Exercício Físico na Gravidez e Condições Especiais

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Pré-Concepção e Fertilidade: O peso corporal influencia diretamente na fertilidade. O excesso de peso dificulta a gravidez devido a:

  • Alterações e distúrbios no processo de ovulação (estrogênio);
  • Diminuição do número de espermatozoides.

Exercício Físico x Fertilidade: A redução do peso corporal pode reverter quadros de infertilidade.

Fisiologia na Gravidez: Ocorrem mudanças na postura, no centro de gravidade, alteração na marcha, aumento da curvatura lombar e cifose torácica.

Pré-eclâmpsia: É uma doença hipertensiva que surge após a 20ª semana de gestação. É a principal causa de mortalidade e morbidade, tanto materna quanto fetal, possuindo um forte componente genético.

Fatores de Risco para Pré-eclâmpsia:

  • Primeira gravidez;
  • Idade acima de 35 anos;
  • Obesidade.

Fisiologia na Gravidez (Continuação):

  • Acréscimo na circulação cutânea de 500 ml (oscilações térmicas);
  • Hipotensão supina: compressão da veia cava inferior em decúbito dorsal;
  • Metabolismo da glicose:
    • Até 20 semanas: Aumento da insulina e redução da glicemia de jejum;
    • 20-40 semanas: Resistência à insulina e redução da tolerância à glicose.

Diabetes Gestacional: Níveis elevados de alguns hormônios resultam na mobilização de lipídeos na forma de ácidos graxos livres, que servem como fonte de energia, poupando a glicose.

Fatores de Risco para Diabetes Gestacional:

  • Idade acima de 25 anos;
  • Obesidade ou ganho excessivo de peso na gravidez atual;
  • Deposição central excessiva de gordura corporal (tronco);
  • História familiar em parentes de primeiro grau;
  • Baixa estatura (1,50m);
  • Crescimento fetal excessivo, hipertensão ou pré-eclâmpsia na gestação atual;
  • Antecedente obstétrico de morte fetal ou neonatal, macrossomia (peso RN acima de 4000g) ou diabetes gestacional prévio.

Outras Alterações Fisiológicas:

  • Edema: aumento da pressão dos capilares nos membros inferiores;
  • Constipação intestinal: trânsito intestinal prolongado devido à progesterona;
  • Pâncreas: hiperfuncionante;
  • Ossos: no último trimestre, há transferência de 25g de cálcio para o feto (1,5 a 2g de cálcio por dia);
  • Ligamentos: embebição gravídica (maior propensão a lesões).

Gravidez e Obesidade: Fatores Associados:

  • Aumento das taxas de complicações durante o trabalho de parto;
  • Maior ocorrência de cesariana;
  • Macrossomia fetal;
  • Desenvolvimento de hipertensão e diabetes gestacional;
  • Malformações congênitas fetais.

Recomendação de Ganho de Peso: Baseia-se no IMC pré-gestacional. Geralmente, 10 a 12 kg durante a gestação. Para IMC entre 26 e 29, o ganho deve ser de 7 a 11 kg.

Riscos do Ganho Excessivo de Peso: Macrossomia fetal e maior risco de complicações no parto e pós-parto.

Riscos de Restrição Alimentar: Comprometimento do desenvolvimento neurológico fetal, RCIU (Restrição de Crescimento Intrauterino). A perda ou ausência de ganho de peso da gestante pode resultar em hipoglicemia (cetoacidose) e morte fetal intraútero.

Macrossomia (Peso superior a 4000g): Risco de lesão ao nascer e complicações no parto. A cesariana reduz lesões, mas não a taxa de morte perinatal e infecção materna pós-natal (deiscência da sutura).

Considerações Importantes: Contraindicações

Contraindicações Absolutas:

  • Doença cardíaca com repercussão hemodinâmica;
  • Doença pulmonar restritiva;
  • Incompetência istmocervical / Circlagem;
  • Placenta prévia;
  • Gestações múltiplas com risco de TPP (Trabalho de Parto Prematuro);
  • Sangramento persistente no segundo e terceiro trimestre;
  • Trabalho de parto prematuro nesta gestação;
  • Ruptura prematura das membranas;
  • Hipertensão gestacional descontrolada.

