Ética Profissional do Professor
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Ética Profissional
Ética: A Ciência da Bondade ou Maldade dos Atos Humanos
Com esta definição, temos que a ética tem dois aspectos: um científico e outro de caráter racional.
O caráter científico informa que a ética é uma ciência. A ciência é baseada em um paradigma, pois fornece um modelo universal ou padrão da realidade. Podemos dizer que a ciência prevê o comportamento de um objeto porque fornece o modelo em que ele opera. Assim, a ciência vai "indicar" como "deve" atuar um objeto. Ela se baseia no método científico, que é responsável por verificar, por todos os meios possíveis, a adequação do modelo com a realidade. Lembre-se que o modelo inicial proposto pela ciência é uma hipótese e que, graças ao método científico, a hipótese pode ser testada e, nesse momento, já é um modelo baseado.
Em suma, a natureza científica da ética se baseia no argumento de que a disciplina oferece um paradigma comportamental valioso que o homem deve seguir.
O caráter racional vem do uso da razão. A ética não é uma ciência experimental, mas racional, pois fundamenta suas normas e preceitos éticos por meio da razão.
Com tudo isso, podemos dizer que a ética está preocupada em fornecer razões pelas quais certos comportamentos são bons e, portanto, dignos de serem realizados. Também argumenta contra comportamentos inadequados, como assassinato, uso de drogas, trapaça, abuso, roubo e assim por diante.
Ética Pessoal
A decisão que você, como indivíduo, toma ao escolher entre o bem e o mal, de acordo com os valores e a formação de cada pessoa.
Ética Profissional
A profissão pode ser definida como "a atividade pessoal, fixada de forma estável e honrada, a serviço dos outros e para si, sob o impulso de sua própria vocação e condizente com a dignidade da pessoa humana".
Em virtude de sua profissão, o sujeito ocupa uma posição que lhe confere direitos e deveres especiais, como:
- Vocação: A escolha da profissão deve ser completamente livre. Aqueles que escolhem de acordo com sua vocação têm garantida metade do sucesso em seu trabalho.
- Objetivo do trabalho profissional: O bem comum. O treinamento necessário para realizar esse trabalho é sempre orientado para um melhor desempenho em atividades especializadas para o benefício da sociedade.
- Benefício próprio: O ideal é considerar o prazer e a utilidade da profissão, e não dar tanta ênfase a esse aspecto, porque todo mundo está inclinado, por natureza, à consideração do ganho pessoal, graças à sua profissão.
- Capacidade profissional:
- Capacidade intelectual: O corpo de conhecimento dentro de sua profissão, que o torna capaz de realizar trabalhos especializados.
- Capacidade moral: O valor do profissional como pessoa, o que dá dignidade, seriedade e nobreza ao seu trabalho, digno de apreciação.
- Aptidão física: Refere-se principalmente à saúde e às qualidades corporais, que é sempre necessário cultivar, como bons instrumentos da atividade humana.
- Deveres profissionais: É bom considerar algumas tarefas típicas de cada profissional. O sigilo profissional é um destes. Diz ao profissional que ele não tem o direito de divulgar informações que lhe foram confiadas para realizar seu trabalho. Isso é feito para não prejudicar o cliente ou para evitar danos graves a terceiros. A associação profissional também deve incentivar os membros de sua especialidade. A solidariedade é um dos meios mais eficazes para aumentar a qualidade do nível intelectual e moral dos associados.
1. O Ensino em Nossa Sociedade
Ensinar os ignorantes era e é uma das quatorze obras de misericórdia do catecismo: uma atividade descentralizada que qualquer um é capaz de realizar. Não é necessário um diploma de bacharel ou professor para praticá-la, apenas ser uma alma misericordiosa e saber o que se quer ensinar aos outros.
Como tantas outras atividades, o ensino foi institucionalizado e passou a ser confiado a um corpo de profissionais: professores e mestres. O ensino é uma atividade profissional que tem, pelo menos em algum grau, todas as características que definem uma profissão:
a) Presta um serviço específico à sociedade.
b) É uma atividade encomendada e executada por um conjunto de pessoas (profissionais) que se dedicam a ela de forma estável e a têm como seu meio de vida.
c) O acesso ao ensino profissional se dá após um longo processo de treinamento, requisito para ser credenciado para o exercício.
d) Os profissionais formam um grupo mais ou menos organizado (o corpo docente da escola ou profissionais) que tem ou pretende obter o controle monopolista sobre o exercício de sua profissão.
