Enfermagem em Saúde Mental: Terapêutica e Reabilitação
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Efeitos Adversos e Toxicidade dos Antidepressivos
Efeitos adversos dos antidepressivos: Hipotensão ortostática grave, alterações gastrointestinais, diminuição da libido, aumento de peso, sedação, confusão mental, insónia, ansiedade e irritabilidade.
Sintomas de toxicidade dos antidepressivos: Ansiedade, hipertensão, taquicardia, dispneia, tonturas e irritabilidade.
Intervenções de Enfermagem na Terapêutica Antidepressiva
- Informar o utente acerca da medicação prescrita;
- Avaliar o estado mental do utente, as mudanças de humor e o nível de ansiedade;
- Avaliar a tendência suicida, nomeadamente após os 15 dias de início da terapêutica;
- Monitorizar sinais vitais antes de administrar a terapêutica e, caso haja alterações, deve-se comunicar ao médico;
- Monitorizar a função hepática e renal através de análises clínicas;
- Monitorizar a ingestão da terapêutica;
- Evitar a administração destes fármacos ao final do dia, pois podem causar insónias;
- Despistar sintomas de sobredosagem.
Classificação dos Neurolépticos
Os Neurolépticos Típicos, ou de 1ª Geração, bloqueiam os recetores da dopamina. Geralmente são a primeira escolha no tratamento de quadros psicóticos da fase aguda da esquizofrenia e são adjuvantes nos episódios maníacos do transtorno bipolar do humor. São eficazes e seguros e têm um menor custo que os atípicos. Exemplos deste tipo de neurolépticos são a Cloropromazina e o Haloperidol.
Os Neurolépticos Atípicos, ou de 2ª Geração, bloqueiam os recetores da dopamina e da serotonina. Têm um melhor perfil de efeitos colaterais e, em geral, não causam efeitos extrapiramidais. Há uma maior tolerância por parte dos doentes e podem melhorar a capacidade de concentração e de fala. Exemplos deste tipo de neurolépticos são a Clozapina e a Risperidona.
Síndrome Maligno dos Neurolépticos (SMN)
O Síndrome Maligno dos Neurolépticos é uma emergência neurológica potencialmente fatal, relacionada com o uso de agentes neurolépticos. Devido à severa e prolongada morbilidade do SMN, é importante um diagnóstico rápido e correto. Ao bloquear os recetores da dopamina no hipotálamo e nos gânglios da base, irá provocar uma desregulação do sistema dopaminérgico.
As duas manifestações clínicas que os doentes devem apresentar obrigatoriamente para ser considerado SMN são a hipertermia e a rigidez muscular.
O Relacionamento Terapêutico na Enfermagem
Os objetivos do relacionamento terapêutico são direcionados ao crescimento do utente, sendo eles: melhora no funcionamento, integração profissional, capacidade de satisfação das necessidades, concretização de metas pessoais, autorrespeito, autoaceitação e autorrealização.
Assim, para que estes objetivos sejam atingidos em prol do desenvolvimento e conhecimento do utente, as experiências de vida do utente são exploradas, de forma a proporcionar ao enfermeiro o conhecimento necessário para perceber quais os seus problemas, preocupações, medos e objetivos de vida. Para que isto aconteça, é necessário que o enfermeiro proporcione ao utente um ambiente favorável para que este expresse os seus pensamentos e emoções e, consequentemente, relacione-os com as ações observadas e relatadas, identificando as áreas de conflito e de ansiedade que perturbam o utente e o encaminham para um estado de desequilíbrio da sua saúde mental.
O enfermeiro deve adquirir determinadas habilidades e qualidades para iniciar e continuar um relacionamento terapêutico, no qual faz parte a comunicação, seja ela verbal ou não-verbal. Contudo, existem outras características que o enfermeiro deve possuir, dirigidas à dimensão da resposta e à dimensão orientada pela ação.
- Dimensão de resposta: O enfermeiro deve ter características como autenticidade, respeito, autoconsciência, compreensão empática, congruência e senso da realidade, que são úteis em todas as fases. O enfermeiro deve também aceitar o utente, reconhecer as suas diferenças e a sua singularidade.
- Dimensão orientada para a ação: Deve ter características como confrontação e proximidade. Estas favorecem o progresso do relacionamento terapêutico, identificando os obstáculos ao crescimento do utente.
As habilidades e as qualidades que o enfermeiro deve desenvolver estão centradas no utente e no seu crescimento pessoal, bem como na recuperação da sua saúde, promovendo assim o seu equilíbrio.
Sexualidade e Saúde Mental
Efeitos secundários sexuais mais recorrentes:
- Diminuição da libido;
- Disfunção do orgasmo/ejaculação (tempo retardado para orgasmo, retardo ejaculatório nos homens e anorgasmia nas mulheres);
- Excitação diminuída;
- Disfunção erétil.
3 exemplos de fármacos que podem causar ou contribuir para a disfunção erétil:
- Anticolinérgicos (antidepressivos tricíclicos);
- Antidepressivos (ISRSs – Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina);
- Antiparkinsónicos (Levodopa);
- Tranquilizantes (benzodiazepinas).
Estas ideias são inadequadas, uma vez que estamos a falar de pessoas, ou seja, seres sexuados com impulso sexual. Deste modo, é importante ter-se consciência de que a sexualidade é parte integrante do desenvolvimento da personalidade e crescimento do ser humano e, ao reprimi-la, estamos a comprometer o seu desenvolvimento enquanto pessoa. Infelizmente, a sociedade mantém este tipo de ideias preconcebidas e preconceitos porque insiste em focar-se apenas nas limitações e não nas capacidades das pessoas com deficiência mental, o que, consequentemente, condiciona o modo como estas lidam com a sua condição e limitações, influenciando assim a sua autoestima, autoconfiança e desenvolvimento psicoafetivo e sexual.
