Evolução das Teorias do Desenvolvimento e Globalização
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Teoria das Etapas do Desenvolvimento (TDO)
Contexto Histórico: Revolução Industrial e Colonização.
Contexto Epistemológico:
- Primeira Escola Teórica do desenvolvimento;
- Influência liberal muito forte;
- Etnocentrismo e Positivismo.
- Take-off (Arranque);
- Indução Externa;
- Matérias-Primas;
- Efeito “Demonstração” – Modelo Ocidental;
- Fatores socioculturais vistos como obstáculos.
TDO de Rostow:
Crente no capitalismo e no funcionamento do livre mercado. Apresenta 5 Etapas de crescimento económico:
- Sociedade tradicional;
- Pré-condições para o arranque;
- Take-off (arranque para o desenvolvimento: Poupança, Investimento e Planeamento);
- Consolidação da Maturidade do modelo;
- Consumo de massas.
O fim da TDO ocorre quando o positivismo, a Revolução Industrial e o colonialismo deixam de se verificar.
Teoria da Modernização
Contexto Histórico: Passagem da Revolução Industrial para o Taylorismo e o consumo de massas.
Contexto Epistemológico:
- Passagem do positivismo para a racionalidade;
- Mantém o modelo liberal como modelo explicativo do desenvolvimento;
- Mantém uma explicação etapista.
Diferenças relativamente à TDO:
- O conceito de crescimento económico inova-se para os conceitos de Desenvolvimento e Subdesenvolvimento;
- Autonomização dos fatores socioculturais e também de outros fatores, embora mantenha a primazia dos fatores económicos.
O fim deste modelo dá-se com o pós-II Guerra Mundial e o surgimento dos movimentos independentistas.
Teoria da Dependência
Contexto Histórico: Pós-II Guerra Mundial e surgimento de movimentos independentistas.
Contexto Epistemológico:
- Encontra-se fora das correntes de pensamento dos anos 60;
- Nasce em duas grandes regiões do globo: América Latina (anos 50) e África (anos 60);
- Passa a considerar os fatores socioeconómicos para explicar o desenvolvimento, tanto quanto os fatores meramente económicos;
- Modelo alternativo ao liberalismo;
- Deu voz teórica, epistemológica e política aos países pobres, ajudando a romper com o projeto colonial, liberal e industrial como únicos capazes de promover o desenvolvimento à escala global;
- Inspirou-se em modelos independentistas;
- Rejeita o poder da indução externa;
- Apoia-se na trilogia: Centro, Semiperiferia e Periferia.
Crítica à Teoria da Modernização: Aponta o erro do take-off e a ênfase industrialista.
Teoria do Sistema-Mundo
Contexto Histórico: Décadas de 70 e 80.
Contexto Epistemológico (Immanuel Wallerstein):
- Crítica ao capitalismo global;
- Apoia os movimentos antissistémicos;
- Considera o sistema mundial capitalista muito heterogéneo em termos culturais, políticos e económicos, incluindo grandes diferenças de desenvolvimento civilizacional, acumulação de capital e poder político.
- Não considera as diferenças como um atraso de uns face a outros, mas sim como a própria natureza do sistema mundial.
- Divisão estrutural:
- Centro: área de grande desenvolvimento tecnológico que produz produtos complexos;
- Periferia: área que fornece matérias-primas, produtos agrícolas e força de trabalho barata para o centro. A troca económica é desigual: a periferia vende barato e compra caro;
- Semiperiferia: região de desenvolvimento intermédio que funciona como um centro para a periferia e uma periferia para o centro.
- A consequência da expansão do sistema mundial é a contínua mercadorização de tudo, incluindo o trabalho humano. Recursos naturais, terra e relações sociais perdem o valor intrínseco e tornam-se mercadorias com valor de troca determinado pelo mercado.
- O autor recusa a ideia de 3º Mundo: existe apenas um mundo articulado por um complexo sistema de trocas económicas, caracterizado pela dicotomia entre capital e trabalho e a acumulação de capital entre agentes em concorrência.
Crítica à Teoria da Dependência: Refuta a crença na imutabilidade de algumas economias e afirma a reprodução da relação constitutiva entre os países.
Globalização
- Implica a integração dos mercados financeiros e a extensão da produção global. Remete para a determinação de políticas desenvolvidas no âmbito supranacional;
- Interdependência global de indivíduos, sociedades e nações, não apenas economicamente, mas também social e culturalmente;
- Importância das TIC: Tecnologias por cabo mais eficientes e menos dispendiosas;
- Acesso internacional às redes de comunicação, embora as infraestruturas não se tenham desenvolvido de forma uniforme.
O colapso do comunismo de estilo soviético e as sucessivas revoluções levaram à dissolução da União Soviética. A queda dos regimes comunistas aproximou esses países do sistema económico e político ocidental, integrando-os na comunidade mundial.
Houve um aumento dos mecanismos internacionais e regionais de governo (Nações Unidas, União Europeia), que agregam os Estados-nação em fóruns políticos comuns:
- OIGs (Organizações Intergovernamentais): Organismos estabelecidos pelos governos para regular e supervisionar campos de atividade de âmbito transnacional;
- ONGs (Organizações Não Governamentais): Organizações independentes que operam na tomada de decisões políticas internacionais (ex: Greenpeace, WWF, Rede Global do Ambiente).
Segundo Anthony Giddens, a globalização levou à:
- Emergência de uma ordem pós-tradicional;
- Modernidade reflexiva;
- Transformação do espaço-tempo e dos contextos locais e pessoais;
- Hábitos de vida que se tornam globalmente importantes.