Epidemiologia e Saúde Bucal: conceitos e programas no Brasil

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Epidemiologia e Saúde

Epidemiologia: conceito histórico e atual

Conceito original: estudo de epidemias de doenças transmissíveis — cólera, tifo, peste, varíola, febre amarela. Epidemia = fase da evolução do processo mórbido na coletividade.

Definição atual de epidemiologia: ramo das ciências da saúde que estuda, na população, a ocorrência, a distribuição e os fatores determinantes dos eventos relacionados com a saúde.

Serviços de saúde

Assistências aos doentes e práticas preventivas intervêm na distribuição e ocorrência das doenças.

Objetivos:

  • Conhecer cobertura populacional e qualidade do atendimento;
  • Identificar problemas;
  • Investigar causas;
  • Propor soluções compatíveis.

Estudos epidemiológicos

Descritivos

Focam a distribuição e frequência do evento; incluem descrição epidemiológica dos dados.

Analíticos

Comparação causal entre dois dados.

Experimental

Verificam efeitos de vacina e eficácia de programas de saúde.

Não experimental

Observam pessoas e colhem dados sem intervenção experimental.

Objetivo do traçado epidemiológico

Identificar fatores determinantes, condições de saúde e impacto das ações.

Aplicação coletiva

Novas ações ligadas às evidências epidemiológicas.

Aplicação individual

Diagnóstico e prognóstico; prescrição de medicamentos e vacinas; exames.

Saúde e doença

Saúde: não é apenas ausência de doença, envolve bem-estar físico, mental e social.

  • Evolução aguda e rapidamente fatal — raiva, altas doses de radiação ou substâncias tóxicas.
  • Evolução aguda, clinicamente evidente e com rápida recuperação — muitas doenças infecciosas (viroses respiratórias).
  • Evolução sem alcançar o limiar clínico — infecções subclínicas (hepatite anictérica).
  • Evolução crônica com progressão e êxito letal após longo período — doenças cardiovasculares degenerativas.
  • Evolução crônica com períodos assintomáticos entremeados de exacerbações clínicas — doenças psiquiátricas e dermatológicas.

História natural da doença

  • Fase inicial: presença de fatores de risco que favorecem o desenvolvimento da doença.
  • Fase pré-clínica: presença da patologia sem sintomas.
  • Fase clínica: doença em estágio com sinais e sintomas evidentes.
  • Fase residual: doença que não progride, morte ou presença de sequelas.

Medidas de controle

Medidas inespecíficas: ações gerais voltadas ao bem-estar das pessoas.

Medidas específicas: técnicas próprias para lidar com danos específicos à saúde.

  • Primária: ações dirigidas para a manutenção da saúde (promoção e prevenção primária).
  • Secundária: medidas orientadas para o período patológico, em fase subclínica ou em evolução clínica aparente (detecção precoce e tratamento).
  • Terciária: ações dirigidas à fase final do processo patológico; visam desenvolver a capacidade funcional do indivíduo e reabilitação.

Epidemiologia social

Parte da epidemiologia que investiga o processo saúde–doença como produto dos modos de vida em sociedade. Agravos à saúde são influenciados por processos sociais, políticos e econômicos. Fatores comportamentais — estresse, hábitos, tipos de personalidade — também exercem influência.

Etapas epidemiológicas

  • 1ª etapa: coleta de informações sobre possíveis fatores de risco.
  • 2ª etapa: comprovação entre fatores de risco e a doença (formulação e teste de hipóteses).
  • Dificuldade: diferenciar "simples coincidências" de uma verdadeira relação causal.

Índices odontológicos

CEO: mede o número de dentes decíduos cariados, com extração indicada e obturados. Não são contados os dentes já extraídos.

CPOD: mede os dentes permanentes cariados, obturados e extraídos (indicados ou já extraídos).

PMA: contagem de áreas inflamadas em torno dos dentes. A zona de observação de cada dente é a gengiva mésio-vestibular, subdividida em 3 porções:

  • P – papilar;
  • M – marginal;
  • A – inserida.

