Envelhecimento saudável e cuidados de enfermagem

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Definições e classificação etária

Segundo a OMS, considera-se idoso quem tem 65 anos ou mais em países desenvolvidos e 60 anos ou mais em países em desenvolvimento. A população idosa é classificada em: idoso jovem (65 a 74 anos), idoso de meia-idade (75 a 84 anos) e idoso velho (acima de 85 anos).

Década do Envelhecimento Saudável (2021–2030)

A Década do Envelhecimento Saudável (2021–2030), instituída pela ONU, OMS e OPAS, tem como objetivo principal promover o envelhecimento ativo e saudável, além de combater o preconceito e a discriminação contra as pessoas idosas (o chamado etarismo). Suas áreas de ação incluem: mudar a forma como a sociedade pensa e age em relação à velhice; criar ambientes acessíveis e inclusivos; e garantir serviços de saúde integrados e centrados na pessoa idosa.

Capacidade funcional

A capacidade funcional, conceito essencial para o envelhecimento saudável, é definida como o conjunto de habilidades físicas e mentais que permitem que o indivíduo seja independente e realize as atividades que valoriza. Manter essa capacidade é fundamental para o bem-estar e a autonomia do idoso, sendo papel da enfermagem atuar na prevenção de incapacidades, na promoção da saúde e na valorização da pessoa idosa em todas as etapas da vida.

Resumo: Aulas 04-06 – Conceitos e Enfermagem

Aqui está um resumo das partes mais importantes do arquivo “Aulas 04-06 – Conceitos e Enfermagem” 👇

Conceitos fundamentais

  • Idade cronológica: número de anos vividos desde o nascimento.
  • Idade funcional: mede o desempenho e a capacidade funcional da pessoa.
  • Idoso vulnerável: acima de 75 anos ou com mais de 65 e algum comprometimento funcional.
  • Idoso saudável: sem limitações funcionais e independente nas atividades diárias.
  • Senescência: efeitos do envelhecimento normal.
  • Senilidade: envelhecimento associado a doenças e declínio funcional.
  • Cognição: capacidade mental de compreender e resolver problemas.
  • Mobilidade: capacidade de se deslocar com independência.
  • Curso de vida: forma como as instituições sociais moldam a trajetória de vida.
  • Expectativa de vida: média de anos que se espera viver desde o nascimento.

Enfermagem no cuidado ao idoso

Gerontologia: estuda o envelhecimento em seus aspectos físicos, psicológicos, sociais e econômicos.

Geriatria: diagnostica e trata doenças do envelhecimento.

Enfermagem gerontológica: área que cuida do idoso com base no processo de enfermagem (avaliação, planejamento, implementação e evolução).

Objetivos da enfermagem
  • Acolher e cuidar da população idosa, promovendo autonomia, independência e autocuidado.
  • Oferecer suporte à família e à comunidade.
Atributos essenciais
  • Relação terapêutica com o idoso.
  • Comunicação eficiente.
  • Competência técnica e conhecimento das alterações do envelhecimento.
  • Trabalho em equipe.

Mais de 90% dos cuidados em instituições de longa permanência são prestados por técnicos e auxiliares de enfermagem, exigindo treinamento constante da equipe.

Tipos de envelhecimento

  • Biológico: alterações corporais e mentais do envelhecimento natural.
  • Psicológico: relação entre idade e capacidades cognitivas (memória, aprendizagem).
  • Social: papéis e status assumidos de acordo com a idade e as expectativas sociais.

Por que envelhecemos

O envelhecimento ocorre porque, com o tempo, os processos degenerativos superam os regenerativos, levando à perda gradual das funções corporais.

Teorias biológicas do envelhecimento

  1. Teoria do Desligamento Genético: as células têm um número limitado de divisões e "param" de se reproduzir após certo tempo (limite de Hayflick).
  2. Teoria da Mutação Genética: o DNA sofre mutações com o tempo, causando deterioração dos tecidos e órgãos.
  3. Teoria dos Radicais Livres: moléculas instáveis (radicais livres) danificam células e DNA, contribuindo para o envelhecimento.

Teorias psicossociais do envelhecimento

  1. Teoria da Desinserção (ou Desvínculo): o afastamento entre o idoso e a sociedade é natural e pode facilitar a adaptação à velhice.
  2. Teoria da Atividade: o envelhecimento saudável depende da manutenção de atividades físicas, mentais e sociais.
  3. Teoria da Continuidade: a adaptação à velhice depende da continuidade da personalidade, hábitos e padrões de vida anteriores.

