Ética, Liberdade e Direitos Humanos: Princípios Fundamentais
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AUREA: Regras Mínimas da Ética
Apesar da diversidade das teorias, a ética fundamental tem sido uma constante na história e é integral na atualidade.
1. Ética, Liberdade e Responsabilidade
A ética pressupõe liberdade e responsabilidade. Os seres humanos, no uso normal de suas faculdades, executam ações que podem ser indiferentes, más ou boas. Nesse sentido, é dito que "cada pessoa é filha de suas ações".
2. A Regra de Ouro
Em segundo lugar, em muitas culturas e ao longo da história, coincidiu-se com a verdade geral desse preceito, chamada Regra de Ouro: "Não queira para os outros aquilo que você não quer para si".
A aplicação desta regra mostra que a ética rejeita o mal do roubo, da fraude, do assalto, do estupro e do assassinato. Talvez em determinadas circunstâncias, a pessoa não tenha total clareza sobre o mal que faz aos outros, mas todos estão bem conscientes do mal que está sendo feito a eles. É difícil saber o que é bom e ruim: quando a vítima é conhecida, o quadro é bastante completo.
Liberdade e Responsabilidade
Nós queremos ser livres; não podemos conceber uma vida se não formos livres. Para defender a liberdade, os seres humanos têm lutado ao longo da história. A liberdade em sua dimensão social é especificada em liberdades essenciais para uma vida plena: de consciência, de expressão, de informação, de educação, de reunião, de transporte, de trabalho e de negócios.
O dicionário da Real Academia Espanhola define a liberdade como o poder inerente que o ser humano tem de agir de uma forma ou de outra, ou de não agir, sendo por isso responsável. A liberdade é uma característica do ser humano. Os animais não são livres; nascem pré-programados e são determinados pelo seu código genético. Os seres humanos não nascem sujeitos a certas estruturas de comportamento, nem são limitados por seus instintos.
Liberdade Fundamental e Dignidade
A liberdade fundamental: o ser humano é livre constitutivamente, pois é inteligente e possui uma dignidade que o torna um fim em si mesmo. Não é que os seres humanos tenham liberdade ou liberdades, mas sim que o ser humano é livre. A liberdade interior é um direito fundamental e o fundamento dos direitos humanos.
Liberdade Negativa e Liberdade Positiva
A Liberdade Positiva é a capacidade de decidir entre as diferentes possibilidades oferecidas em uma determinada situação. Esta capacidade de tomar decisões reside no sujeito que age. Esse tipo de liberdade também é chamado de Livre-Arbítrio.
A Liberdade Negativa ("O que não me impede de fazer o que eu quero") refere-se à exterioridade do sujeito. Consiste na ausência de constrangimentos externos que impedem a ação. Esse tipo de liberdade também é chamado de Liberdade de Ação. Manifesta-se na vida política, cívica e social humana, sendo uma característica de países democráticos onde há liberdade de religião, de associação e de expressão.
Liberdade e Ética da Responsabilidade
Os princípios éticos são necessariamente verdadeiros, mas são objeto da escolha da liberdade. Sem liberdade, não pode haver ética. E a ética da liberdade é também a ética da responsabilidade. Se somos livres para as nossas próprias ações, devemos nos responsabilizar pelas suas consequências, favoráveis ou desfavoráveis. A responsabilidade dos outros é clara: quem faz o pagamento. Mas não há dúvida razoável sobre a sua própria responsabilidade, que muitas vezes consiste na coragem de não se esconder no anonimato, na massa, e enfrentá-la, o que é um sinal de maturidade e personalidade.
Direitos Humanos
Um direito humano é algo que pertence à pessoa em virtude de sua existência. É algo com que uma pessoa nasce, daí o nome também de Direito Natural, pois é inerente ao nascimento. Como direito pessoal ligado à pessoa ao longo de sua vida, é inalienável e não tem data de validade.
Os direitos humanos, tão importantes na vida social e política, possuem, em primeiro lugar, uma natureza ética. Embora sua fundamentação varie de acordo com diferentes doutrinas éticas, existe um consenso geral sobre os elementos essenciais:
- Direito à vida, à integridade pessoal, a não ser torturado e a morrer em paz.
- Direito à liberdade de pensamento, de expressão, de consciência, de religião, etc.
- Direito de propriedade e ao que se recebe através do trabalho.
- Direitos económicos e sociais: à educação, ao trabalho, à greve, aos cuidados de saúde, à segurança social e ao descanso.
A lista dos direitos humanos é uma lista aberta. Seu conteúdo foi ampliado ao longo dos últimos dois séculos.
Considera-se hoje completamente injusto o que antes parecia normal, por exemplo, o fato de as mulheres não poderem votar. Atualmente, as mulheres em muitos países ainda são discriminadas.
Fundamentação dos Direitos Humanos
As principais respostas que surgiram ao longo da história podem ser resumidas em duas: a Lei Natural e o Historicismo.
1. A Lei Natural
A Lei Natural baseia-se na existência de direitos pessoais e limitações que decorrem da própria natureza humana, a mesma para todos os seres humanos. Por natureza, não se compreendem apenas os aspetos biológicos, mas também o ser racional e livre. A existência dos direitos naturais seria verificável de algumas destas formas:
- a) Intuição
- b) Raciocínio
- c) Como consequência imediata da criação de Deus da natureza humana com direitos e deveres iguais.
2. O Historicismo
O Historicismo defende que os direitos humanos são uma construção cultural e histórica que os seres humanos acordaram por ser útil para ordenar a vida. O conteúdo destes direitos não é absoluto, mas sim relativo aos tempos e culturas.