Relativamente ao mito anterior descrito, apesar de se tratar apenas de um mito, é uma situação que pode acontecer. Neste caso, contrariamente ao mito, não seria a deficiência em si a gerar essa tendência, mas sim a impossibilidade do ambiente em oferecer situações que possam conduzir às suas satisfações mínimas, uma vez que a exploração do próprio corpo é perfeitamente normal no desenvolvimento da sexualidade. Deste modo, como futuros enfermeiros, mas também como cidadãos, é importante implementar na sociedade que a sexualidade não pode ser reduzida ao coito e aos órgãos genitais, mas sim ligá-la à aprovação, partilha, apoio, valorização e sentido de utilidade para o outro. Assim, face à questão da masturbação, é importante que se desenvolvam estratégias e meios para a compreensão, por parte da pessoa com deficiência mental, das implicações do espaço público/privado, através da promoção de competências sociais, atitudes e comportamentos, bem como o acesso e a transmissão de informação adequada.
Intervenções:
- Ajudar a pessoa com deficiência mental a identificar e a expressar necessidades relacionadas à sexualidade;
- Ajudar a pessoa a formar relacionamentos saudáveis;
- Ensinar práticas de sexo seguro e a ter uma expressão sexual saudável, ajudando a diminuir encontros sexuais potencialmente perigosos;
- Reconhecer que a autonomia, a liberdade de escolha e uma informação adequada são aspetos essenciais para a estruturação de atitudes e comportamentos responsáveis no relacionamento sexual;
- Reconhecer o direito a uma maternidade/paternidade livres e responsáveis;
- Reconhecer que a sexualidade, na pessoa com deficiência mental ou não, é uma componente positiva e de realização no desenvolvimento pessoal e das relações interpessoais;
- Valorizar as diferentes expressões da sexualidade nas várias fases de desenvolvimento ao longo da vida.
Reabilitação Psicossocial e Desinstitucionalização
A reabilitação psicossocial é um processo que oferece aos indivíduos que estão debilitados, incapacitados ou deficientes devido à perturbação mental, a oportunidade de atingir o seu nível potencial de funcionamento independente na comunidade. Esta engloba duas vertentes: global e individual, além de incidir na recuperação e aprendizagem de competências pessoais e relacionais, criando suportes sociais adequados aos níveis de autonomia ou dependência dos doentes a longo prazo. Para que a reabilitação psicossocial seja corretamente aplicada, deve haver uma articulação intersetorial eficaz, nomeadamente na educação, justiça e ação social. Desta forma, o utente pode fazer uma vida quotidiana próxima àquela que tinha anteriormente à doença mental e também ter uma melhor qualidade de vida.
4 objetivos da desinstitucionalização:
- Reduzir o impacto das perturbações mentais e contribuir para a promoção da saúde mental das populações;
- Promoção da sua autonomia e integração social;
- Reduzir o estigma e o preconceito;
- Promover equidade e oportunidade.
Os seus proponentes estão empenhados na organização, legislação, profissionalização, qualidade de cuidado e garantia de qualidade de vida, organização familiar e suporte, autoajuda, participação educacional e promoção de esforços para fortalecer e expandir serviços. Outro objetivo é promover a descentralização dos serviços de saúde mental, de modo a permitir a prestação de cuidados mais próximos das pessoas e a facilitar uma maior participação das comunidades, dos utentes e das suas famílias.
A Família no Contexto da Doença Mental
Diferentes fases pelas quais a família passa quando surge um transtorno mental num dos membros integrantes:
- Surgem sentimentos de incerteza e perplexidade diante da situação antes do diagnóstico;
- Há compartilhamento de sofrimento entre todos os membros da família antes, durante e após o diagnóstico;
- Acontece a aceitação da situação com o passar do tempo;
- Ocorre a reavaliação de valores e da perceção da doença mental.
Passos para o enfermeiro trabalhar com as famílias:
- Obter a cooperação familiar: Após um primeiro contacto positivo, realizar um contrato para trabalhar cooperativamente, objetivando ajudar o paciente e os membros da família;
- Estabelecer um sistema de comunicação: Possibilitar a troca de informações;
- Propor ajuda na solução de problemas: Fazer um levantamento dos problemas, propondo-se a ajudar nas soluções através da análise dos factos e alternativas;
- Orientar sobre saúde e sistema de saúde: Orientar sobre o transtorno do paciente, possibilidades terapêuticas e o funcionamento do sistema de saúde;
- Ajudar a família a atender à própria necessidade de saúde: Orientar sobre a necessidade de os membros da família não descuidarem das respetivas saúdes, necessidades e direitos de cidadania;
- Oferecer suporte nos momentos de crise: Mostrar disponibilidade e atuar como suporte nos momentos de crise.
Intervenções em prática com o doente mental e a família:
- Criar um espaço de contenção: Onde os familiares se sintam acolhidos e escutados;
- Promover vínculos de confiança e comunicação: Entre famílias e amigos, pelos quais possam partilhar a sua angústia e procurar juntos alternativas para a solução dos conflitos;
- Facilitar o colocar-se no lugar do outro: Ao conhecer como vivem a mesma situação familiares e utentes, saindo da polarização “bons contra maus”, a qual não contribui para o estabelecimento de uma relação satisfatória para ambas as partes;
- Oferecer às famílias um espaço de trabalho: No qual se possam trabalhar as dificuldades que se apresentam na relação com os seus membros afetados pela doença.