Odontologia sanitária no Brasil

Inovações: uso de pessoal auxiliar, substâncias fluoretadas, Sistema Incremental (programa preventivo-curativo). Obrigatoriedade da fluoretação da água de abastecimento público em projetos de construção ou ampliação dos sistemas públicos de abastecimento de água.

Programa Brasil Sorridente

Metas principais:

  • Implantar 550 Centros de Especialidades Odontológicas (CEO);
  • Distribuir anualmente 1,9 milhão de kits de saúde bucal;
  • Ampliar a capacidade de atendimento para 2,8 milhões de procedimentos.

Princípios:

  1. Gestão participativa: definir democraticamente a política de saúde bucal, assegurando a representação de usuários, trabalhadores e prestadores;
  2. Ética: ação em saúde guiada por princípios universais de ética;
  3. Acesso: prioridade para casos de dor, infecção e sofrimento;
  4. Acolhimento: humanização das relações profissionais;
  5. Vínculo: responsabilizar a unidade de saúde pela resolução dos problemas na sua área de abrangência;
  6. Responsabilidade profissional: implicar-se com os problemas e demandas dos usuários, garantindo respostas resolutivas.

ESB: modalidades

  • Modalidade 1: CD + técnico ou auxiliar de saúde bucal.
  • Modalidade 2: CD + técnico + auxiliar.
  • Modalidade 3: unidade odontológica móvel.

Seminário

A seguir, resultados e conclusões dos grupos apresentados no seminário.

Grupo 1

  • A maioria relatou não ter tido instrução em saúde bucal (SB) na infância.
  • Tipo de instrução prevalente: escovação.
  • Ausência/carência na abordagem de uma dieta cariogênica.
  • 87% recorreram a serviço particular.
  • 2,2% relataram nunca ter ido a consultas.
  • Motivos prevalentes das consultas: cárie, doença periodontal e tratamento ortodôntico.
  • 9% relataram ir ao dentista somente quando necessitam de tratamento.
  • Importância do dentifrício: preocupação com halitose.
  • Consultório odontológico como principal local de aprendizado em SB.
  • Quantidade de instrução em escolas públicas x privadas foi igualada (confirmado com teste de qui-quadrado posteriormente).

Grupo 2

  1. Regiões mais acometidas por fraturas: ossos nasais e arco zigomático.
  2. Agressão física: predominante no sexo masculino (42,11% dos casos gerais). Mais afetados: homens entre 25 e 40 anos (39,2%). Tanto homens quanto mulheres têm maior prevalência de agressão física nessa faixa etária.
  3. Queda da própria altura: predomínio entre mulheres (13,68% dos casos gerais). Mais afetadas entre 0–24 anos (33,3%).
  4. Maior prevalência de homens acometidos por lesões orofaciais (68,42% do total).
  5. Diagnóstico mais prevalente: ferida corto-contusa (42,11% no geral); porém, em casos de agressão física, fratura teve maior prevalência.
  6. ARTIGO 57 do Estatuto do Idoso e o Estatuto da Criança e do Adolescente: profissionais são passíveis de multa em caso de omissão de denúncia nos casos de observação de negligência e abuso (valor citado: 500–3.000 reais).
  7. Ficha de notificação existente, porém não obrigatória (SINAN/NET - Sistema de Informação de Agravos de Notificação).
  8. Canal de denúncia: disque 180 (atendimento à mulher, família e Direitos Humanos) — a vítima e o profissional podem denunciar.