Com a educação obrigatória mais ampla e a abertura de outros níveis a amplas camadas da população, o número de professores está crescendo. Por essa razão, vale lembrar que a profissão docente nem sempre existiu e nem sempre apresentou os perfis de sua configuração atual. Nasce em um certo tipo de sociedade e é uma função da sociedade. A cada tipo de sociedade, uma forma de conhecimento. À mudança na concepção de conhecimento corresponde uma mudança na concepção de ensino e do perfil dos responsáveis por transmiti-lo. As mudanças nas configurações do tipo de professor são mudanças correlativas e interdependentes no perfil dos alunos, aprendizes ou estudantes.
Quando não havia escolas, aprendia-se a viver caçando, fazendo artesanato e exercitando o ofício nas oficinas. Há críticos da sociedade educada, como Ivan Illich, que acreditam que hoje o importante é aprendido fora da sala de aula. No entanto, em geral, estima-se que já não é possível viver e entender o mundo sem passar pela escola. A escola, como é, tem muitas falhas, mas não passar por ela ou não melhorá-la diminui as oportunidades na vida.
Por tudo isso, professores e educadores são necessários. A eles é confiada a tarefa de facilitar os processos de aprendizagem de conhecimentos e atitudes que promovam o acesso à vida adulta, ao ensino superior, ao mundo científico e profissional pela nova geração. Para continuar levando a vida que levamos ou que estamos tentando levar, é necessária não só a escola, mas também o conhecimento a ser pesquisado e ensinado na universidade. Não se pode ficar saudável sem médicos, administrar a justiça sem advogados, não ter engenheiros técnicos, informação sem jornalistas, ou suportar o estresse da vida moderna sem ir a um psicólogo. Todos eles, para chegar a praticar suas respectivas profissões, devem ter passado muitos anos na sala de aula, onde se encontraram, por sua vez, com outros profissionais: os professores.
Não há acordo explícito sobre o que deve ser transmitido pelos professores. A educação, como propôs o primeiro modelo ilustrado, pretendia transmitir "a ciência", a visão científica do mundo, ou pelo menos permitir o acesso a essa visão. Da ciência, esperava-se a correção dos males materiais e sociais da humanidade. Ao longo do tempo, tornou-se claro que isso é pretensioso e insuficiente. A escola, além de ensinar matérias, deve contribuir para a formação de pessoas para que elas possam participar plenamente da vida e da cultura da sociedade em que nasceram e estão crescendo.
Toda vez que algo dá errado na sociedade, pretende-se que a escola faça funcionar: desigualdades sociais (educação compensatória), tráfego (educação do motorista), meio ambiente (educação ambiental), sexo (educação sexual), convivência, paz, solidariedade (educação...). A escola não pode suprir a privação familiar e social. Em princípio, os professores, como tal, são responsáveis pela atividade de ensino, pois é para isso que foram preparados e é isso que sabem ou deveriam saber fazer. "Eu não sou seu pai", "Eu não sou seu amigo", dizem alguns professores, marcando os limites e as distâncias das expectativas demasiado globalizantes com que muitas vezes são destinados a enfrentar.
É verdade que não há professor que possa atuar como pai ou amigo sem que isso seja prejudicial para suas responsabilidades como professor, para o próprio aluno em questão e também para o resto dos alunos. Mas é ingênuo ou mal-intencionado ver o professor apenas em seu ensino, sem a interferência das outras "funções e disfunções" que vêm de sua localização na rede no exercício de sua função. Os professores têm um papel dentro do sistema científico, do sistema de produção, do sistema educacional, do sistema curricular e da promoção social de seus próprios alunos. A complexidade de sua localização no enquadramento estrutural é algo que afeta não só o seu ensino por meio de interferências, mas também a configuração intrínseca de sua prática.
O ensino profissional tem exercido uma enorme importância educacional. É sempre exercido num contexto que não pode deixar de ser educativo (ou ter impacto educacional negativo). Embora os professores estritamente só fossem obrigados a ensinar, que é o que sabem ou deveriam saber, não podem fazer isso muito bem sem se envolverem como indivíduos na formação dos alunos. Professores são profissionais especificamente treinados, aos quais é confiada a tarefa de transmitir conhecimentos, estimular a aprendizagem e as habilidades cognitivas dos alunos, e orientar a aquisição de competências, métodos e atitudes. Ao cumprir seus deveres, ensinam e educam, não só contribuindo para o crescimento intelectual de seus alunos, mas, ao mesmo tempo, educando e aumentando o nível vital e pessoal. O ensino é agora uma parte importante da tarefa de educar. A educação é sempre, ainda que de forma parcial, aprender a viver.
