Evolução do Conceito de Adolescência: Histórico e Teorias

Classificado em Psicologia e Sociologia

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Sociedade Moderna e a Criança/Adolescente

Soc. Mod.: Dependência da criança/adolescente frente ao adulto. Atualmente, busca-se o tratamento igualitário, mesmo em meio a conflitos.

  • Ariès (Fim do séc. XVIII ao XIX): A burguesia separou a criança/adolescente do mundo do trabalho. Estabeleceu-se a dependência jurídica, política e emocional do adulto.
  • Lash: A adolescência tornou-se objeto de estudo, focando em como criar e corrigir desvios dos filhos.
  • Coll: Normas de conduta previstas para faixas etárias, definindo o que é normal e anormal. A criança é vista como um ser em processo de se tornar adulto.

Atualmente:

  1. Relações mais igualitárias.
  2. Ênfase na família, diálogo, participação e afeição.
  3. Jovens permanecem mais tempo com os pais (devido a estudos e dificuldades em conseguir emprego).
  4. Crítica à educação autoritária; só é válida se estiver em conformidade com a razão.
  5. Pais confusos quanto ao seu papel.
  6. Minimização das diferenças entre gerações, evitando lembrar a criança de sua imaturidade e dependência.
  7. Direito de consumir como um caráter de cidadania.

Unidade I: Transformações Histórico-Culturais

Construção do Conceito de Adolescência

Stanley Hall

Pioneiro em pesquisas sobre a adolescência. Influenciado por Darwin, defendia que o desenvolvimento intelectual (ontogênese) repete o desenvolvimento da espécie (filogênese). Via a adolescência como uma transição entre o primitivo e o civilizado. Diferentemente de outros autores da época, considerava o adolescente como perturbado, desajustado emocionalmente e instável em seu humor.

Arnold Gesell

Defendia o determinismo biológico (genético), com sequências maturacionais inatas. Via pouca influência dos pais, professores ou cultura no desenvolvimento, que ocorre em forma de espiral (movimentos ascendentes e descendentes).

Harry S. Sullivan: Teoria Interpessoal

O comportamento interpessoal é tudo o que se pode observar da personalidade. O “eu” está sempre em relação a outro significativo. As relações podem ser reais ou com a imagem do outro/si mesmo. Há transferência de energia entre o conceito manifesto (falar, andar) e o conceito oculto/privado (pensar, fantasiar).

Dinamismo: Padrão relacional estável que caracteriza as relações interpessoais (ex: dinamismo de ódio, quando a pessoa é habitualmente hostil com outro). Dinamismo Conjuntivo: União e interação (ex: intimidade). Dinamismo Disjuntivo: Desintegração psicossocial (ex: ansiedade).

  • Pré-adolescência: Isofilia, ver a si próprio através do outro.
  • Adolescência Inicial (Puberdade): Apetite sexual, passagem para a heterofilia. Conflitos resultam de tensões das necessidades de gratificação sexual, segurança e intimidade.

Crítica de Sullivan à Cultura

A cultura não acolhe bem o adolescente, restringindo a sexualidade e o amadurecimento rápido, o que torna o adolescente confuso, ansioso e com humor alterado, sempre fruto das relações interpessoais.

Adolescência Posterior: Repertório mais maduro nas relações (mais integradas e estáveis).

Unidade II: Desenvolvimento Cognitivo (Piaget)

Pensamento

Construção de sistemas e teorias mais abstratas (diferente do período das operações concretas). Caracteriza-se pelo egocentrismo intelectual, libertação do pensamento (livre do real) e onipotência da reflexão (o mundo deve se submeter aos seus sistemas). O equilíbrio é atingido quando a reflexão interpreta a realidade.

Afetividade

Desejo de ultrapassar os adultos e desinteresse pelo real (deseja transformá-lo). A adaptação ocorre quando o adolescente se torna realizador (abandona o pensamento reformador). O amor envolve projeções de ideais no objeto e decepções repentinas.

Kohlberg

Revisou as ideias de Piaget. Para avaliar o desenvolvimento moral, apresentou dilemas hipotéticos em forma de histórias a crianças e adolescentes, avaliando as respostas de acordo com o tipo de lógica envolvida e as fontes de autoridade presentes.

Estágios de Kohlberg

Nível I: Moralidade Pré-Convencional

  • Estágio 1: Orientação para punição e obediência (medo da punição).
  • Estágio 2: Individualismo, moralidade convencional, hedonismo instrumental e de troca (a criança segue as regras de acordo com seu interesse imediato).

Nível III (Nota: O texto original pulou o Nível II, mantendo a estrutura):

  • Estágio 5: Raciocínio do contrato social, utilidade e direitos individuais (há valores universais – por ex., a liberdade – e outros passíveis de modificação).
  • Estágio 6: Princípios éticos universais (escolhidos pelo adulto, articulados com um sistema de valores integrados – lei X consciência).

Habermas

Tarefas do adolescente: separar as normas sociais das válidas (relacionadas a princípios universais). Questiona se a vida moral está desconectada da vida concreta. O olhar hipotético do adolescente permite recompor as leis e normas válidas a partir dos destroços das tradições, vistas como meras convenções carentes de justificação.

Diferentemente de Kohlberg, Habermas argumenta que o desenvolvimento moral não é natural. Kohlberg propõe a ética da empatia, e a justiça é relativizada ao ser ligada à benevolência, confundindo-se o respeito à pessoa com o preocupar-se com o bem dela.

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