos objetivos da sessão, reduzindo o tempo utilizado ao indispensável e útil. Enquadra-se neste procedimento a preparação e simulação da explicação/demonstração, utilizando sinais auditivos e visuais de interrupção e reunião, que todos conheçam e identifiquem rápida e facilmente.

“Construção” da Unidade de Treino

O planeamento da unidade de treino envolve duas fases fundamentais: o diagnóstico do contexto da sua aplicação e, na sequência deste, a previsão, em termos organizativos, dos seus principais episódios.

  1. Harmonizar a estabilidade (exercícios conhecidos) com a inovação (novos exercícios) no sentido de compatibilizar a rentabilização do tempo de treino com o combate à instalação da monotonia.
  2. Evitar introduzir demasiados exercícios novos numa mesma sessão, sobretudo se exigirem aprendizagem da sua organização (forma).
  3. Incluir na primeira metade da parte principal da unidade de treino, quando o sistema nervoso central ainda não está fatigado, as tarefas de aprendizagem ou de aperfeiçoamento que exigem uma capacidade de concentração elevada.
  4. Formar grupos de aprendizagem de acordo com os objetivos da preparação e das características dos exercícios selecionados.
  5. Prevenir a ocorrência de acidentes: Um acidente, para além das suas consequências, é sempre, sobretudo neste nível etário, um momento de perturbação do decorrer normal do treino. Para minimizar a ocorrência de acidentes, e sendo a previsão a principal forma de regulação, o(a) treinador(a) deve ter, no plano organizativo, para além da obrigação de verificar os materiais, equipamentos e espaços de prática, alguns cuidados ao planear a unidade de treino.

Demonstração da Tarefa

  1. Garantir, em todos os episódios de informação, pela posição que ocupa e pela forma de dispor os praticantes no espaço da sessão, que treinador e praticantes se veem e ouvem mutuamente.
  2. Reduzir as fontes de distração: evitar colocar os praticantes de frente para o sol, para a excessiva luminosidade ou para outros grupos em atividade.
  3. Esperar que se tenha criado um ambiente sereno e que todos os praticantes estejam atentos.
  4. Usar uma linguagem clara, simples e objetiva.
  5. Ser breve, evitando longos discursos.
  6. Evitar referir demasiados detalhes.
  7. Combinar a demonstração da técnica no seu todo (global) com o salientar dos seus aspetos fundamentais.
  8. Proporcionar a visualização da habilidade de diferentes ângulos relativamente à posição dos praticantes, de modo a que estes possam observar os aspetos principais a ter em consideração.
  9. Observar o rosto dos praticantes ou questionar alguns deles no sentido de avaliar o grau de compreensão face à informação transmitida.

Prática e Correção

  1. Permitir que os praticantes realizem um número razoável de tentativas antes de proceder às primeiras correções, exceto quando se colocam problemas de segurança;
  2. Alternar a observação global de todos os praticantes com a observação individualizada, para o que deve movimentar-se e ocupar diferentes posições no espaço do treino;
  3. Concentrar a sua atenção essencialmente sobre os erros mais significativos, isto é, os que são relativos aos aspetos fundamentais da técnica;
  4. Fornecer indicações durante a execução, usando palavras-chave ou frases curtas para relembrar os "pontos de ensino" da habilidade técnica em aprendizagem;
  5. Combinar a informação de retorno (feedback pedagógico) de caráter prescritivo com o questionamento, facilitando a compreensão da tarefa e promovendo a comunicação entre treinador/a e praticante;
  6. Interromper o exercício e voltar a demonstrar assinalando os erros cometidos e destacando, de novo, os aspetos fundamentais da execução correta (como está a ser feito - como deve ser feito) sempre que houver um desempenho incorreto, sobretudo se generalizado;
  7. Intervir individualmente quando observar uma dificuldade de um praticante, fornecendo-lhe a informação de que ele necessita para corrigir a sua execução sem interromper todo o grupo; Pregle 47 48
  8. Após uma correção efetuada a um determinado praticante, acompanhar a execução seguinte e enviar uma palavra ou um sinal de incentivo sobre a mesma;
  9. Evitar corrigir muitos pormenores ao mesmo tempo;
  10. Aproveitar todas as oportunidades para elogiar o esforço realizado e os progressos conseguidos, por pequenos que sejam.

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