Epistemologia: Natureza, Tipos e Condições do Conhecimento
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No quotidiano, quando falamos de conhecimento, referimo-nos a crenças que estão fortemente apoiadas por dados e dizemos que elas têm justificação ou que estão bem fundamentadas. A Epistemologia é o ramo da filosofia interessado na investigação da natureza e validade do conhecimento. Os epistemólogos tentam avaliar a ideia, própria do senso comum, de que possuímos realmente conhecimento.
Problemas Centrais da Epistemologia
Problemas que a Epistemologia procura investigar:
- O que é e qual é a origem do conhecimento?
- Como podemos alcançar o conhecimento?
- Qual a diferença entre conhecer e ter uma crença verdadeira?
Tipos de Conhecimento
Conhecimento por Aptidão (Saber Fazer)
Significa saber fazer uma ação. Por exemplo, S sabe andar de bicicleta. Este conhecimento implica saber realizar/efetuar alguma coisa.
Conhecimento por Contacto (Saber de)
Corresponde a um caso de contacto direto, uma vez que se pode afirmar que se conhece por se estar ou ter estado na presença de um lugar ou coisa. Por exemplo, S conhece o Presidente dos EUA. Contudo, este conhecimento não implica que o sujeito saiba tudo sobre a pessoa ou lugar em questão.
Conhecimento Proposicional (Saber Que)
Implica saber que, referindo-se a um conhecimento de verdades. Por exemplo, S sabe que a London Eye está localizada em Londres.
As Condições do Conhecimento: Crença Verdadeira Justificada (CVJ)
Devemos fazer notar três ideias que fazem parte do conhecimento:
- Crença: Se S sabe que P, então S acredita em P. Corresponde a uma convicção de um sujeito em relação a um objeto.
- Verdade: Se S sabe que P, então P tem de ser verdadeira. Assim, o conhecimento requer tanto crença como verdade.
- Justificação: O verdadeiro e o falso de uma crença dependem de algo exterior à crença, ou seja, a justificação, sendo este o terceiro requisito para que haja conhecimento. Não basta que um sujeito acredite em algo verdadeiro; é necessário que seja devidamente justificável, podendo assim, se necessário, ser demonstrada a sua veracidade.
Estas condições são separadamente necessárias, mas apenas conjuntamente é que validam o conhecimento.
O Problema de Gettier (Contraexemplos à Teoria CVJ)
Surgiram vários contraexemplos à teoria CVJ. Um deles, frequentemente associado ao filósofo e matemático britânico Bertrand Russell, é o exemplo do relógio na praça:
Quando alguém olhou para o relógio para saber as horas, ficou a saber que são 9h55. Tem justificações para acreditar nisso, baseado no facto de este nunca ter falhado anteriormente, logo é fiável. Mas supondo que este parou há exatamente 24 horas, apesar de a pessoa não o saber. O sujeito tem a crença verdadeira justificada de que são 9h55, mas não sabe que, na verdade, foi induzido em erro. Logo, na verdade, não tem conhecimento.
A Fenomenologia e o Ato de Conhecer
A Fenomenologia é o método que consiste em descrever o que se manifesta na experiência do sujeito em relação ao objeto. Esta palavra deriva de fenómeno (o que aparece, o que se revela). Descreve os elementos presentes numa experiência, procurando reter a sua estrutura, ou seja, é a descrição dos fenómenos presentes na consciência.
A Relação Sujeito-Objeto
O ato de conhecer implica uma relação entre um sujeito (cognoscente, aquele que conhece) e um objeto (cognoscível, aquele que é/pode ser conhecido). Assim, para haver conhecimento, esta relação de dualidade é obrigatória.
Características desta relação:
- Transcendência: Para existir conhecimento, o sujeito terá de apreender o objeto que lhe é transcendente. Isto significa que estão originariamente separados um do outro. O objeto não faz nenhum esforço para ser apreendido.
- Correlação: O sujeito e o objeto formam uma dualidade que se traduz numa separação. O sujeito é sempre o sujeito e o objeto é sempre o objeto, nunca se fundindo, pois se isso acontecesse já não haveria conhecimento.
- Irreversibilidade: Apesar de existir uma correlação, esta relação não é reversível, já que as suas funções e características são diferentes e não podem ser aplicadas um ao outro.
Concluindo, na fenomenologia, o objeto não é modificado, mas o sujeito sim. No sujeito nasce uma consciência do objeto com o seu conteúdo e imagem. O objeto é sempre construído pelo sujeito, mas o sujeito está sempre em construção. O conhecimento realiza-se em três fases: o sujeito sai de si, o sujeito está fora de si e o sujeito regressa a si.