A Evolução da Retórica: De Aristóteles à Nova Retórica
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O Papel de Aristóteles na Retórica
Aristóteles consegue ultrapassar a polémica gerada entre a sofística e o pensamento socrático-platónico. Pode fazer-se um bom ou mau uso da retórica; não é ela que é moral ou imoral, mas quem a utiliza.
A retórica é a técnica de argumentação do verosímil, daquilo que pode colocar-se como discutível no seio dos debates públicos.
A retórica de Aristóteles apresenta-se como uma retórica do raciocínio, por oposição a uma retórica das paixões.
A retórica não é meramente uma arte de persuasão, mas antes uma faculdade de descobrir especulativamente o que, caso a caso, pode servir para persuadir.
O Declínio e a Posterior Reabilitação da Retórica
A partir do termo da Antiguidade Clássica, assistiu-se ao declínio da retórica, que só muitos séculos depois, na Época Contemporânea, conheceu um movimento de reabilitação e de renovação.
O declínio da retórica esteve ligado ao declínio das instituições democráticas e sua substituição, no Período Helenístico, por regimes autocráticos; estes regimes não davam qualquer margem de participação aos cidadãos na vida política. Deste modo, o espírito de discussão, debate e livre exame não fazia qualquer sentido.
Com o Império Romano, a retórica retoma a sua vertente mais estilística, isto é, orienta-se no sentido da eloquência, do ornamento do discurso por forma a agradar aos ouvintes.
Na Idade Média, a força das instituições religiosas e o conceito de verdade revelada prevalecente só permitiram a sobrevivência da retórica enquanto conjunto de estratégias ornamentais do discurso. Se a verdade tinha sido revelada por Deus aos homens, era suficiente acreditar nos livros sagrados.
Na Idade Moderna, a conceção de racionalidade dominante no mundo ocidental também não foi favorável à reabilitação da retórica. À verdade chegava-se por meio de processos dedutivo-demonstrativos a partir de primeiros princípios evidentes em si mesmos, à maneira dos axiomas matemáticos. Identificava-se verdade e certeza, e esta não deixava qualquer margem para dúvidas.
Com o racionalismo cartesiano e a proliferação do espírito científico, a razão não deixa lugar ao exercício da retórica e afasta cada vez mais a filosofia da participação ativa nos assuntos públicos.
Só na Idade Contemporânea é que se criaram condições favoráveis ao ressurgimento da retórica, ressurgimento este que muito ficou a dever a Chaim Perelman e à Nova Retórica por ele teorizada.
Perelman visava distanciá-la do sentido pejorativo que o termo retórica entretanto adquirira e apresentava-a como possuindo duas vertentes indissociáveis: a estilística e a argumentativa. Assim, em Perelman, as expressões argumentação ou nova retórica são frequentemente usadas com sentido equivalente.
A Nova Retórica dirige-se a toda e qualquer espécie de auditório, quer se trate de:
- Toda a humanidade;
- Opinião pública nacional ou internacional;
- Uma multidão;
- Um conjunto de especialistas;
- Um indivíduo ou de nós próprios quando intimamente deliberamos sobre um dado assunto.
Tem como objeto de estudo todo o discurso que tenha por fim convencer ou persuadir todo e qualquer auditório sobre o que quer que seja.