Emoção vs. Sentimento: Definição, Componentes e Relação com a Razão
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Definição e Diferença entre Emoção e Sentimento
Emoção |
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Sentimento |
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Diferença entre Sentimento e Emoção, Segundo António Damásio
- Usualmente, emoção e sentimento surgem como sinónimos, mas segundo António Damásio, a relação entre ambos é muito estreita.
- Segundo António Damásio, a emoção é um conjunto de reações corporais, automáticas e inconscientes, face a determinados estímulos provenientes do meio onde estamos inseridos.
- O sentimento surge quando tomamos consciência das nossas emoções, isto é, o sentimento dá-se quando as nossas emoções são transferidas para determinadas zonas do nosso cérebro, onde são codificadas sob a forma de atividade neuronal.
Componentes das Emoções
- Componente Cognitiva: Ocorre quando tomamos conhecimento do facto; se não houver conhecimento deste, não se experimenta qualquer emoção.
- Componente Avaliativa: Fazemos uma avaliação, agradável ou desagradável, da situação.
- Componente Fisiológica: Manifestações orgânicas, corporais face à emoção.
- Componente Expressiva: Expressões corporais que permitem mostrar ao outro as nossas emoções.
- Componente Comportamental: Comportamento que o sujeito poderá ter face ao outro; é o estado emocional que desencadeia determinado conjunto de comportamentos.
- Componente Subjetiva: Relaciona-se com o que o indivíduo sente a nível emocional e interior, a que só ele tem acesso, ou seja, é o estado afetivo associado à emoção.
Perspetivas/Teorias das Emoções
Perspetiva Evolutiva | Segundo Charles Darwin
Segundo Ekman
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Relação entre Razão e Emoção, Segundo António Damásio
- Ao contrário do que durante muito tempo se pensou, as emoções e os sentimentos não são um obstáculo ao funcionamento da razão; estão envolvidos nos processos de decisão, segundo a perspetiva de António Damásio.
- O investigador chama a atenção para o facto de que se fosse apenas a razão a participar nos processos de decisão, seria muito complicado tomar uma decisão.
- A análise rigorosa de cada uma das hipóteses levaria tanto tempo que a opção escolhida deixaria de ser oportuna, ou então, perder-nos-íamos nos cálculos das vantagens e das desvantagens.
- Segundo o próprio autor, “a emoção bem dirigida parece ser o sistema de apoio sem o qual o edifício da razão não pode funcionar eficazmente”.
- A tomada de decisão é suportada por duas vias complementares:
- Representação das consequências de uma opção disponibilizada pelo raciocínio: avaliação da situação, levantamento das opções possíveis, comparações lógicas, etc.
- A perceção da situação provoca a ativação de experiências emocionais experimentadas anteriormente em situações semelhantes.
- Damásio remete para o conceito de Marcador Somático: mecanismo automático que suporta as nossas decisões. Permite-nos decidir eficientemente num curto intervalo de tempo. Atua como um sinal de alarme automático que diz: atenção ao perigo decorrente da escolha de determinada ação. Este sinal protege-nos de prejuízos futuros, sem mais hesitações, permitindo-nos escolher uma alternativa entre as várias. Os marcadores somáticos aumentam provavelmente a precisão e a eficiência do processo de decisão.
Conclusão:
- Sem emoção, ficaríamos impossibilitados de fazer as escolhas mais simples.
- É nas áreas pré-frontais que se faz a associação entre uma situação complexa e o estado emocional associado a esse tipo de situações (experiências pessoais anteriores). Existe, assim, uma ligação entre o tipo de situação e o estado somático (corpo) que atua como sinal de alarme ou como sinal de incentivo, podendo levar à rejeição ou adoção de uma opção. O nosso pensamento tem necessidade das emoções para ser eficaz.