Estado de natureza: Locke e comparação com Hobbes
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a) Como Locke caracteriza o estado de natureza?
(Responda em no máximo 15 linhas)
Para Locke, a vida pode ser vivida sem representação governamental: é possível existir no estado de natureza sem alguém que nos represente ou cuide exclusivamente da nossa segurança. O estado de natureza, para Locke, é um estado de perfeita liberdade e de igualdade, regido pela lei da natureza. Locke acrescenta um componente teológico e moral à sua teoria: por todas as criaturas serem de Deus, há o dever de não prejudicar os outros, isto é, evitar a guerra, salvo em caso de autodefesa. Para Locke, devemos ajudar o próximo sem causar danos a ele nem a nós mesmos.
- Guerra e paz: a tendência é à paz, exceto quando a autodefesa torna o conflito necessário.
- Papel da razão: a razão estabelece e orienta o cumprimento da lei da natureza.
- Propriedade: a propriedade surge do trabalho sobre recursos naturais e é protegida pela lei natural.
- Dois estágios: Locke distingue um estado inicial de liberdade e igualdade regidos pela lei natural e um segundo momento em que surgem conflitos sobre propriedade e segurança, levando à formação do governo.
b) Como Locke difere de Hobbes sobre o estado de natureza?
(Responda em no máximo 15 linhas)
Locke sustenta que o homem é anterior à sociedade e ao Estado: o estado de natureza é algo real e histórico, que muitos povos — segundo ele, como as tribos americanas — viveram. Em contraste, Hobbes descreve o estado de natureza como um cenário de guerra, insegurança e violência, em que a ausência de um poder comum leva à competição e ao conflito constante. Assim, enquanto Locke vê a lei da natureza e a razão como capazes de promover a coexistência e a proteção de direitos (incluindo a propriedade), Hobbes entende que a razão, orientada pela autopreservação, conduz os indivíduos ao medo e à hostilidade, justificando a submissão a um soberano. Além disso, Hobbes destaca que a criação do estado político e da paz exige o domínio e o uso adequado da linguagem, que ele concebe como um artefato humano e não um atributo originário da natureza.
- Guerra e paz: Locke confia em normas naturais para a paz; Hobbes vê o estado de natureza como essencialmente beligerante.
- Papel da razão: para Locke, a razão orienta a moralidade e a cooperação; para Hobbes, a razão visa à conservação da vida e pode levar ao conflito sem autoridade.
- Escopo dos direitos: Locke atribui ampla proteção aos direitos naturais (especialmente propriedade); Hobbes considera que, sem um poder comum, esses direitos produzem conflito, justificando um contrato político forte.