O Evolucionismo na Antropologia: Teorias e Escolas
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As Principais Teorias e Escolas da Antropologia
O Evolucionismo
O estudo das sociedades humanas vivas, na continuidade das interrogações renascentistas sobre a alteridade (ou seja, o outro forçosamente distante e desconhecido), só passou a representar um interesse real a partir do momento em que foi possível obter informações sobre sociedades muito afastadas e estranhas para os europeus pelo contato direto com elas. Anteriormente, tinha-se especulado muito sobre essas sociedades sem ser possível observá-las.
O contato estabelecido com os povos de todos os continentes, graças ao traçado das novas rotas marítimas pelos portugueses da época, constitui um marco na história da humanidade de que a futura antropologia vai poder tirar proveito para atingir o seu objetivo de conhecimento geral sobre o Homem.
O colonialismo europeu e, simultaneamente, a sua justificação pelas teses evolucionistas, vão acelerar todo o processo de conhecimento universal das comunidades humanas vivas. Num primeiro tempo, os missionários e os administradores coloniais elaboram os primeiros relatórios sobre as populações que tinham sob a sua responsabilidade, os quais vão servir de material para elaborar os primeiros grandes trabalhos antropológicos.
O evolucionismo sociológico e a procura das leis do progresso — nos seus contornos modernos da época que vai da segunda metade do século XIX até à segunda década do século XX — constitui-se a partir das teorias biológicas da evolução, inspiradas nos trabalhos de naturalistas como Lamarck (1744-1829), que descreve os processos de evolução biológica e a correlação entre meio ambiente e estrutura biológica.
Mas é sobretudo com Darwin (1809-1882) que, continuando as teorias do transformismo, refere que pelo processo de adaptação necessária à sobrevivência, a espécie animal evoluiu para formas mais complexas. Paralelamente, e por analogias, o evolucionismo sociológico propõe-se estudar os povos (no tempo e no espaço) que se encontram, em finais do século XIX, em estados desiguais de cultura e progresso em relação à Europa.
Inerentemente à procura das leis do progresso, a preocupação dos evolucionistas, cujas escolas dominaram a cena antropológica entre os dois séculos, consistia em tentar explicar as origens das sociedades modernas, consideradas a expressão máxima do progresso humano. A constatação da diferença, que se considera corresponder a vários estados de desenvolvimento das sociedades, era obtida em função dos critérios de comparação com o modelo histórico de evolução das sociedades europeias do século XIX e XX. Forja-se, assim, uma concepção evolucionista autocentrada na história.
Comparando com o processo histórico, o evolucionismo sociológico difere dele pelo fato de não ser identificável por uma cronologia de acontecimentos de forma precisa, nem no tempo nem no espaço. Nestas condições, os processos evolucionistas, forçosamente apoiados numa história hipotética (porque depende de reconstituições conjeturais sobre períodos muito remotos), não eram demonstráveis e muito provavelmente nunca o serão.
A contribuição das suas diferentes formações iniciais converge no estudo dos quadros culturais da humanidade e funda uma nova disciplina pela via da comparação: a antropologia. Bachofen na Alemanha, Maine e McLennan na Grã-Bretanha, e Morgan na América, foram os principais representantes das teorias evolucionistas sobre os estados primitivos da evolução social.
Os Três Principais Estados de Morgan
Lewis Henry Morgan apresentava os três principais estados pelos quais teriam de passar todas as sociedades a fim de atingirem o progresso:
- A selvajaria
- A barbárie
- A civilização
O homem moderno teria, assim, passado da selvajaria para a barbárie depois de ter inventado a olaria e atingido a civilização após ter criado a escrita. Desta massa de informação recolhida, a interpretação acerca da evolução das sociedades e das suas instituições toma duas orientações simultâneas: a que se interroga sobre as origens das instituições (como o parentesco, a religião, etc.) e a que foca na evolução no tempo, em que se pretendia fundar a classificação e a comparação.
As teorias evolucionistas davam demasiada importância às semelhanças em detrimento das diferenças. Os evolucionistas só se interessavam pela diversidade histórica das comunidades humanas na medida em que esta lhes permitia estabelecer as fases da evolução unilinear, em referência à ideia de progresso subjacente à civilização europeia.
Também a escola culturalista americana inverteu a perspectiva ao dar importância à diversidade. Segundo esta escola, as diferentes diversidades culturais são entidades irredutíveis, assim como a unidade do gênero humano representa a capacidade das sociedades humanas de se diferenciarem infinitamente em termos culturais.