Promoção da saúde do idoso

Mesmo com doenças crônicas, a maioria dos idosos quer manter a saúde e o bem-estar. A promoção da saúde deve incluir educação, estímulo à atividade física, prevenção de doenças e apoio emocional e social.

Desafios do envelhecimento populacional

O envelhecimento populacional tem aumentado significativamente e, com isso, surgem novas demandas de cuidado voltadas à pessoa idosa. Embora a maioria dos idosos apresente doenças crônicas e limitações funcionais, muitos estão conscientes de sua saúde e buscam melhorar o bem-estar. Esse cenário exige do Estado e da sociedade o desenvolvimento de políticas públicas que garantam uma atenção adequada, principalmente no que se refere aos cuidados prolongados e à atenção domiciliar. As mudanças na estrutura familiar, a participação da mulher no mercado de trabalho e a queda da taxa de natalidade também influenciam a forma como o idoso é cuidado, tornando essencial a criação de diretrizes, leis e modelos de atenção específicos para essa população.

Legislação e políticas públicas

A legislação e as políticas de atenção ao idoso foram criadas para orientar ações que envolvem diferentes setores. Entre os principais marcos estão a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI), a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), a Portaria nº 4.279/2010, que organiza as Redes de Atenção à Saúde (RAS), e o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003). Essas políticas têm o objetivo de garantir o acesso à saúde, o respeito à dignidade e a promoção do envelhecimento ativo e saudável. Apesar dos avanços, ainda existem lacunas entre as ofertas de serviços e as reais necessidades da população idosa, exigindo a ampliação do acesso e a integração dos cuidados de forma mais eficiente.

Modelo de atenção à saúde do idoso

O modelo de atenção à saúde do idoso é baseado na organização em redes de atenção à saúde (RAS), formadas por diferentes serviços articulados entre si e com base territorial. A Atenção Básica (AB) é o principal ponto de entrada do sistema e tem como função coordenar o cuidado, acompanhando o idoso de forma contínua e integral por meio de uma equipe multiprofissional. O objetivo é garantir maior resolutividade dos cuidados, reduzir encaminhamentos desnecessários para hospitais, qualificar o acesso ao SUS e oferecer uma atenção humanizada e centrada na pessoa idosa.

Cuidado ético e humanização

O cuidado ético ao idoso deve estar alinhado ao Código de Ética de Enfermagem, que defende o respeito à dignidade humana, à individualidade e à autonomia. O profissional de enfermagem tem o dever ético de defender os direitos do paciente, garantindo um atendimento justo e humanizado, além de promover a saúde, prevenir doenças e aliviar o sofrimento. A humanização do cuidado é um dos pilares fundamentais dessa prática. Humanizar significa reconhecer a vulnerabilidade e a sensibilidade do outro, criando vínculos, ouvindo e respeitando suas necessidades.

Alterações do envelhecimento: celular, anatômica e por sistemas

O envelhecimento é um processo gradual, natural e irreversível, que provoca alterações biológicas, psicológicas e sociais. Com o tempo, o organismo perde capacidade funcional, reduz a resposta a doenças e sofre instabilidade da homeostase. Entre as principais alterações celulares e teciduais, há redução da regeneração celular e diminuição da produção de colágeno e elastina, deixando os tecidos mais rígidos e menos elásticos.

Alterações anatômicas

  • Diminuição da estatura (aproximadamente 1 cm por década após os 40 anos).
  • Perda de massa muscular (sarcopenia).
  • Aumento da gordura abdominal.
  • Redução da água corporal.
  • Mudanças na postura e na marcha.

Principais alterações por sistemas

  • Nervoso: redução da massa cerebral, lentidão dos reflexos e risco de demência e depressão.
  • Cardiovascular: rigidez arterial, hipertensão e menor resposta ao estresse.
  • Respiratório: perda da elasticidade pulmonar e sensação de falta de ar.
  • Musculoesquelético: sarcopenia, osteoporose e maior risco de quedas.
  • Endócrino/metabólico: queda dos hormônios e da vitamina D, predispondo a diabetes e osteoporose.
  • Gastrointestinal: digestão mais lenta, constipação e menor absorção de nutrientes.
  • Geniturinário: incontinência urinária, infecções e, nos homens, aumento da próstata.
  • Sentidos: presbiopia (vista cansada), catarata e presbiacusia (perda auditiva).

Essas mudanças reduzem a força, a mobilidade e a independência, exigindo da enfermagem cuidados humanizados, individualizados e voltados à promoção do envelhecimento saudável.

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