Contraindicações Relativas:

  • Anemia severa;
  • Arritmia cardíaca materna não avaliada;
  • Bronquite crônica;
  • Diabetes Mellitus tipo 1 não controlado;
  • Obesidade mórbida ou sedentarismo extremo;
  • Hipertensão/Pré-eclâmpsia mal controlada;
  • Extremo baixo peso (IMC < 18,5);
  • Fumante severa.

Benefícios do Exercício durante a Gravidez: Evita ganho excessivo de peso; reduz pré-eclâmpsia e risco de diabetes gestacional; auxilia no tratamento do diabetes gestacional; minimiza desconfortos musculoesqueléticos (dor lombar); fortalece o períneo prevenindo disfunção urinária; e melhora a saúde mental.

Diástase (DMRA): Durante a gestação, o estiramento da musculatura abdominal é indispensável para permitir o crescimento uterino, ocorrendo a separação dos feixes dos músculos reto abdominais.

Fatores Predisponentes para DMRA: Obesidade, gestações múltiplas, multiparidade, polidrâmnio, macrossomia fetal e flacidez da musculatura abdominal pré-gravídica. Ocorre em 67% das gestantes.

Prescrição de Exercício Físico

Controle de Peso e Tipo de Treinamento: O treinamento aeróbio é o mais publicado, mas o treinamento de força é significativo para amenizar a perda de massa magra em dietas hipocalóricas.

Volume e Intensidade:

  • Aeróbio: 30 a 60 min, intensidade a partir de 55% da FC máx.
  • Força: Envolvendo grandes grupos musculares (aprox. 10 exercícios), 1 a 3 séries de 10 a 15 repetições. Carga próxima da máxima para ganhos de força e gasto energético.

Cuidados com Obesos: Sujeitos à hipertermia. É vital controlar a temperatura ambiente, ventilação e hidratação. Aferir a PA de repouso com equipamento adequado antes do exercício.

Exercícios Físicos para Gestantes

Tipo de Exercício: A caminhada é a mais recomendada pelo American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), além de atividades na água e cicloergômetro. Mulheres que já se exercitavam podem sugerir outras atividades, desde que controladas.

Alongamento: Deve compor a rotina, mas com cuidado. A progesterona e a relaxina aumentam a lassidão ligamentar, tornando a mulher mais flexível; evite amplitudes máximas. Atividades aquáticas auxiliam na redistribuição de fluídos e controle da PA.

Exercícios Não Indicados: Impacto, movimentos balísticos, mudanças súbitas de direção, contato físico, altas exigências de força, caráter competitivo, mergulhos profundos (descompressão) e elevadas altitudes (hipóxia).

Volume e Intensidade para Gestantes:

  • Frequência mínima de 3 sessões semanais;
  • Duração de 30 a 60 min;
  • Intensidade: No exercício de força, não deve ser máxima para evitar aumento excessivo da PA. A escala de Borg é útil.
  • Até 80% da FC máx parece não prejudicar o fluxo sanguíneo fetal.

Sinais para Interrupção: Cefaleia, dispneia, vertigens, náuseas, dores musculares, hemorragias, ausência de atividade fetal, dificuldade de deambulação e dor torácica.

Cuidados Adicionais: Evitar posição supina após o 4º mês; evitar calor/umidade excessivos; hidratação constante; monitorar PA antes e após; suspender em caso de infecções.

Exercícios Físicos para Cardiopatas

A doença cardiovascular é responsável por 31% das mortes no Brasil. Fatores de risco incluem fumo, alimentação, álcool, obesidade, hipertensão, diabetes e inatividade física.

Fases da Reabilitação Cardíaca:

  • Fase 1: Hospitalar, baixa exigência (2 METs).
  • Fase 2: Pós-alta, exercícios monitorizados (ciclismo, caminhada).
  • Fase 3: Após 2 meses, supervisão em academias/clubes.
  • Fase 4: Automonitorização e independência.

Treinamento Aeróbio: Mais indicado. Grandes grupos musculares, 30-60 min, 3-6 vezes por semana. Intensidade leve a moderada (50-70% da FC de reserva).

Treinamento de Força:

  • Iniciantes: 30-40% do máximo; Treinados: 70% do máximo.
  • 8 a 10 repetições por série.
  • Intervalo > 1 min; evitar a manobra de Valsalva.

Treinamento Combinado: A combinação de aeróbio e força é uma das melhores medidas para cardiopatas. Foco na Gestante: Fortalecer e alongar abdominais, costas, pernas e assoalho pélvico. Manter batimentos cardíacos próximos a 140 bpm para evitar cansaço excessivo.

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