Ética e Natureza Humana: Do Cristianismo a Rousseau

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O Cristianismo: Inferioridade e Dever

O cristianismo nasce como religião de indivíduos que não se definem por seu pertencimento a uma nação ou a um estado, mas por sua fé num mesmo e único Deus.

Existem duas diferenças primordiais:

  • 1) A ideia de que a virtude (fé: qualidade da relação de nossa alma com Deus; a caridade: o amor aos outros e a responsabilidade pela salvação dos outros, conforme exige a fé) se define por nossas relações com Deus e não com a cidade nem com os outros.
  • 2) Livre-arbítrio: o impulso espontâneo de nossa liberdade dirige-se para o mal e para o pecado. Somos seres fracos, pecadores, divididos entre o bem e o mal.

A ideia de dever

É a ideia de que a virtude é a obrigação de cumprir o que é ordenado pela lei divina. Para obedecer à lei divina, três virtudes são necessárias: fé, esperança e caridade. São as virtudes teologais, isto é, referidas à nossa relação com Deus.

Virtudes cardeais que devem guiar nossos passos no mundo moral:

Coragem, justiça, temperança e prudência.

Virtudes morais:

Sobriedade, prodigalidade, trabalho, castidade, mansidão, modéstia e generosidade. Em oposição aos 7 pecados capitais: gula, avareza, preguiça, luxúria, ira, soberba (orgulho) e inveja.

Legado da filosofia moral

O cristianismo deixou como legado à filosofia moral a distinção entre 3 tipos fundamentais de conduta, que podem ser assim resumidos:

  • 1) A conduta moral ou ética, que se realiza de acordo com as normas e as regras impostas pelo dever (é o que ocorre na Igreja).
  • 2) A conduta imoral ou antiética, que se realiza contrariando as normas e as regras fixadas pelo dever.
  • 3) A conduta indiferente à moral, quando agimos em situações que não são definidas pelo bem e pelo mal, e nas quais não se impõem as normas e as regras do dever.

Natureza humana e dever

O cristianismo introduz a ideia do dever para resolver um problema ético: oferece um caminho seguro para a nossa vontade que, sendo livre, mas fraca, sente-se dividida entre o bem e o mal.

Ampliando a comparação: A ética de Espinosa

A naturalidade das paixões

Para Espinosa, somos seres naturalmente afetivos, isto é, nosso corpo é ininterruptamente afetado por outros corpos e afeta outros corpos. O afeto ou sentimento é constituído de nosso corpo e de nossa alma. Nossos afetos são naturalmente paixões, pois somos naturalmente passionais, já que sofremos a ação de causas exteriores a nós. Por natureza, vivemos rodeados por outros seres, mais fortes do que nós, que agem por nós. 3 são as paixões originais primitivas: alegria, tristeza e desejo.

A servidão passional e a liberdade afetiva

Que é o vício? Não é ter paixão, é a fraqueza para existir, agir e pensar. Que é a virtude? Ter força interior para passar da passividade à atividade. É a ação. O bom é o que é útil para o crescimento de nosso ser; o mal, o que nos impede de alcançar algo bom para nossa existência.

Rousseau e a Bondade Natural

Rousseau tem como essência a crença de que o Homem é bom naturalmente, embora esteja sempre sob o jugo da vida em sociedade, a qual o predispõe à depravação. Para ele, o homem e o cidadão são condições paradoxais na natureza humana, reflexo das incoerências que se instauram na relação do ser humano com o grupo social, que inevitavelmente o corrompe. É assim que o Homem, para Rousseau, se transforma em uma criatura má. Por esta razão, o filósofo idealiza o homem em estado selvagem, pois primitivamente ele é generoso. Mas Rousseau acredita que há um caminho que pode reconduzir o indivíduo à sua antiga bondade.

Ele crê que a carência de igualdade na personalidade humana é algo que integra sua natureza; já a desigualdade social deve ser eliminada, pois priva o Homem do exercício da liberdade. Rousseau estabelece três etapas evolutivas na jornada do Homem: o homem natural, o homem selvagem e o homem civilizado. A solução apontada por Rousseau é enveredar pelos caminhos do autoconhecimento.

Locke e Hobbes: Contrato Social

Locke defendia a garantia dos direitos de um povo (proteção da vida, da liberdade e da propriedade). Para ele, esses direitos deviam ser prioridade de um governo. Hobbes defendia a tese do homem que, por viver num estado de natureza onde todos estariam preocupados com os seus próprios interesses, necessitaria de um governante forte para apaziguar os conflitos humanos. A guerra de todos contra todos só seria superada através do contrato social.

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