2. Coordenadas Éticas da Profissão Docente
Herbert Spencer (1820-1903) escreveu um livro sobre a origem e a evolução das principais profissões. Ele apresenta o nascimento de diferentes profissões como um passo evolutivo no crescimento da vida. "O professor, tanto por meio da instrução quanto da disciplina imposta, torna os alunos capazes de se adaptar a qualquer ocupação de forma mais eficaz e obter lucros para a sua subsistência, e a vida aumenta." Os poetas e atores, pintores, escultores e arquitetos melhoram a vida através do fornecimento de beleza e significado. Tentaremos dizer qual é a principal contribuição de professores para o aumento da vida.
a) O Princípio da Beneficência
Um profissional ético é aquele que faz o bem em sua profissão ao exercê-la. Nada é mais moral do que deixar todo mundo fazer o que tem que fazer. Todas as atividades realizadas procuram alcançar o bem a que essa atividade é intrinsecamente orientada. Todo profissional tem seu núcleo ético e seu encorajamento máximo nos bens intrínsecos previstos. Os cuidados de saúde, de acordo com o conhecimento e as técnicas disponíveis, são o bem intrínseco da profissão médica. Assessorar e representar em juízo e nas relações contratuais para defender os direitos e interesses legítimos de seus clientes sob a lei atual é o bem intrínseco da profissão jurídica, e assim por diante.
Platão disse que nenhuma "arte" é exercida para o bem de quem a exerce. No entanto, se a entendermos como a formulação institucional do que se espera que seja o exercício de uma profissão, então ela permanece: expõe as razões que dão legitimidade no espaço público às diversas atividades sociais com a sua funcionalidade. Pode ser que os motivos para o estabelecimento de uma ou muitas pessoas escolherem a profissão médica tenham sido ou ainda sejam receber um alto nível de renda ou status social que a profissão proporciona. Isso não impede que se afirme que a profissão médica é exercida para o bem dos destinatários dos serviços médicos. A educação também não é para o bem do professor, é para o bem do aluno.
O exercício eticamente responsável da função docente envolve, pelo menos, estes deveres e responsabilidades: primeiro de tudo, ensinar, compreender o ensino e ajudar na aprendizagem. Isso é positivo: "Os professores devem ensinar o que ensinam, dentro dos limites que são indicados. Sair desses limites é pedantismo...". À medida que se continua a exercer, o professor cai no pedantismo, e fora do lugar e do que não são apenas estudantes. Ensinar envolve também saber como ensinar. Para acompanhar e ensinar, é preciso dedicação ao ensino de bolsas, atenção aos alunos, publicações recentes, para ver se o que é ensinado é endossado ou questionado pelo contraste científico ou intelectual com os métodos.
Não se trata de mero desejo de justiça: o ensino é integral para fazer a diferença entre o que é certo e o que é errado. Algumas abordagens pedagógicas que se esforçam para estabelecer um decreto de que ninguém faz nada errado, apenas diferente, distorcem a realidade e promovem a desmoralização do "vale tudo". Quando essa falta inicial de simetria é promovida e se procura manter uma dependência permanente, cai-se no paternalismo. Essa falta de simetria resulta em uma relação de dependência que não deve ser prorrogada além do que é certo e tentando evitar qualquer abuso de poder. A posição inicial de superioridade (em idade, experiência, conhecimento e status) não deve ser usada, por exemplo, para tentar exercer uma influência ideológica, muito menos para qualquer forma de exploração, manipulação, abuso ou maus-tratos.
O aluno não é um mero destinatário do ensino, mas alguém que progressivamente participa ativa e responsavelmente no processo de aprendizagem. É uma pessoa, um sujeito de direitos, e não meros receptores de serviços e suporte. Assim, é capaz de dizer uma palavra, deve ser respeitado, levado em conta, relatado. Os limites são difíceis de especificar em cada caso e também estão evoluindo. Até atingir a maioridade, seus direitos e interesses são representados pelos pais ou responsáveis.
c) O Princípio da Justiça
A ética profissional não se limita às relações bilaterais entre profissionais e destinatários de serviços profissionais, no nosso caso, entre professores e alunos, educadores e estudantes. Quando professores e alunos se reúnem pela primeira vez na sala de aula, não estão em um espaço infinito e neutro que eles mesmos podem configurar como quiserem. Estão no quadro institucional de uma escola primária, secundária ou superior, estatal ou privada, organizada, na qual cada professor deve desenvolver as tarefas, os objetivos e os conteúdos do currículo atribuído de acordo com critérios prefixados, com recursos suficientes ou insuficientes, no contexto de uma estrutura organizacional em que as próprias habilidades e as dos outros também são em grande parte predeterminadas.
