Esclerose Múltipla: causas, sintomas e tratamentos

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EM (Esclerose Múltipla): sistema imunológico

EM (Esclerose Múltipla): alterações no sistema imunitário periférico e no sistema nervoso central (SNC) levam a lesão inflamatória e desmielinização.

  1. Falha nos mecanismos de tolerância central.
  2. Falha dos mecanismos de tolerância periférica; desequilíbrio com diminuição de linfócitos T reguladores (Treg) e aumento de linfócitos Th17; ativação de linfócitos T autorreativos.
  3. Ativação de linfócitos T autorreativos.
  4. Alteração da permeabilidade da barreira hematoencefálica (BHE).
  5. Ativação da micróglia e dos linfócitos B no SNC.
  6. Lesão da mielina, dos oligodendrócitos (que regeneram a mielina) e dos axónios.

Os itens 5 e 6 são consequência dos dois primeiros (sistema imunológico periférico e BHE), que desencadeiam uma resposta inflamatória grave.

Tipos de Esclerose Múltipla

  • Surto‑Remissão: inicia-se com surtos que vão somando incapacidades; os surtos são habitualmente tratados com corticóides para reduzir a inflamação e prevenir agravamentos. Pode transitar para fase secundariamente progressiva.
  • Progressiva: não existem surtos claros, mas existe incapacidade progressiva contínua.

Tratamento da Esclerose Múltipla

Estratificação por linhas terapêuticas:

  • 1.ª linha: tratamentos menos eficazes, mais seguros e melhor conhecidos. Exemplo: Interferão — efeitos secundários pseudo‑gripais 3–6 horas após a administração; por vezes recomenda‑se a administração à noite. Vigiar o local de injeção.
  • 2.ª linha: tratamentos mais eficazes, conhecidos mas com problemas de segurança. Exemplos:
    • Natalizumab — risco de leucoencefalopatia multifocal progressiva (PML).
    • Fingolimod — evitar gravidez; monitorizar efeitos cardiovasculares e infeções.

EM ≠ Guillain‑Barré

Ambas são desmielinizantes, mas diferem em vários aspetos:

  • Esclerose Múltipla: crónica, afeta o SNC, pode haver perda de oligodendrócitos e ausência de remielinização completa.
  • Síndrome de Guillain‑Barré: aguda, afeta o sistema nervoso periférico (SNP), ocorre frequentemente remielinização e recuperação parcial ou total.

Síndrome de Guillain‑Barré

Guillain‑Barré: caracteriza‑se por dor inicial nos membros inferiores (dor ascendente), fraqueza muscular progressiva rápida, diminuição ou perda dos movimentos e paralisia flácida.

Doença de Parkinson

Parkinson: doença neurodegenerativa, muitas vezes idiopática, que afeta o SNC. Manifestações principais:

  • Tremor em repouso (lentificado), rigidez muscular, hipocinesia/acinésia.
  • Instabilidade postural (desequilíbrio), alterações cognitivas e demência em fases avançadas.
  • Transtornos do sono e outros sintomas não motores.

Coreia de Huntington

Coreia de Huntington: doença autossómica dominante, degenerativa e progressiva, com impacto cognitivo. Habitualmente manifesta‑se entre os 35 e os 50 anos e apresenta movimentos anormais (coreia), alterações comportamentais e declínio cognitivo.

Cefaleias: primárias e secundárias

Cefaleias primárias (a causa não é conhecida, mas existem fatores desencadeantes):

  • Enxaquecas: geralmente fronto‑temporal ou unilateral, pulsátil e agravada pelo esforço; pode causar fotofobia, fonofobia, aversão a odores e náuseas. (Nota: a enxaqueca pode também ser bilateral em alguns casos.)
  • Cefaleias em salva: dor temporal ou periorbital unilateral, intensa e episódica, com tendência a ocorrer sempre à mesma hora; associa‑se a alterações do padrão de sono.
  • Cefaleias tensionais: dor na região occipital ou frontal, tipicamente bilateral, de difusão, de intensidade leve a moderada e associada a fatores desencadeantes (stress, postura).

Cefaleias secundárias: desencadeadas por uma causa identificável; o tratamento é direcionado para essa causa.

Perfis de autocuidado

Descrição dos perfis e estratégias de intervenção:

Independente

  • Não transmitir conhecimento inadequado; questionar e confrontar quando necessário.
  • Dosear a informação de acordo com a vontade do utente de a receber.
  • Estimular e apoiar a tomada de decisão; reforço positivo da autonomia.
  • Ajudar a encontrar estratégias que facilitem a integração de um regime terapêutico flexível e adequado ao gosto, interesses e valores da pessoa.

Abandono

  • Identificar incapacidade de gerir o regime terapêutico; orientar quanto à necessidade de incorporar o regime.
  • Observar a toma diária de medicação, agendar consultas e informar de acordo com o nível de compreensão da pessoa.
  • Aumentar a consciencialização, ajudar a definir objetivos, promover esperança e negociar metas realistas.

Formalmente

  • Dar suporte, promover esperança e ensinar/instruir/treinar habilidades necessárias.
  • Incentivar a tomada de decisão, elogiar progressos e promover a flexibilidade do regime terapêutico.

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