Evolução Demográfica em Portugal (1960-2010)
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De 1960 a 2010, ocorreu um processo duplo de envelhecimento da população portuguesa:
- Na base: diminuição dos jovens, por efeito da redução da taxa de natalidade (TN);
- No topo: aumento do número de idosos, devido à redução da taxa de mortalidade (TM) e consequente prolongamento da esperança média de vida (EMV).
Fatores que contribuíram para a redução da TN:
- Generalização do planeamento familiar e do uso de métodos contracetivos;
- Aumento da exigência e das despesas com a educação dos filhos, tendo em conta a escolaridade obrigatória de 12 anos e a proibição do trabalho infantil;
- Agravamento da insegurança no emprego e do desemprego, por efeito da crise económica nos últimos anos.
A TN é mais alta nos Açores, Algarve, na Grande Lisboa e Península de Setúbal. É mais baixa em quase todo o interior do país.
A TM é mais baixa no litoral. É mais alta no interior (Pinhal Interior Norte e Sul, Beira Interior Norte e Sul, Serra da Estrela, Alto Alentejo).
O índice de envelhecimento (IE) é mais alto nas regiões do interior, onde a elevada proporção de idosos contribui para as baixas TN e explica os valores mais elevados da TM.
Estes contrastes resultaram do êxodo rural e da emigração, que despovoaram o interior, acentuando-se também a maior fixação de imigrantes nas áreas urbanas do litoral. Os fatores apresentados têm contribuído para o envelhecimento da população residente nas regiões do interior, daí as TN baixas e a TM alta.
A evolução do índice de dependência total (IDT) deve-se a:
- Redução da população jovem, diminuindo a redução do índice de dependência de jovens (IDJ);
- Aumento da população idosa, agravando o índice de dependência de idosos (IDI).
A diminuição do IDT deve-se a:
- Menor dependência de jovens, mas com tendência crescente, devido ao aumento da dependência de idosos.
O défice de qualificação da população ativa também é potenciador do desemprego, porque dificulta a adaptabilidade e reconversão profissional.
Envelhecimento: é uma situação em que a percentagem de idosos, no conjunto da população residente, está a aumentar.
Setores de Atividade
O setor primário sofreu uma grande redução devido ao êxodo rural e à crescente mecanização e modernização da agricultura.
O setor secundário tende a empregar menos população, por efeito do desenvolvimento tecnológico e da deslocalização dos ramos mais intensivos em mão de obra.
O setor terciário cresceu imenso, emprega mais de metade da população ativa, o que reflete a tendência de terciarização da economia, que se explica pela expansão e diversificação do comércio e dos serviços, como a educação, saúde, lazer, turismo, comunicação.
Diferenças Regionais nos Setores de Atividade
- O setor primário tem maior relevância na região Centro;
- O setor secundário é predominante no Norte, onde há mais indústrias que procuram mão de obra intensiva;
- O setor terciário é o mais importante em todo o país, gerando mais de metade do emprego em todas as regiões. Destaca-se em Lisboa, devido à variedade de serviços, Algarve e Madeira, e também pelo desenvolvimento ligado aos serviços financeiros.
Evolução da Taxa de Atividade (TA)
- Diminuição motivada pelo surto de emigração dos anos 60;
- Aumento nas décadas de 70 e 80, devido ao regresso dos portugueses vindos das ex-colónias e diminuição da emigração;
- Aumento mais lento nas últimas décadas devido à taxa de atividade feminina e crescimento da emigração.