Este quadro de competências é desenvolvido no trabalho dos professores. Antes falávamos sobre as habilidades no sentido de adquirir habilidades para o exercício da profissão. Agora falamos de competência em um sentido análogo ao que queremos dizer quando dizemos, por exemplo, que um juiz é competente ou não em um caso. Com isso, não estamos emitindo uma opinião sobre suas habilidades e sabedoria para julgar, mas sobre o âmbito de sua competência, além do qual a questão já não lhe compete, mas a outro. Também os professores, como outros profissionais, devem agir dentro de seus poderes, em sua rede. É injusto afirmar que uma sociedade injusta e desigual acredita que só a escola pode se regenerar. Não é indiferente o que os professores fazem para promover, através do ensino e da educação, condições sociais mais equitativas.
Professores, em suas tarefas diárias de ensino, dificilmente podem mudar o curso geral dos acontecimentos que afetam tanto o que fazem. Se os professores, individualmente, só podem influenciar efetivamente as condições sociais globais que os configuram, se os mesmos locais, um por um, nem têm em suas mãos a modificação dessas condições, os dois grupos, também lucidamente para atender a essas condições, são chamados a exercer uma influência decisiva na definição de estratégias adequadas para atingir os objetivos de educação e ensino no desafio e na mudança das condições sociais.
3. Profissão e Vocação
O papel dos professores está sendo o foco central da pesquisa e das abordagens pedagógicas atuais. ESTEVE e outros (1995) estimam que uma das razões fundamentais para o "mal-estar dos professores" está na incompatibilidade que ocorre entre a sobrecarga de idealismo da formação inicial e a realidade em mudança social e escolar que torna a realização desses ideais frustrante e continuar a aspirar a eles.
Muitas vezes, sempre que o sistema de ensino é questionado, é reivindicada como uma solução, ou pelo menos como pré-requisito e prioridade, o aumento do dinheiro do prêmio. Pode ser que aí resida algumas deficiências. Sem negar a realidade e as dificuldades que a realidade complexa e mutável representa para o trabalho dos professores na forma de exigências excessivas, muitas vezes incompatíveis entre si, não acho que a solução tenha que ser abandonar as abordagens políticas. Tanto a formação inicial quanto o desenvolvimento da aprendizagem ao longo da vida e da prática profissional devem dar atenção primária ao componente ético da prática profissional. Não se trata apenas de desenvolver o ensino disto ou daquilo, mas de que somos professores, somos educadores. Sem negar que há uma possibilidade e até necessidade de manter uma certa distância (nunca somos total e exclusivamente o que fazemos, somos também outra pessoa, como refletido na expressão complementar: "Temos uma profissão") entre a nossa identidade e as nossas ocupações.
A educação por si só representa um ato de moralidade, ou seja, deve-se trabalhar para o benefício dos alunos e para sua liberdade e desenvolvimento integral, independentemente dos interesses e crenças. A missão do ensino é a convocação de seus alunos para um projeto de impacto social através de iniciativas de liderança colaborativa e incorporar as necessidades dos próprios alunos, em benefício de si mesmos e de sua comunidade.
O Código de Ética dos Professores reflete o valor de cada pessoa e seu ambiente social, como afirmação dos princípios que devem prevalecer nas relações humanas, a fim de manter altos padrões de ética para a prática profissional dos professores e orientar seu comportamento nas relações com os alunos, colegas, instituições e comunidade.
O professor deve:
- Artigo 1. Assumir a obrigação de governar a sua prática sempre com base em princípios científicos e éticos inerentes à prática do ensino.
- Ser receptivo aos problemas que os alunos que lhe são atribuídos e salvar as informações recebidas.
- Estimular o pensamento científico, especialmente na prática.
- Compartilhar seu conhecimento e experiência com os alunos com objetividade e veracidade do conhecimento científico atualizado na área em questão.
- Evitar a execução de qualquer aspecto do ensino em termos de pressão ou chantagem de natureza pessoal dos alunos e/ou autoridades escolares, pais ou outras pessoas.