Grupo 3

Objetivo: correlacionar doenças psicológicas e possíveis repercussões na saúde bucal. Conclusões principais:

  • Ansiedade e depressão (60–70%) foram as doenças psicológicas mais frequentes entre os pacientes; 70% dos alunos relataram já ter atendido pelo menos um paciente com essas doenças. Seguiram-se esquizofrenia e síndrome do pânico.
  • A maioria dos pacientes com transtorno psicológico era do sexo feminino (50%).
  • Principal aspecto notado pelos alunos: má higiene oral (70%), caracterizada pelo acúmulo de placa e biofilme dental decorrentes da não escovação ou escovação inadequada.
  • Outras condições observadas: xerostomia (boca seca) e bruxismo; falta de coordenação motora contribui para dificuldade de higiene oral.
  • A maioria dos medicamentos não apresentou alteração significativa na saúde oral como efeito colateral; a alteração mais reportada foi xerostomia (83,4%).
  • Grande parte dos pacientes com distúrbio psicológico apresentou higiene oral deficiente, variando de péssima (40%) a regular (50%).
  • 80% dos alunos relataram que os pacientes colaboraram durante o tratamento.
  • Aproximadamente metade dos alunos relatou que o paciente precisou ser encaminhado para outra clínica.

Grupo 4

  • Crianças e idosos são as faixas etárias mais frequentes com medo odontológico.
  • Questões familiares, históricas, culturais e experiências negativas influenciam medo e ansiedade.
  • Fatores que mais causam medo: motorzinho, anestesia e extração (procedimentos considerados agressivos), em especial extração de siso.
  • Importância de conquistar a confiança do paciente e criar vínculo para reduzir medo (quebra da relação estritamente profissional).
  • 16,4% foram avaliados com medo; metade desses relatou início na infância.
  • 32% dos profissionais disseram usar um protocolo específico para abordar pacientes ansiosos.
  • Importância da música para controle da ansiedade.
  • Prevalência estimada: 10–20% dos adultos e cerca de 43% das crianças e adolescentes apresentam ansiedade e medo odontológico.
  • Métodos mais utilizados para contornar medo e ansiedade (segundo pesquisa de 2002): conversação (38%), prescrição farmacológica (23%), técnicas de relaxamento (17%).

Grupo 5

  • Experiências traumáticas são as principais causadoras do medo odontológico.
  • Principais traumas decorrentes de procedimentos violentos (aproximadamente 60% dos casos), seguidos de procedimentos incorretos.
  • Maior incidência de medo no sexo feminino.
  • Pacientes ansiosos submetidos a traumas odontológicos tendem a superestimar a dor, agravando a memória e o impacto do trauma.
  • O senso comum e a história da odontologia influenciam o medo odontológico; processo de socialização tem papel importante.
  • Resultados adicionais:
    • Escolaridade: medo extremo mais incidente em pessoas com ensino superior completo (16% desse grupo apresentam medo extremo).
    • Gênero: 80% das pessoas que alegaram medo eram do sexo feminino; destas, 50% possuem medo alto ou extremo. Entre os homens, 31% apresentavam medo alto ou extremo.
    • Trauma afeta fortemente a ida ao consultório: 70% das pessoas com trauma não vão ao dentista.
  • Conclusão: é responsabilidade do profissional conhecer formas de transmitir segurança e confiabilidade ao paciente, demonstrando domínio técnico, explicando os passos do tratamento e conscientizando sobre a importância do tratamento.

Grupo 6

  • ≈71% das respostas da pesquisa referem-se a indivíduos que se identificam com o gênero feminino.
  • Mais de 91% dos entrevistados declararam não possuir indivíduos surdo-mudos na família.
  • Cerca de 92% responderam que nunca haviam atendido um indivíduo surdo-mudo durante os atendimentos na Faculdade de Odontologia.
  • Observação: o número de atendimentos a pessoas surdo-mudas ainda é muito pequeno na faculdade, comparado à percepção sobre a necessidade do conhecimento de Libras.
  • ≈79% dos entrevistados não se sentem preparados para atender pacientes surdo-mudos; apenas 1,3% responderam ter preparo considerado bom.
  • Foi constatado que, caso houvesse um curso de capacitação/atualização/especialização, 80% dos graduandos teriam interesse em participar.

Observação final: todo o conteúdo foi mantido e revisado para correção ortográfica, ajustes de capitalização e melhoria da apresentação, preservando as informações originais e organizando-as para maior clareza e otimização para mecanismos de busca (SEO).

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