A Emergência de Novas Potências e a Crise Econômica dos Anos 70

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Por outro lado, este crescimento também se deveu sobretudo à originalidade da mentalidade da população e do seu modelo capitalista. O elevado nível de educação, a mentalidade tradicional, a importação de tecnologias estrangeiras que eram aperfeiçoadas e adaptadas, a intervenção inteligente e eficaz do Estado e a manutenção dos setores económicos tradicionais foram decisivos no crescimento económico do Japão.

Ainda na Ásia, a China rapidamente se distanciou do modelo político da URSS, na medida em que a realidade do país era completamente diferente. Aqui, a revolução foi apoiada na imensa população camponesa e foi liderada pelas massas, o que não aconteceu na URSS, cujo modelo político foi determinado pelas estruturas partidárias. A partir da 2ª metade da década de 60, a China começou a aproximar-se do bloco ocidental, em termos económicos (mercados; concorrência de mercados), afirmando-se como nova potência económica no Oriente. O país abriu-se à iniciativa privada e ao investimento capitalista dos países ocidentais. Em 1971, a China foi admitida no seio da ONU.

A Europa, que arrancou para o desenvolvimento com as ajudas financeiras americanas instituídas pelo Plano Marshall, pretendeu, a partir dos anos 50, afirmar-se como uma entidade económica e política capaz de fazer frente ao expansionismo americano, à afirmação da URSS e ao promissor crescimento das economias asiáticas. Para o efeito, iniciou um processo de unificação económica com a celebração dos seguintes tratados: CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço), em 1951, e o Tratado de Roma, em 1957. Este tratado tinha como objetivo: alargar e aprofundar o mercado comum, pela união aduaneira dos estados-membros, tendo em vista o desenvolvimento das suas atividades económicas e a livre circulação de pessoas, mercadorias, capitais (…).

Por outro lado, os países africanos e asiáticos recém-independentes, com o objetivo de marcar a sua emergência na política internacional, organizaram-se como Movimento dos Não Alinhados. Tratou-se de um movimento de países do Terceiro Mundo nascido na Conferência de Bandung, em 1955, e confirmado na Conferência de Belgrado, em 1961, que passaram a intervir ativamente na denúncia e condenação do colonialismo e do ambiente de permanente tensão internacional. Foi sob inspiração deste movimento que, nos anos 60, arrancou uma segunda vaga de descolonização. Esta foi caracterizada pela descolonização no continente africano, dinamizada por carismáticos líderes locais à frente de ativos movimentos de guerrilha. Reunidos, desenvolveram sentimentos de pan-africanismo, que foi ganhando um carácter mais internacionalista. O objetivo era encontrar estratégias comuns de luta pela independência e proceder à constituição de comunidades económicas ou federações políticas que conseguissem resistir melhor às tentativas nacionalistas das potências ocidentais. Em África, tornaram-se independentes os seguintes países: Argélia (onde existiu guerra), em 1961; Gana, em 1957; Quénia; Nigéria; em 1960, Congo; (…)

Nos anos 70, começaram a ser claros alguns sinais de esgotamento dos fatores de crescimento económico, tais como a quebra da produção industrial, a falência de empresas e o aumento do desemprego. Por outro lado, as dificuldades da economia americana que conduziram à crise monetária de 1971 e o choque petrolífero de 1973 vieram pôr fim aos trinta anos gloriosos que a Europa vivera desde 1945. O choque deveu-se à retração nos fornecimentos de crude por parte dos países árabes da OPEP e isso criou algumas dificuldades: as balanças de pagamentos dos países industrializados cada vez mais dependentes, devido a um maior custo das importações; o agravamento da inflação; o aumento do desemprego e a agitação social.

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