Evolução do Pensamento Econômico: De Malthus a Marx
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Malthus identifica três tipos de valores: valor de uso, valor nominal de troca (que pode ser definido como o valor das mercadorias em dinheiro) e valor real das trocas (que pode ser definido como o poder de um objeto comparar as coisas necessárias da vida). O preço das mercadorias que participam da troca é formado pelo que é pago ao trabalhador empregado em sua produção, pelo pagamento dos lucros do capital e pelo pagamento da renda da terra. Para Smith, trata-se do preço natural; para Malthus, o preço necessário.
Os custos afetam os preços se exercem alguma alteração nas condições de oferta. É a variação da oferta que eleva ou diminui o preço da mercadoria. A teoria de Malthus não tem muita importância na economia; as que tiveram foram as de Smith, Ricardo e Marx. O valor nominal é de acordo com a oferta e o valor real também se modifica por meio de uma tecnologia na produção e barateamento do custo.
Renda da Terra e População
A renda da terra ocorre quando a terra vira mercadoria ao passar a ser explorada com a finalidade de atender ao mercado. A renda da terra é definida como a parte do produto total que fica para o proprietário da terra depois de pagar todas as despesas. Existem três razões para o aparecimento da renda da terra:
- A terra produz mais do que o suficiente para manter os cultivadores;
- A peculiaridade das terras agrícolas de criar a sua própria demanda;
- A pressão da população força o uso dos solos inferiores (com custo de produção maior).
Malthus pergunta por que os preços dos alimentos estão subindo. Ricardo diz que é imposição dos latifundiários que aumentam o aluguel. Para Malthus, a única coisa que cria sua própria demanda são as terras agrícolas; ele afirma que o alimento cresce em progressão aritmética e a população em progressão geométrica. Para Malthus, a culpa é da população (pelo crescimento demográfico) e não do latifundiário. Quanto melhor o solo, mais caro será o seu aluguel, conforme vão sendo usados os solos inferiores.
Lei de Say e Demanda Efetiva
A Lei de Say foi assumida por Ricardo; segundo ela, o crescimento econômico depende exclusivamente do aumento da capacidade produtiva. No entanto, Malthus se opõe à Lei de Say: o crescimento econômico depende também do comportamento da demanda efetiva. Os defensores da lei supõem que o lucro é totalmente gasto em consumo ou em acumulação de capital (investimentos), mas os capitalistas podem preferir a indolência ao invés de gastar.
David Ricardo: Renda e Trabalho
Ricardo e a renda da terra: ele queria provar que, quanto mais alto o preço do trigo, mais alta a renda da terra. A parte da renda nacional que cabe aos latifundiários depende das diferentes condições em que se dá a produção agrícola. O valor do trabalho se mede, como o de qualquer mercadoria, pelas quantidades de trabalho contidas nos meios de subsistência. Ricardo apresenta duas objeções à teoria do valor-trabalho:
- Não é possível combinar tipos de diferentes trabalhos com habilidades diferentes;
- Não se leva em conta os aumentos de produtividade possibilitados pelo capital.
A força da oferta e demanda ajusta o preço. Os capitalistas só produzem aquilo que eles mesmos não necessitam porque pretendem trocá-lo por algo que necessitam; a moeda faz a intermediação na troca, mas não é desejada por si mesma. Sobre o lucro: uma variação no salário corresponde a uma variação no lucro. Os lucros dependem dos preços e dos salários, aumentando em proporção direta ao acréscimo dos preços e à redução dos salários. A produtividade decrescente marginal só existe para a terra. Para Ricardo, a tendência é que a taxa de lucro fique estagnada.
John Stuart Mill: Produção e Distribuição
Mill enfatizou a distinção entre produção e distribuição: há leis em ambos os casos, mas elas são diferentes. Ele acredita que, enquanto as leis de produção de riqueza têm o caráter de verdades físicas (universais), a distribuição da riqueza é exclusivamente uma questão de instituições humanas, dependendo das leis e costumes da sociedade. As leis que governam a economia dizem respeito à produção, não à distribuição.
As leis da produção apontadas por Mill incluem: o fato de a produção ser limitada pela poupança, pelas habilidades, tecnologia, uso de máquinas e cooperação no trabalho. São dois os requisitos para a produção: o trabalho e a presença de objetos materiais que passam por transformação mediante a atividade humana. Mill separa o trabalho produtivo do improdutivo. Smith definiu o trabalho produtivo como aquele cujo resultado é palpável em algum objeto material. Mill conceitua o trabalho produtivo como o que cria riquezas e utilidades fixas incorporadas em objetos materiais ou nos seres humanos.
Karl Marx: Materialismo e Alienação
Marx dizia que não eram os pressupostos espirituais numa sociedade que levavam a modificações materiais, mas exatamente o oposto: as condições materiais determinavam, em última instância, também as espirituais. Marx considerava que as forças econômicas eram as principais responsáveis pelas modificações em todos os setores. Ele chamou as relações materiais e econômicas de base, enquanto o modo de pensar, instituições políticas, leis, religião e moral são chamados de superestrutura. O materialismo dialético entende que a base e a superestrutura estão em permanente tensão.
Marx constata que o trabalho adquiriu características desumanas. Os trabalhadores produzem bens que não lhes pertencem e não podem se reconhecer no produto de seu trabalho; quem se apropria é o capitalista, proprietário dos meios de produção. O trabalhador possui apenas sua força de trabalho. Mercadoria é tudo o que se produz para o mercado. Capital é uma relação social de produção que surge com o aparecimento da burguesia. Marx diferencia capital constante (máquinas) e capital variável (força de trabalho).
No capitalismo, o homem não se reconhece na mercadoria; ela o escraviza, processo chamado de alienação ou fetichismo da mercadoria. O trabalho em Marx tem duplo caráter: trabalho necessário (tempo para produzir o equivalente à sua subsistência) e trabalho excedente (tempo em que produz gratuitamente para o empregador). O mais-valor (ou mais-valia) é o valor adicional apropriado pelo capitalista.
- Mais-valor absoluto: aumento da extração através do prolongamento da jornada de trabalho.
- Mais-valor relativo: aumento da extração através do aumento da produtividade.
A composição orgânica do capital mede a taxa de substituição de mão de obra por máquinas. A tendência histórica é o sistema tornar-se capital-intensivo. A lei geral da acumulação prevê uma demanda crescente de força de trabalho, mas uma diminuição relativa da parte variável do capital, acompanhada pelo exército industrial de reserva. Para Marx, esse excedente é causado por fatores econômicos; para Malthus, por causas biológicas. A acumulação primitiva foi a separação entre trabalhador e meios de produção, ocorrida através da violência. Por fim, Marx distingue o trabalho concreto (valor de uso) do trabalho abstrato (valor de troca).