Equilíbrio Demográfico e Poderes na Idade Média
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A Fragilidade do Equilíbrio Demográfico
Durante a Idade Média, a morte era uma presença permanente. Ceifava sobretudo as crianças, que, frequentemente, morriam à nascença ou de tenra idade. Chegar à idade adulta era já um privilégio e os que atingiam a velhice eram olhados com reverência e admiração, por terem alcançado uma idade tão excepcional.
O desconhecimento dos princípios básicos da puericultura, a falta da mais elementar higiene, o atraso da medicina, que não conseguia curar doenças hoje benignas, contribuíam para a elevada mortalidade. Eram, porém, as fomes e as pestes as principais responsáveis pelo frágil equilíbrio demográfico dos tempos medievais.
Nesta altura, um mau ano agrícola provocava, de imediato, a subida do preço do pão, condenando à fome os mais pobres e desprotegidos. Quando os anos de más colheitas se sucediam e as reservas se esgotavam, a fome assumia proporções catastróficas. Normalmente, seguiam-se as epidemias (genericamente designadas por pestes), que rapidamente se propagavam numa população subnutrida. A esta elevada mortalidade correspondia uma natalidade igualmente alta. No entanto, nas épocas mais difíceis, sobretudo quando à fome e à peste se juntavam os efeitos devastadores da guerra, as mortes ultrapassavam os nascimentos e a população diminuía. Inversamente, em épocas de paz e de boas colheitas, a população aumentava. Os séculos que acabámos de estudar (séculos XI a XIII) correspondem a um destes períodos mais felizes. Foram tempos de paz e de prosperidade em que a população não cessou de crescer. Embora a fome e as epidemias continuassem presentes, elas manifestaram-se de forma mais branda e espaçada, permitindo que a natalidade ultrapassasse significativamente a mortalidade. O Ocidente tornou-se, como sabemos, «um mundo cheio».
Mas esta multidão humana punha sérios problemas. Será, em parte, no crescimento populacional anterior que devemos procurar as razões da quebra demográfica do século XIV.
Distinguir, em termos religiosos, culturais e geográficos, os outros mundos: Bizâncio e Islão
Bizâncio sofreu as ameaças do mundo islâmico devido, principalmente, à sua má política religiosa relativamente às províncias orientais. Este facto contribuiu, em larga medida, para uma rápida conquista pelos Árabes. Assim, entre 635 e 650, os muçulmanos conquistaram a Síria, a Palestina e o Egito, antes de atacarem Constantinopla, de 674 a 678, embora a incursão não tenha alcançado sucesso. Já no fim do século conseguiram impor-se na África do Norte bizantina.
O Império Bizantino nunca contou com o facto de o Islão ser tão poderoso e subestimaram sempre o inimigo. Para além disso, encontrava-se esgotado devido às lutas que travara com outros impérios, nomeadamente com o Império Sassânida, em 628, pela posse do Próximo Oriente. Encontrava-se igualmente enfraquecido pelas suas querelas internas e, portanto, mais vulnerável às investidas dos muçulmanos. As grandes controvérsias religiosas marcaram o Império Bizantino sob Heráclio e passaram à história pela violência das perseguições levadas a cabo pelos ortodoxos de Constantinopla contra os monofisitas e os jacobitas da Síria e do Egito. Aproveitando estas lutas, os muçulmanos acabaram por conquistar estas duas importantes províncias bizantinas.
O maior impedimento que os muçulmanos encontraram na conquista do mundo bizantino foi a difícil transposição das montanhas do Taurus, na atual Turquia. As incursões dos omíadas em províncias bizantinas caracterizaram-se mais por pequenos ataques do que por verdadeiras guerras de conquista. Contam-se algumas sedições a Constantinopla em 668, de 674 a 680 e de 716 a 718, embora sem que os muçulmanos tenham alcançado qualquer sucesso.
Mostrar o papel desempenhado pela religião na coesão interna do mundo ocidental
Apesar da multiplicidade de poderes que dominavam a Europa, a Igreja Católica conseguiu sempre manter-se como um ponto comum, que unia toda a Europa na mesma Fé, acabando por assumir um papel determinante na vida das populações e na esfera do poder político.
De facto, a Igreja, através do seu chefe supremo, o papa, representava Cristo na Terra, dominando um vasto território, possuindo várias riquezas, bem como um clero organizado. Assumia-se como líder espiritual e temporal da Cristandade, reconhecendo leis, reis, estados, limitando o direito à guerra e convocando as cruzadas (Guerras Santas).
Justificar o desenvolvimento económico entre os séculos XII e XIII
Entre os séculos XI e XIII viveu-se um período de relativa paz, com o fim das invasões, dando oportunidade ao estabelecimento definitivo das fronteiras, o que conduziu a um tempo de acentuada prosperidade económica. Associado a este facto está, também, a melhoria climática verificada, os progressos técnicos, a nível agrícola, comercial e industrial, e a melhoria nos transportes marítimos.